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A cidade inteira decorada
Em Lençóis, no interior da Bahia, o artista Calma pintou até igreja e túmulos no cemitério
Natália Zonta
É bem possível que a ideia tenha parecido megalomaníaca a quem a ouviu pela primeira vez. Afinal, o sonho de pintar uma cidade inteira não soa nada modesto, ainda que essa cidade seja a pequena Lençóis, de 10 mil habitantes, a 410 quilômetros de Salvador, na Bahia. Mas foi exatamente o que fez nos últimos três anos o artista Stephan Doitschinoff, conhecido dentro e fora do Brasil pelo apelido Calma.
O trabalho do brasileiro não é classificado como grafite. Ele pouco usa spray e muito do que produziu em sua carreira está exposto em galerias de arte na Europa e nos Estados Unidos. Mas foi com o mesmo espírito que move os grafiteiros - o de mostrar sua arte ao ar livre -, que ele enfeitou muros e paredes da cidade baiana. “Só não consegui pintar tudo porque não é permitido, já que há muitos patrimônios tombados”, diz.
Os murais têm inspiração na arte sacra, na xilogravura e no folclore brasileiro. Histórias da região também foram usadas como temas dos trabalhos. “Em muitos desenhos há diamantes, referência ao garimpo”, explica o artista. Segundo ele, muitas obras permanecem expostas pela cidade. “Sei que algumas foram apagadas ou estão desbotadas, mas a maior parte continua nos muros.”
Stephan mudou-se para Lençóis, onde vive sua irmã, em 2006, depois de uma temporada na Europa. “Fiquei amigo de muitos moradores e vários deles me pediram para pintar suas casas e até túmulos no cemitério”, conta. Até uma das igrejas da cidade ganhou uma nova e colorida decoração.
Trabalhos assinados por Stephan Doitschinoff foram reunidos no livro Calma, com fotos e reproduções. A previsão é de que a publicação, importada, seja lançada no Brasil no mês que vem.
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