Duas noites para celebrar Tom Jobim
- 21 de maio de 2012 |
- 22h17 |
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PEDRO ANTUNES
Basta cantar os primeiros versos de O Boto (“Na praia de dentro tem areia/Na praia de fora tem o marâ€) para que Miúcha sinta um arrepio percorrer-lhe o corpo. As lembranças com o autor da canção, Antônio Carlos Jobim, o Tom, chegam como uma avalanche. Alegria de lembrar as boas tardes de botequim, finalizadas nos apartamentos de um ou de outro, para novas composições. E tristeza pelo tempo que não volta mais.
No ano em que Tom Jobim (1927-1994) completaria 85 anos, o projeto Accenture Performances chega à sua sexta edição com o espetáculo Tom Jobim – O Tom Maior, o Tom da Natureza, o Tom do Brasil, hoje e amanhã, no Teatro Geo, numa grande homenagem musical ao maestro, compositor, pianista, violonista e cantor, com convidados especiais: Paulo Jobim e Quarteto, Danilo Caymmi, Joyce e Mônica Salmaso e, claro, Miúcha. O jornalista Sérgio Cabral, autor da biografia Tom Jobim, de 1987, assina a direção artÃstica e é o mestre de cerimônias da festa.
Cada artista executa três músicas, à sua escolha. O Boto foi a primeira opção de Miúcha. “Essa canção não para de me maravilharâ€, conta a cantora. A música data de 1976 e abre o álbum Urubu, lançado naquele ano. Era um tempo em que Tom já tinha conquistado o status de gênio, aclamado aqui e no exterior (ele gravou dois discos com Frank Sinatra, no fim dos anos 1960 e inÃcio dos 1970). A sua bossa nova tinha se espalhado. Tom fez todo o disco do jeito que queria, chamou, inclusive, o arranjador Claus Ogerman, com quem tinha trabalhado nos discos com Sinatra, para os arranjos. E bancou tudo sozinho.
A delicada O Boto, que abre o disco, nasceu sob olhos e ouvidos atentos de Miúcha. “A cada dia, ele colocava mais palavrasâ€, lembra ela. “Nos encontrávamos à tarde, tomávamos cerveja e Ãamos testar harmonias. O Boto é de outra dimensão.†Com a canção na “peleâ€, como ela mesma diz, Miúcha chamou de volta Ogerman para retomar os arranjos, torná-los atuais.
A cantora ainda interpretará Retrato em Branco e Preto e Eu Te Amo, uma parceria entre Tom e o irmão dela, Chico Buarque, numa versão em francês. Uma nova homenagem ao amigo zombeteiro. “O Tom era muito divertido. E adorava falar francês, apesar de conhecer pouquÃssimo a lÃngua (risos)â€, relembra Miúcha. Quando ela, Tom, Toquinho e Vinicius de Moraes lançaram um disco ao vivo, gravado no Canecão, em 1977, eles viajaram pela Europa e passaram por Paris. “É uma nova homenagemâ€, conclui.
O tributo ao maestro Tom Jobim passeia por fases e sucessos do carioca. Seu filho, Paulo Jobim, abre as celebrações ao lado do Quarteto com Chovendo na Roseira. Danilo Caymmi, filho do aclamado Dorival, exibe Samba do Avião, Anos Dourados e Felicidade. Mônica Salmaso, de quem, segundo Sérgio Cabral, Tom seria fã se estivesse vivo, faz a sua versão da esplêndida Insensatez. Joyce canta as clássicas Ela é Carioca, Ãguas de Março e Estrada do Sol, uma composição de Tom lançada apenas em 1987. A festa termina com Eu Sei Que Vou Te Amar, cantada por todos.
O passeio por sua obra não poderia vir em melhor momento. O ano 2012 é de Tom. Primeiro chegou aos cinemas o documentário A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos, homenageado em Cannes este ano. Na cerimônia do Grammy, Tom foi lembrado no prêmio Mérito Especial. Por fim, há ainda mais um filme de Pereira dos Santos, chamado A Luz de Tom, prestes a ser lançado. Tom merece tudo isso, mas o mais divertido é pensar que talvez ele trocasse tudo por um boteco com vista para o mar.
