Estado.com.br
Terça-feira, 22 de Maio de 2012
Esportes
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Um castigo merecido

Categoria: Brasileirão, Corinthians

FÁBIO HECICO
A competição é diferente e Tite escalou a equipe reserva, mas a estreia desastrosa do Corinthians no Campeonato Brasileiro serve bem de alerta para a decisão da vaga nas semifinais da Libertadores, quarta-feira, diante do Vasco: o time precisa aproveitar as chances de gol quando enfrenta um adversário de qualidade.
Mesmo dominando a posse de bola e tendo as melhores oportunidades, o Timão largou desperdiçando três pontos em casa com derrota por 1 a 0 para o Fluminense – que jogou mais na defesa, explorando os contragolpes, como o Vasco deve fazer quarta-feira pela Libertadores.
Ontem, numa partida em que alguns jogadores esperavam levar dor de cabeça a Tite na briga por uma vaga entre os titulares, ficou a certeza de que o treinador não tem, no momento, 11 melhores do que os que descansaram para o jogo de quarta. Douglas, Willian e Liedson deixaram a desejar.
A torcida saiu do estádio com uma pulga atrás da orelha. Se Tite optar por essa equipe alternativa por mais rodadas no Brasileiro, o Corinthians corre o risco de perder muitos pontos neste início de competição e ficar em situação difícil para lutar pelo bicampeonato.
Com uma formação cheia de meninos, o Flu entrou em campo para se defender. O empate seria um bom resultado, e a vitória, se viesse, seria um lucro além do imaginado contra uma equipe que tinha vários jogadores tarimbados e jogava em casa.
O problema é que o desentrosado time carioca não conseguia fechar bem os espaços, e oferecia ao Timão a chance de criar situações de gol.
Mas criar não basta, era preciso colocar a bola na rede. E nesse ponto o Corinthians teve uma tarde para ser esquecida, com seus jogadores mostrando uma irritante falta de precisão nas finalizações.
O Fluminense teve muito menos oportunidades para marcar, mas foi embora com os três pontos graças à bola parada e a um erro coletivo da defesa alvinegra. Depois da cobrança de um escanteio pela esquerda, o zagueiro Leandro Euzébio subiu no meio da área e cabeceou cruzado. Foi o primeiro gol sofrido por Cássio em cinco partidas como titular.
Tite terá de conversar muito com alguns jogadores, em especial Willian e Douglas. O atacante recebe muitas bolas, mas exagera no egoísmo e quase sempre escolhe a jogada errada. E o meia está completando quatro meses de clube e aparenta não conseguir entrar em forma. Ontem ele teve uma grande chance para marcar, mas correu em marcha lenta e chutou sem jeito, mandando na trave.
Que Alex, Danilo, Emerson e Jorge Henrique tenham observado bem o jogo para ver o que não podem fazer quarta-feira.

