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Sábado, 04 de Fevereiro de 2012
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À Beira do Abismo desafia as aparências

Categoria: Cinema

Aos desavisados cabe um aviso: o romance The Big Sleep, hard boiled de Raymond Chandler, foi adaptado para o cinema em 1946 por Howard Hawks e se chamou no Brasil À Beira do Abismo. É genial, um tipo ideal do gênero noir, com Humphrey Bogart e Lauren Bacall.

Não tem nada a ver com este filme homônimo, que agora chega ao circuito com direção de Asger Leth. Não se trata de refilmagem. Na verdade, a “tradução†é uma gambiarra. O original, Man on a Ledge, descreve a situação principal, a do homem que ameaça jogar-se do parapeito de um prédio.

Quem é ele? Aprendemos que é Nick Cassidy (Sam Worthington), ex-policial condenado por crime de roubo, que escapa da prisão para tentar provar a inocência. O desespero o leva à tentativa de suicídio? É o que procura descobrir a psicóloga policial Lydia Mercer (Elizabeth Banks), enquanto tenta convencer o homem a não pular para o nada. Logo o espectador percebe que nem tudo é como parece, e que Nick está no tal parapeito por outros motivos além do desespero.

O projeto é mesclar duas ideias distintas, nenhuma delas original – a do espetáculo midiático proporcionado por alguém que ameaça se jogar, aliada a uma intrincada trama de roubo de joias em uma caixa de segurança máxima. A primeira parte é a de sempre, com a multidão oscilando entre a compaixão e o desejo de ver a morte de alguém.

Tudo isso que se chama sociedade do espetáculo, com direito, é claro, à repórter de mau caráter, emblema da imprensa sensacionalista. Inútil dizer que, nesse ponto, o filme não aprofunda nada. Na outra linha de ação, uma trama intrincada, que lembra as da série Missão Impossível em registro mais modesto.

Com direito, a uma beldade um tanto selvagem, Genesis Rodriguez (também com um nome desses…), a cota hispânica a ser preenchida, muitíssimo bem preenchida, aliás. Já a cota black fica por conta de um ex-colega do tira caído em desgraça.

O engraçado é que o filme insinua uma linha dramática potencialmente interessante, que depois joga fora. A psicóloga Lydia é chamada para atender a emergência e acorda em seu apartamento presa de uma ressaca federal. Sabemos depois que ela falhou em outra ação.

Seu diálogo com Nick, portanto, poderia ser o de dois perdedores, que no fundo se compreendem por suas limitações. Mas, mal esse caminho é insinuado, em seguida é abandonado, talvez para não forçar a mente do público-alvo.

No começo, a tal ideia dupla levada à tela por Leth parece até funcionar. Mas logo ela começa a soçobrar sob o peso dos clichês. E, quando entrar em ação a trama paralela, que se alterna com a figuração do potencial suicida, o mais amigável dos espectadores descobrirá que o filme não lhe apresenta nada de novo.

E nem de particularmente excitante. É apenas um produto entre outros. Entre muitíssimos outros, diga-se, provando que a indústria cinematográfica virou mesmo uma empresa de recicláveis. Indústria que se dá ao luxo até de desperdiçar talentos, como o ator Ed Harris, num pífio papel de vilão.

Luiz Zanin Oricchio

Selena Gomez: ela não é mais uma garotinha

Categoria: Musical

PEDRO ANTUNES

Na onda das cantoras teen com a chancela do Disney Channel, Selena Gomez surfa com certa dignidade. A menina nascida no Texas há 19 anos já conta com três discos em sua carreira, e isso sem contar com um personagem-alter-ego para alavancar as vendas, como Miley Cyrus e sua Hannah Montana.

Ao lado da banda The Scene, ela passará por São Paulo e Rio de Janeiro na turnê We Own The Night Tour, baseada no seu último disco, When The Sun Goes Down (Universal Music, R$24,90), lançado em julho.  O poderio com os adolescentes, no entanto, não é tão grande quanto o de seu atual namorado, Justin Bieber.

Enquanto o cantor canadense de 17 anos, com sua franjinha meticulosamente posicionada sobre os olhos, lotou um estádio do Morumbi com 70 mil pessoas, ela, mais modesta, esgotou os 6 mil ingressos da Via Funchal, na noite de amanhã, às 19h.

A ansiedade para vê-la foi capaz de levar jovenzinhos a acampar na frente da casa de show para garantir a primeira fila. Tudo começou muito cedo para Selena Gomez. Até os namoricos: aos 19 anos, coleciona três namorados famosos (Taylor Lautner, o lobisomem Jacob da saga vampiresca Crepúsculo, e Nick Jonas, do grupo Jonas Brothers, além do próprio Bieber).

Ela viveu no Texas até os 7 anos, quando mudou-se com a mãe (recém-separada do pai) para Los Angeles. Lá, dois anos depois, começou a carreira no seriado infantil de TV Barney e Seus Amigos, aquele com o falante dinossauro roxo.