DIVIRTA-SE
O Tom Maior, o Tom da Natureza, o Tom do Brasil
Teatro Geo.
Av. Faria Lima, 201, Pinheiros. Telefone: 3728-4930.
Hoje e amanhã, às 21h.
Ingressos: R$ 60 a R$ 100.
Carrossel com pimenta
- 20 de maio de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: TV
JOÃO FERNANDO
O público-alvo são as crianças, mas muitos adultos, mães e pais vão parar em frente à televisão para matar a saudade e a curiosidade de assistir à versão brasileira de Carrossel, que estreia hoje, à s 20h30, no SBT. Uma dessas adultas saudosas é Daniela Beyruti, de 35 anos, filha de Silvio Santos e diretora artÃstica da emissora. Cheia de lembranças dos anos 90, quando, ainda criança, a novela mexicana fez sucesso por aqui, ela foi a responsável pelo remake.
“A Daniela sempre dizia que Carrossel deixava as famÃlias unidas e trouxe a ideia para reunirmos elas novamenteâ€, conta a mãe, Ãris Abravanel, mulher de Silvio, a cargo da adaptação do texto.
Na retomada da trama da professorinha Helena e seus alunos, a Escola Mundial volta repaginada e a fachada, antes sóbria, ganha uma versão com cores vibrantes. Os personagens centrais da sala de aula estão de volta – Maria Joaquina, Cirilo, Jaime Palilo – e o time foi reforçado com crianças como Valéria, nome da personagem escrita especialmente para a estrela-mirim do SBT, MaÃsa Silva, de 9 anos. Maisinha, que ganhou fama contracenando com Silvio Santos em seu programa, aparecerá em cena com cabelos alisados.
A professora Helena, vivida por Rosanne Mulholland (que antes fez A Liga, na Band), terá menos meiguice e mais dor de cabeça. Ela terá uma rival, Suzana, professora substituta, criada para apimentar a história, papel que será de LÃvia Andrade. “Escrevi pensando no jeito delaâ€, conta Ãris sobre a atriz, que foi capa da Playboy e dá expediente no programa do patrão, de quem é uma das queridinhas. Suzana vai tentar estragar o namoro da professora Helena – sim, agora ela tem namorado – com o professor René (Gustavo Wabner). “Todo mundo gosta de confusão. Eu continuo disputando com a Rosanne, não foi só no testeâ€, brincou LÃvia, lembrando que tentou o papel principal, mas não levou.
A paixão platônica do garoto pobre e negro Cirilo (Jean Paulo Santos) pela entojada riquinha Maria Joaquina (Larissa Manoela) se mantém, assim como as gozações dos colegas. “O bullying que mostraremos não será tão pesado como o real, mas prepara a criança para se defender e se tornar um adulto bem resolvidoâ€, diz Ãris. O preconceito da garota, aliás, marcou a famÃlia da autora. “Uma vez, a Renata (Abravanel) acordou no meio da noite chorando por causa das maldades com o Cirilo.â€
Intérprete da mimadinha, Larissa Manoela, de 11 anos, não teme ser hostilizada. “Quanto mais falarem, mais estarão reconhecendo meu trabalho.†A atuação da novata, aliás, espantou o diretor Reynaldo Boury. “Eu perguntei se ela queria colÃrio para uma cena em que ela tinha de chorar, mas ela chorou mesmoâ€, conta ele, que só tem sofrido mesmo com a bagunça do elenco. “Eles estão sempre aprontando. É uma verdadeira sala de espera de hospÃcio.†Ao menos, até o sinal da escola soar. ::
Palavra Cruzada com Carolina Kasting
- 20 de maio de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Celebridades, Entrevistas
JOÃO FERNANDO
A arte é prioridade na vida de Carolina Kasting. A atriz, de 36 anos, diz que não está preocupada com o tipo de papéis que recebe, desde que eles sejam bem escritos. Vivendo a psicóloga Beatriz, na novela das 6 Amor Eterno Amor (Globo), a catarinense defende que o jeito exagerado de boa moça de sua personagem na trama de Elizabeth Jhin é necessário. Cria do teatro, ela revela que ter o rosto na TV não a impede de sofrer como qualquer mortal na hora de pedir patrocÃnio para montar um espetáculo.
