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Quinta-feira, 9 abril de 2009   edições anteriores
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  Rede põe aluno no centro do ensino

Rodrigo Martins

Victor Tomanik, de 12 anos, é aluno do 7º ano na Escola Móbile, em São Paulo, e não está entendendo muito bem um conceito: “O que é fotossíntese mesmo?”, posta na rede. Um colega logo responde: “É a forma como as plantas se alimentam.” Em seguida, outro complementa: “E o processo usa a luz solar.” Aí sim a ficha cai para ele.

Victor e seus colegas estão integrados a uma nova realidade que surge em escolas do Brasil e do mundo: com a ajuda da internet, o aluno, que antes era mais consumidor de informação, agora também vira produtor e transmissor. Conceitos de colaboração que se espalham na web começam a quebrar a barreira de Orkut, MSN e cia. e ganhar a sala de aula.

Como na Escola Móbile, outras instituições de ensino já adotam sistemas que interligam os alunos em redes sociais voltadas para fins educacionais. Mais do que conectar virtualmente os estudantes, essas redes têm o potencial de mudar o foco da própria escola: se antes o professor era o centro do conhecimento (embora continue importante), agora é o aluno quem pode assumir esse papel.

“Ensinar também ajuda a aprender”, diz Luisa Mesquita, de 17 anos, aluna do 3º ano da Escola Nossa Senhora das Graças, no Itaim. “Quando tento explicar, preciso entender melhor. O professor ajuda, mas, em muitos casos, um aluno explicando para o outro torna a linguagem mais acessível, como a gente fala.”

“Com a web, é mais importante ‘aprender a aprender’ que decorar. Ao sair da escola, o aluno terá de buscar conhecimento na rede por si só”, diz Camila Santana, pesquisadora em pedagogia da Universidade Estadual da Bahia.

Na Móbile, o professor Carlos Eduardo Godoy, o Amparo, montou uma rede para a aula de ciências. Alunos de 6º e 7º anos tiram dúvidas - muitas vezes, respondidas pelos próprios alunos -, e montam até uma enciclopédia colaborativa. Tudo integrado à aula.

“A ideia é potencializar a aprendizagem. Por já estarem acostumados ao Orkut, eles participam mais. Discutem, ampliam sua capacidade argumentativa”, conta. Também não ficamos mais limitados ao tempo de duração das aulas. Se alguém tiver uma dúvida, ela é respondida por outros alunos a qualquer hora.”

O professor escolheu uma solução gratuita, como a maioria das usadas no Brasil. Essas redes - ou ambientes virtuais de aprendizagem - podem ser usadas tanto na escola como em casa. São parecidas com o Orkut: o aluno entra com login e senha. A diferença é que o professor ou a escola têm controle sobre o que os alunos fazem e quem pode participar.

Lógico que elas não substituem a aula presencial. Mas ampliam as possibilidades. No colégio Nossa Senhora das Graças, a troca entre os alunos já demonstra ter deixado a educação mais crítica. Quando um aluno pergunta algo, o professor só intervém após dois dias. Tudo para deixá-los mais independentes e autônomos.

“A ideia é tirar os alunos do lugar de espectadores. Crio discussões valendo nota para que eles argumentem. Deixo que interajam. O intuito é que tenham opiniões próprias. Não é só para repetir o que eu disse”, diz o professor de química Olímpio Nóbrega.

Outra possibilidade que as redes abrem é a de fazer trabalhos em grupo também virtualmente. Além de agilizar as conversas, acabou aquela história de um grupo não saber o que o outro está produzindo. No Colégio Pueri Domus, os alunos do ensino médio fazem um trabalho de iniciação científica em que criam produtos e, pela rede, um estudante dá palpites no projeto dos outros.

“É positivo porque eles acabam construindo o trabalho juntos, mesmo em grupos diferentes. Um ajuda o outro com comentários como ‘Isso não está correto’ ou ‘De onde você tirou essa informação?’, conta o professor de química Adalberto Castro.

Para a aluna do 2º ano Juliana Yamaoka, de 16 anos, essa colaboração traz mais opiniões. “Temos uma comunicação mais rápida, inclusive com o professor. Os alunos ajudam bastante com opiniões, mas lógico que o professor ainda é fundamental.”



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