De ponta em ponta em filmes pequenos e seriados, Selena Gomez foi descoberta pelo Disney Channel. E aí sim sua carreira teve uma guinada. Em 2006, fez participação em Zack e Cody: Gêmeos em Ação e, no ano seguinte, apareceu como uma vilã em Hannah Montana, da outra apadrinhada pela Disney, Miley Cyrus.

Na TV, seu auge veio, mesmo, interpretando Alex Russo em Os Feiticeiros de Waverly Place, série lançada no ano seguinte (exibida na Globo, no programa infantil matutino no ano passado, e atualmente no canal pago Disney Channel). A série ganhou até um Emmy, na categoria de melhor programa infantil de 2009 e durou quatro temporadas.

O caminho entre os seriados e a carreira musical foi entrelaçado. Selena teve seu empurrãozinho da Disney. A primeira música foi Cruella de Vil, parte da trilha sonora de 101 Dálmatas, em 2008. Aos poucos, conseguiu se desvencilhar. Desde 2009, manteve a média de lançar um disco por ano.

Este ano, no entanto, depois da última turnê, Selena anunciou que pretende dar um tempo na música, um descanso para a banda e focar a carreira de atriz. Ela tem duas produções engatilhadas – uma delas, Spring Breakers, com James Franco, previsto para 2013.

No palco, por enquanto, a carinha ainda é angelical, com bochechas carnudas, apesar do corpo magro e dos esforços para mostrar-se adulta, sensual. Sua música, porém, está longe de chegar lá.  Mergulhada num pop dançante com letrinhas de pouca profundidade e refrões grudentos, ela procura encontrar espaço.

Com isso, When The Sun Goes Down é híbrido, sem identidade ou vibração – pecado comum no pop comercial. Qualquer roqueiro vai torcer o nariz, mas é preciso entender que Selena Gomez é de uma geração cujo primeiro disco comprado foi Baby One More Time (1999), de Britney Spears. Em seu disco, aliás, Selena assina uma música com Britney, Whiplash.

No fim do ano passado, no Rio de Janeiro, ela fez uma pontinha no show de Bieber. As tietes não gostam da moça que roubou o coração do ídolo. Mas Selena já possui seus próprios tietes, prontos para gritar ao primeiro acorde.

‘Filha do Mal’ decepciona mas rende bons sustos

Categoria: Cinema

Por Felipe Branco Cruz
De Nova York

Num certo momento de Filha do Mal, um dos padres exorcistas diz para Isabela (vivida pela brasileira Fernanda Andrade): “Como padre, eu já tive contato mais vezes com os demônios do que com Deus. Isso não é certo. Não deveria ser assimâ€. Explorando questões religiosas e possessões demoníacas, o longa, em cartaz nos EUA desde 6 de janeiro, custou apenas US$ 1 milhão (valor baixo até para os padrões brasileiros) e já arrecadou mais de US$ 53 milhões nas salas americanas e também no Canadá.

Parte dos motivos que levaram um filme de baixo orçamento a fazer tanto sucesso pode ser explicado pela capacidade que o diretor William Brent Bell teve de misturar diversos elementos já experimentados em outros filmes e usar isso a favor de sua produção. A ideia dele, junto com a Paramount, foi transformar Filha do Mal no novo Atividade Paranormal, que também custou pouco e teve grande retorno. Como peça cinematográfica, no entanto, Filha do Mal não é boa.

No início da projeção, um anúncio avisa que o longa não é aprovado pelo Vaticano. Ora, a doutrina moral do Vaticano não aprova nem sexo com camisinha e vai aprovar filme de terror com esse tema? No enredo, Isabela viaja para Roma para encontrar sua mãe, que está internada num hospital psiquiátrico. Ela quer descobrir se pode desenvolver os mesmos problemas mentais que levaram a mãe a matar três pessoas durante uma sessão de exorcismo há 20 anos. Para entender o que aconteceu, Isabela passa a frequentar uma escola de exorcismo do Vaticano que ensina até jornalistas. Depois de conhecer dois padres exorcistas, um deles lhe diz que ela só entenderá um exorcismo se ver um de verdade.

O que se vê, a partir de então, é uma série de corpos retorcidos ou escalando paredes como se fossem aranhas. É assustador, mas não é original. O enredo é desconexo e, ao final, fica-se sem saber o propósito daquilo tudo. Sobre o final, o site americano Rotten Tomatoes, especializado em cinema, considerou um dos piores da história.

Exibir cenas bizarras de exorcismo e criar uma certa fantasia em cima do Vaticano, mostrando padres que fazem o ritual à revelia da Igreja, já foi feito em filmes como O Ritual (2011), com Anthony Hopkins e a brasileira Alice Braga, e até o clássico O Exorcista (1973).

Outro elemento de Filha do Mal é dar a sensação de que se trata de um filme amador que foi parar no cinema. Essa estratégia já foi usada desde a Bruxa de Blair (1999) até Atividade Paranormal (2007). O Último Exorcismo (2010) é outro que foi realizado como se fosse um falso documentário.