Na maioria das cenas de Amor Eterno Amor, sua personagem Beatriz fala em um tom doce e equilibra os conflitos dos outros. Você não acha que ela é boazinha demais?
Quando uma personagem é muito boa, as pessoas reclamam. Se ela é má, as pessoas também reclamam. Não a considero boazinha. É uma pessoa ética, realmente boa. Ela disse que prefere ser psicóloga porque é uma profissional que cuida dos outros. Ela não é rasa, é uma pessoa crÃvel. Não é qualquer pessoa que tem aquele astral.
Ela entrará em conflito em algum momento da trama?
O que sei é que ela teve um casamento difÃcil. A resistência que ela tem em oficializar a relação com o Gabriel (Felipe Camargo) é um pouco em função disso, da separação complicada. Talvez tenha pano para manga nesse sentido. Beatriz tem dificuldade com a palavra casamento.
Eles vão se separar?
Não acredito que eles devam ir nessa tranquilidade até o final. Tem a questão de o Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) começar uma processo de terapia com a Beatriz e o que vai ser revelado nessas sessões. Ainda existem muitos complicadores. Até o final da novela, se não acontecer nada com eles vai ficar muito morno.
O fato de Beatriz estar calma o tempo todo fez você ficar mais tranquila também?
Isso não interfere em nada. Tento buscar a minha porção tranquila. Não sou influenciada pelas minhas personagens. Se eu fizer uma vilã, não vou começar a ficar má na vida real.
Interpretar uma mulher boazinha o tempo todo é mais fácil do que uma vilã cruel?
No começo, eu tive um pouco de dificuldade de trazer essa segurança que ela tem. É difÃcil fazer alguém que está sempre bem ou que tem o objetivo de passar uma tranquilidade para as pessoas. Na rua, comentam comigo, me dizem: ‘Como você é calma’. Acho isso uma riqueza, não acho ruim.
Os seus colegas atores costumam incorporar os personagens?
Para mim, há uma separação da vida pessoal. O trabalho na TV é um trabalho em que a gente grava muito. Há uma rapidez, tem de gravar sei lá quantas cenas por dia. Seria loucura se essa confusão acontecesse. Quando se faz um personagem mau caráter, por exemplo, você tem de ter essa clareza. Senão, serÃamos todos loucos.
Na novela, a Beatriz trabalha com terapia de regressão. Você já experimentou a técnica?
Não costumo ir a fundo, tecnicamente, nas minhas personagens da televisão. É mais importante, no caso da Beatriz, que eu passe leveza para o público, para dizer que é real existir uma pessoa boa. Acho que esse lado que chamei de emocional é importante, porque temos a comunicação de massa. Não fiquei preocupada em fazer regressão. Até mesmo porque não faço na minha vida. Não fui buscar isso.
Mas você faz terapia?
Faço há muitos anos. Acredito que as pessoas devam fazer. É difÃcil atravessar a vida sem uma ajuda. E uma ajuda profissional é uma coisa incrÃvel. Uma pessoa pode realmente resolver coisas que você não está conseguindo. Seja qual técnica que for. Antes, você ouvia das pessoas ‘Não vou fazer terapia, não sou maluco’. Hoje, a gente vê que as pessoas têm informação sobre isso, e que fazer terapia não é para maluco. É para qualquer um.
Você gosta de assistir às próprias cenas na TV?
Quando estou gravando, não vejo. Só no ar ou depois. Gosto de ver as minhas cenas para ver se estou passando o que quero. Vejo a novela de uma maneira geral para ver o que estava funcionando.
Que tipo de personagem você gosta de fazer?
Gosto de bons personagens. Se é uma vilã boa, dramaturgicamente elaborada, vou amar. O que me seduz é um trabalho que seja bem escrito. Se as pessoas estão assistindo à novela para ver a vilã que a Adriana (Esteves) está fazendo, parabéns para ela. Ela está fazendo bem. Essa é a função do ator: chamar a atenção das pessoas. Se você olha e não acredita, não vai acompanhar. Para mim, não interessa se estou fazendo vilã ou mocinha, ela tem de ser bem construÃda.