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados

O Tricolor não aguentou Herrera

Categoria: Futebol

DANIEL BATISTA
Uma substituição feita no intervalo pelo técnico Oswaldo de Oliveira transformou o que caminhava para ser uma boa vitória do São Paulo em uma derrota acachapante para o Botafogo no Engenhão por 4 a 2.
A ação decisiva do treinador botafoguense foi trocar o inoperante Loco Abreu por Herrera quando seu time perdia por 1 a 0. O argentino aproveitou as falhas são-paulinas, marcou três gols e foi o nome do jogo.
O Botafogo entrou em campo ansioso, porque o fracasso no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil deixou a torcida brava. Na ânsia de sair na frente, o time jogava com pressa. E essa pressa provocava muitos erros.
Mais organizado, e com jogadores de mais qualidade, o São Paulo balançou a rede logo na primeira chance que teve. Aos 11 minutos, Lucas fez boa jogada pela direita e cruzou para trás. No coração da área a bola encontrou Jadson, que bateu de primeira e mandou no cantinho direito.
O jogo ficou a caráter para o Tricolor, que poderia explorar o contra-ataque diante de um time nervoso. Mas faltou determinação para ir em busca do segundo gol e matar logo o jogo.
Veio o intervalo, e Oswaldo de Oliveira teve a boa ideia de trocar Loco Abreu por Herrera. A substituição não demorou para dar resultado.
Logo aos quatro minutos o argentino empatou o jogo, completando de cabeça um cruzamento feito por Lucas. Por um erro de posicionamento da defesa, sobrou para o baixinho (1,71m) lateral Douglas disputar a bola pelo alto com Herrera.
O gol fez o São Paulo acordar, e por um breve intervalo de tempo o time recuperou o domínio da partida. E aos 16 voltou a ficar em vantagem. Jadson cruzou, Luis Fabiano cabeceou, a bola desviou em Brinner e enganou Jefferson.
Falhas da defesa
Aos 22 minutos, o barco começou a afundar. Paulo Miranda derrubou Herrera na área e o juiz marcou pênalti. O argentino cobrou bem e deixou tudo igual outra vez.
Com o empate, o Botafogo passou a sufocar o São Paulo, que se defendia como podia. Os zagueiros davam chutão para todo lado, e Denis fazia o que podia. Se não fossem suas defesas, o placar teria sido mais dilatado.
O goleiro só não conseguiu evitar que seus companheiros colocassem tudo a perder. Aos 27 Vitor Júnior cobrou falta, Cícero saltou para interceptar a bola e desviou de cabeça para o canto oposto ao que estava Denis: 3 a 2. E cinco minutos depois ele ficou vendido de novo.
Maicon tentou driblar Fellype Gabriel na meia-lua, mas foi desarmado e viu a bola chegar limpa para Herrera. Livre dentro da área ele fuzilou o goleiro e estufou a rede.
A chance de reação do São Paulo acabou ali. E os últimos 15 minutos foram um martírio para seus torcedores.

O Rei está preocupado

Categoria: Copa

ROBERTO BASCCHERA

Quando foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para ser embaixador da Copa do Mundo do Brasil, em julho do ano passado, Pelé não imaginou que teria de fazer o papel, como ele mesmo diz, de “bombeiro”. Sua função seria promover o evento de 2014 no País e no exterior. Afinal, ele participou dos comitês dos Mundiais dos Estados Unidos (1994), da Coreia do Sul e do Japão (2002) e da África do Sul (2010). No Brasil, no entanto, Pelé se viu diante de muitas obras atrasadas, indefinições, desentendimentos entre dirigentes, disputas clubísticas e até mesmo construtoras sob investigação. “Não tem porquê haver tantos problemas”, diz o Rei. “Há muita coisa atrasada, mas, se Deus quiser, vamos
nos sair bem.”
Outro motivo de desconforto para Pelé é a situação da Seleção Brasileira. Ele acredita que o Brasil trará a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres, mas critica a ausência de Arouca, volante do Santos, nas listas de Mano Menezes. Ele também acha que o zagueiro Dedé, do Vasco, tem lugar certo no time (o jogador, no momento, está machucado), mas a sua principal crítica é outra: o Rei acredita que o treinador da Seleção está muito indeciso.
“Tem de haver decisão. Dizer ‘a equipe é essa’ e treinar, senão a equipe olímpica fica na dificuldade que a profissional (a principal) está tendo, sem uma base.” Pelé menciona como exemplo João Saldanha, que usou Santos e Botafogo, os dois melhores times do País no final dos anos 60, para montar a espinha dorsal do time tricampeão mundial no
México, em 1970.
No mais, como sempre cheio de compromissos profissionais e ansioso pela conclusão de seu grande projeto no momento, o Museu Pelé, em Santos, o Rei continua encantado com Neymar e, profético, previu na última quarta-feira que o Santos terá dificuldades para eliminar o Vélez Sarsfield. Se passar, levará a Libertadores.
 