Filha do Mal não é um fenômeno cinematográfico e, sim, a comprovação de que os estúdios insistem na fórmula sobre como fazer filmes baratos com alto retorno financeiro. E se o tema for assustador, tanto melhor.

Rita Lee lança canção inédita na web

Categoria: Música

Rita Lee estreia nesta sexta, dia 3, às 7h, em seus canais oficial de Youtube (http://www.youtube.com/ritaleetv) e Facebook, uma faixa do novo álbum, a inédita ‘Reza’. A música, dela e de Roberto de Carvalho, estará disponível para streaming e dá a largada na
divulgação do CD ‘RADAЯ’, projeto já em fase de finalização que a Biscoito Fino coloca nas lojas no final de abril.

Sobre a canção, Rita diz: “É reza de proteção. Coisa de benzedeira. Invejas, raivas, pragas, mantenham-se distantes porque aqui, o santo é forte – e porque é com a gente mesmo dar um significado a este universo e suas criaturasâ€.

Confira o depoimento de Rita em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=i738zJo_C4I&feature=player_embedded

 

Filha do Mal tem estrela brasileira no elenco

Categoria: Cinema

Faz parte da estratégia de lançamento de Filha do Mal. A distribuidora Paramount escondeu da imprensa o terror de William Brent Bell, que estreia hoje. Isso nunca promete muito. Em geral, as majors só escondem seus grandes fiascos, mas Filha do Mal chega precedido da fama de ser um daqueles filmes baratos que estouraram no Facebook e arrastam multidões aos cinemas.

Cabe ressaltar que a Paramount também fez de tudo para facilitar as entrevistas por telefone com Fernanda Andrade. É a estrela brasileira do filme de Brent Bell. Fernanda quem? Você pode até não conhecer nem identificar pelo nome, mas sabe. Fernanda fez pequenos papéis em séries (CSI, Law & Order e The Mentalist) e estrelou Fallen.

Filha do Mal é sobre garota (Fernanda), cuja mãe cometeu três bárbaros assassinatos numa noite, 20 anos atrás. Isabella (é seu nome) nunca soube disso, mas com a morte do pai ela descobre que a mãe está internada num manicômio para criminosos insanos na Itália. Loucura ou possessão demoníaca? A pedido da garota, entram em cena dois jovens exorcistas que usam métodos nada convencionais. E começa o show, que promete ser particularmente violento, pois Maria, a mãe, foi possuída não por um, mas por quatro poderosos demônios.

Nascida em São José dos Campos (SP), Fernanda mudou-se cedo com a família para Campinas. Suas lembranças de infância são todas desta cidade. Quando o pai foi transferido para a Flórida, ela iniciou outra vida, aos 11 anos – a de uma teen norte-americana (embora nem de longe queira negar as raízes brasileiras). Seu sonho era ser bailarina, mas, para se desinibir, ela foi frequentar um curso de interpretação. Adorou, e mudou o rumo. Aos 16 anos, resolveu investir na carreira de atriz. Mudou-se para Los Angeles, a família apoiou.

Os pais estão voltando para o Brasil. Ela vai seguir nos EUA, agora que a carreira está deslanchando. Brasil, só nas férias, como no Natal, quando realizou um sonho e conheceu Salvador. O que havia de diferente em Filha do Mal, a ponto de ela querer fazer o papel?

“As histórias de exorcismo são muito parecidas, essa tem outra pegada. A mistura de religião e ciência como método usado pelos exorcistas, o fato de minha personagem ter medo de ser louca, como a mãe, mas na verdade a mãe não está louca. Tudo isso me pareceu muito interessante e, depois, tem a equipe. O produtor, o diretor, o escritor. Todo mundo é jovem, subvertendo regras, querendo se mostrar e chamar atenção.â€

Como foi o processo? “Fiz um teste e depois me chamaram. Assim como não estão mostrando o filme para a imprensa, os produtores eram muito fechados com o roteiro. Não mostravam de jeito nenhum. Só no segundo encontro, no segundo teste, foi que me deram uma cena para decorar e interpretar.â€

As filmagens ocorreram na Europa. “Em Bucareste e Roma. Filmamos em digital. Uma câmera prática, pequena. Tinha de ser, porque o diretor de fotografia passa boa parte do tempo correndo atrás de mim com a câmera na mão. Isso dá uma instabilidade, aumenta a sensação de medo.â€

Fernanda Andrade adora terror. “Quem não gosta de sentir medo se sentindo segura no cinema?†Por enquanto, curte o momento, mas não quer ficar atrelada somente a um tipo de cinema. “Quero testar mais coisas.†Mas o apelo ao fantástico é forte. Fallen era sobre anjos, Filha do Mal sobre demônios, mas, para avaliar, você terá de entrar num encontro às escuras com a nova estrela brasileira (com Alice Braga) de Hollywood.

Luiz Carlos Merten