Qual o trabalho que você considera um divisor de águas na sua carreira na televisão?
Minha trajetória foi satisfatória. Não houve nenhum papel que eu não quisesse fazer. Acho que a Rosana, da novela Terra Nostra, foi um marco. As pessoas ainda comentam. É injusto falar de uma só. A Marina, de Coração de Estudante, que entrou no meio da novela, também foi importante. A Jamile, de O Astro, também gostei. Porém, Terra Nostra me trouxe para outro patamar na carreira.
Você quis dar um tempo da Globo ao ser protagonista de Brida, na extinta Manchete?
Quando fui fazer Brida, eu não era contratada da Globo. Eu tinha gravado Hilda Furacão, que não tinha ido ao ar ainda. Então, o (Walter) Avancini me chamou.
Antes de ser atriz, você tentou a sorte como modelo?
Com 15 anos, participei do concurso Look of the Year, da agência Elite Models. Eu era bailarina no sul e consegui ser finalista. Fui morar em São Paulo, mas não cheguei a trabalhar muito como modelo. Logo quis fazer teatro e entrei para a escola da Célia Helena.
Na TV, os personagens têm uma novidade a cada dia. No teatro, os atores ficam, por muito tempo, em cima do mesmo texto. É mais fácil trabalhar assim?
O teatro é a mesma cena, o mesmo personagem, mas não é o mesmo público. É a arte do aqui e agora. É uma coisa daquele momento, a energia, a reação daquelas pessoas. É uma arte em que a gente se expõe mais como ator. Para mim, é o lugar onde vou exercer minha profissão de maneira mais ampla e importante. Valorizo muito, não faço qualquer coisa no teatro. É um trabalho artesanal.
A sua filha, Cora, de 7 anos, já disse se quer ser atriz?
Tem criança que se posiciona logo, mas ela está descobrindo as coisas. A gente tenta passar o valor da arte para ela.
Ela assiste às suas novelas?
O trabalhos que fiz quando Cora era menor, ela não assistiu por causa da idade. Ela não assiste muito à novela. Ela sabe, as coleguinhas assistem e comentam com ela. Mas o hábito de assistir ela não tem. Assiste a filmes da idade dela.
Além de atuar, você também produz no teatro?
Eu e meu marido, (o ator) MaurÃcio Grecco, também produzimos. Nos consideramos realizadores.
Por você ter um rosto conhecido, é mais fácil negociar e convencer os patrocinadores?
No Brasil, é difÃcil para qualquer pessoa. A educação está devagar e ela anda com a cultura. Os donos das empresas me reconhecem, mas isso não é determinante para que eu consiga o patrocÃnio. ::
O milagre dos números
- 19 de maio de 2012 |
- 23h30 |
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Categoria: Celebridades
JÚLIA FERNANDES
O conceito de numerologia surgiu com o filósofo Pitágoras, que criou uma teoria em que a harmonia do universo repousava nos números. Com o aprofundamento desses estudos e o passar dos anos, a numerologia se tornou a ciência que estuda a influência dos números na vida das pessoas, a partir de análises de seus nomes e dos algarismos na data de nascimento. Numerólogos defendem que uma pessoa só terá equilÃbrio na vida se seus números estiverem, digamos, favoráveis. Se os algarismos extraÃdos de nome e dia de nascimento forem considerados negativos, uma das soluções pode ser, então, mudar de nome.
A prática, que à primeira vista parece extrema e costuma levar a aberrações estéticas, tem conquistado famosos e personalidades que parecem não ligar para o visual feio de Alinne, Paolla, Patricya, Faa, entre outros. Mas, segundo a numeróloga Aparecida Liberato, autora de livros sobre numerologia e a quem muitos famosos recorrem para conselhos, as mudanças são certeiras: a atriz Alinne Morais ganhou carisma com o ene a mais; a apresentadora da RedeTV! Faa Morena (ex-Fátima) ganhou percepção e objetividade; Patricya Travassos, com seu ‘y’ invocado, ganhou espiritualidade, para citar alguns.
Na última semana, a atriz Paola Oliveira se juntou ao grupo e acrescentou um “l†ao nome após uma consulta. A atriz, que acaba de completar 30 anos, sempre foi ligada a numerologia e disse que a decisão foi baseada em uma questão de energia. Aparecida Liberato explica que, a agora Paolla, reforçou sua comunicação, algo muito válido em sua carreira. A numeróloga diz que toda mudança parte do mesmo propósito, equilibrar energias. “Esse equilÃbrio é essencial para a vidaâ€. A decisão do que será alterado, se uma consoante dobrada, transformar um “i†em “yâ€, ou ganhar um “hâ€, é complexa, diz ela. “É preciso fazer uma análise completa da pessoa e só então indicar números com base na carreiraâ€, diz Aparecida.
A apresentadora de TV Patricya Travassos, de 60 anos, estranhava o fato de as pessoas mudarem seus nomes, até que ela mesma recebeu uma sugestão. “Entrevistei um numerólogo no (programa que ela comanda) Alternativa Saúde e ele sugeriu uma consultaâ€, lembra. “Eu não tinha o menor interesse e achava esquisitérrimo quem mudava o nome por causa disso. Mas ele me surpreendeu, descreveu minha vida, meus traços familiares, então quando sugeriu a troca de letra, eu acabei aceitando na hora.†A mudança foi há 10 anos e a apresentadora diz ter um saldo positivo de seu Patricya. “Isso é ciência e matemática, não é misticismo. A mudança foi boa, vejo muita diferença.â€
Aparecida Liberato lembra, porém, que a mudança tem hora certa para ser feita. A numeróloga diz que cada letra corresponde a um número e cada um tem um significado. “Cada pessoa nasce com seis números, quatro são do nome e dois, da data de nascimento. Eles falam das caracterÃsticas pessoais suas. Você não pode mudar o que já está presente, mas pode acrescentar energia boaâ€, explica.
O consultor de imagem Cláudio Tomanini, de 51 anos, no entanto, pede cautela e questiona o poder dos números. “É mais comum que as pessoas tomem essa decisão quando as carreiras estão meio paradasâ€, aponta ele. E questiona: “A energia aumentou, a motivação e a vontade de melhorar são maiores, agora está tudo certo para a pessoa. Isso se chama fé.†::
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Um retrato do Baixo Augusta
- 19 de maio de 2012 |
- 22h40 |
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Categoria: Comportamento, Música
PEDRO ANTUNES
A Rua Augusta nasce na escuridão, como uma continuação da Rua Martins Fontes, pouco antes da ainda em reforma Praça Roosevelt. Noite negra de inverno cobre o inÃcio da subida de quase dois quilômetros até a Avenida Paulista, um oásis de luzes brilhantes e movimento, que forma o chamado Baixo Augusta. Suja, encardida, luxuriosa, boêmia, chique, pobre, rica, indie, pop. O lado do centro da via é tudo isso, com o sabor amargo de uma cerveja quente ou o doce e inebriante drinque de vodca e frutas.
Uma deliciosa contradição. E viciante. Quem garante é Marcelo Gross, de 39 anos, guitarrista da banda Cachorro Grande. Há sete anos, ele e o restante da banda saÃram de Porto Alegre, e foram levados pela gravadora Deckdisc para a região, num flat na Rua Marquês de Paranaguá, uma travessa da Augusta. O músico se apaixonou pelo ambiente soturno e sujo, e é o único membro que mantém residência por lá, mora na esquina com a Dona Antônia de Queirós – Beto Bruno, vocalista, também mora perto, na paralela Rua Frei Caneca. “Quando viemos para cá, só existiam alguns botecos. Pegamos todas as mudanças na rua.â€
Uma forte evidência da influência da região para a música da banda gaúcha está explÃcita no nome do recente disco, Baixo Augusta, do ano passado, com show de lançamento no Beco 203. “Ainda nos encontramos aqui para tomar umas cervejas, ver algum show, nacional ou internacional. É efervescente.â€
Dos bons últimos shows, Gross elenca a apresentação do inglês Carl Barât, ex-Libertines, em abril, no Beco. A casa comemora um ano e meio, no número 609, ao lado do Studio SP. Ambas, contudo, não concorrem tão diretamente. Enquanto o Beco, que já tinha experiência no Rio Grande do Sul, busca por artistas internacionais, o Studio procura dar espaço para as bandas brasileiras.
Juntos, eles formam o epicentro musical da rua, que ainda tem o clubinho indie das antigas Outs (no número 486), Inferno Club (501) e o finado Vegas Club, que fechou após sete anos vÃtima do seu próprio sucesso (com a popularização da região, o terreno se valorizou, foi vendido e dará lugar a um grande empreendimento imobiliário). “Com essa popularidade, o que conhecemos como Baixo Augusta vai mudar logoâ€, diz.
Vitor Lucas, 28 anos, dono do Beco 203 é mais otimista. Tanto que em quatro meses o Beco abrirá uma nova filial, em BrasÃlia, para fechar um eixo de shows com São Paulo e Porto Alegre. “O Beco é a cara da Augusta. Tivemos muita sorte de conseguir encontrar esse galpão, num espaço tão valorizadoâ€, conta. Nos últimos tempos, o Beco tem conseguido atrair bons nomes da música indie para seu palco, como Gruff Rhys (Super Furry Animals), The Cribs, The Kills e, agora, Band Of Horses (amanhã) e Wild Beasts (dia 24).
Naquela noite de quarta-feira, cujo relógio no topo do Conjunto Nacional, na Av. Paulista, indica uma temperatura de 12º, tudo parece deserto e sem vida, com exceção de dois mendigos que pedem por moedas (e cigarros), e alguns vira-latas perambulando sem dono. Até os prostÃbulos mostram pouco movimento. Até os leões de chácara, de terno, tentam se esquentar como podem.
No Teatro Augusta, os amigos Thiago Misciasci, 18 anos, e Monique Resende, 15, estudantes, saem rindo da comédia Me Engana Que Eu Gosto, quando o relógio se aproximava das 23h. “Adoro aqui, é tanta gente diferenteâ€, diz a garota. Os amigos saem da zona sul, onde moram, e passeiam pela Augusta com frequência, de teatros e à s baladas. “É uma pena que o Vegas Club fechouâ€, lamenta Mischiasci, antes de se despedirem.
Do lado da rua, num bar mequetrefe chamado O Pescador, a trilha sonora é Hunting High and Low, do A-ha.
Depois, quando a voz de Shakira sai das caixas de som cantando Pies Descalzos, um sujeito grita: “Agora que eu tava esquecendo ela!â€, e volta para sua cerveja. Enquanto isso, a atriz Carol Goes, 21 anos, está prestes a ganhar a partida de sinuca contra o namorado Juan Dal Molin, 30. “Eu sou muito melhor do que eleâ€, diz, seguida pela careta do namorado. “Costumamos vir aqui duas a três vezes por semanaâ€, explica ele. Dal Molin tem uma loja de roupas masculinas na Frei Caneca. Depois do curto papo, Goes encaçapa a bola. A vitória é dela.
A caminhada em direção a Paulista é interrompida por gritos. Urros de luta. No número 970, sobre um restaurante, a academia de kung fu TSKF está em pleno funcionamento. “Temos alunos de todos os tipos, crianças, idosos e travestisâ€, conta Willian Costa, professor e chefe da filial. “Estamos aqui há três anos. Esse movimento da rua é ótimoâ€, completa.
Foi pensando exatamente no constante movimento de pessoas que se deu uma mistura das mais improváveis. Um alemão, Guido Libera, montou uma pastelaria, próximo do coração de São Paulo. O Pastel da Augusta funciona há 2 meses, na esquina com a Rua Luis Coelho, com preços que vão de R$3,50 a R$5. “Sempre gostei muito da cultura brasileiraâ€, diz o dono, que estava no caixa quando a equipe do JT entrou na loja. “O movimento aqui é intenso. No fim de semana, trabalhamos das 8h à s 4hâ€, conta.
Enquanto espera seu pastel, o produtor cultural Francis Manzoni, 33 anos, explica que mora na região há dois anos e meio. “Tem muito agito, o tempo todo. Mas estou ficando velho, não vou mais para as baladas. Mas todos os agitadores cultuais da cidade estão aquiâ€, diz ele, pouco antes de pegar sua comida e partir para casa. E o Baixo Augusta se despede, iluminado e vibrante pelas luzes da Av. Paulista.
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