Os prazos da Copa estão apertados e um relatório recente da Fifa mostra que as obras de alguns estádios estão muito atrasadas. O que acha disso?
Eu fiz uma brincadeira e disse que a Dilma me convidou para ser embaixador e estou aqui para apagar fogueiras (risos). Há coisas que não dá para a gente entender. Nós somos brasileiros… Um exemplo: a presidente me pediu para ir ao Rio Grande do Sul porque estava dando aquele problema com o Grêmio e o Internacional. A Copa das Confederações já estava decidida que seria no campo do Inter. O Inter atrasou um pouco as obras, o Grêmio adiantou a construção do seu campo e queria dar uma rasteira no Inter. Eu fui falar com o governador (Olívio Dutra): “Somos todos brasileiros, por que essa briga?” Agora, infelizmente, aconteceu esse negócio lá no Rio, no Maracanã, esse problema por causa da (Construtora) Delta, do (Carlinhos) Cachoeira. No próprio Brasil, um evento aqui dentro e essas brigas… Não tem porquê, não dá para entender.
 
Como integrante do comitê organizador você conseguiu fazer alguma coisa?
A minha missão é mais conversar, como fiz lá no Rio Grande do Sul. Felizmente resolvemos o problema, assim como foi resolvido o do Itaquerão, que não se definia. Felizmente, parece que agora vai.
 
Hoje, você está mais otimista ou preocupado
com a Copa?
É evidente que nós somos brasileiros e achamos que temos de fazer a melhor Copa do Mundo. Só como exemplo: eu, como brasileiro, me orgulho muito de ter sido embaixador da Copa do Japão e da Coreia, a convite deles. Houve a briga porque achavam que deveria ser só no Japão e depois entrou a Coreia, e eu estava trabalhando com o comitê japonês, mas saiu tudo bem. Quando os Estados Unidos pleitearam a Copa, eu trabalhei na organização. Eles fizeram uma das Copas mais organizadas, com dinheiro de empresas privadas, sem dinheiro público. Na África do Sul, o (Nelson) Mandela pediu para dar uma ajuda e entregamos a Copa. No meu país, você acha que vou aceitar que dê algum problema? Essa é a minha preocupação, mas, se Deus quiser, a gente vai se sair bem. Só que está muito atrasado.
 
Você também agiu na crise do Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, por causa do famoso “chute no traseiro”?
O ministro Aldo Rebelo (Esporte) ficou muito triste, muito chateado com a declaração do Valcke. Eu trouxe o (Joseph) Blatter (presidente da Fifa) aqui. Quando estive no Gabão, falei com o presidente Blatter que ele precisava vir aqui e ele veio. Graças a Deus houve essa união, porque foi indelicada pra chuchu aquela declaração do Valcke. Agora está tudo bem. Pelo menos o bombeiro funcionou, porque o presidente Blatter não queria vir aqui conversar com a Dilma.
 
Estamos a menos de três meses da Olimpíada.
Qual sua opinião sobre a base convocada por Mano Menezes?
A lista teve algumas surpresas, também pelo fato de ele poder usar jogadores acima do limite de idade de 23 anos. Pelo que vimos nesses últimos anos, eu acho que o Arouca tinha de ter sido convocado, pelo que vem jogando. Falta o Dedé, do Vasco. O Brasil não enfrenta dificuldades porque tem muitos jogadores bons. Só acho que tem de haver uma decisão, dizer “a equipe é essa” e treinar, senão fica na dificuldade que a profissional está tendo, não tem uma base. Uma coisa que muitos esquecem, ou melhor, se lembram, mas não elogiam: o João Saldanha, que era treinador interino do Botafogo, era jornalista, e o que ele fez em 70? Estava com dificuldade, pegou os dois melhores times brasileiros, Santos e Botafogo, e fez a base da Seleção. Depois trouxe Tostão, trouxe Rivellino, mas tinha uma base, coisa que nós não temos ainda.
 
Então o Mano Menezes está devendo?
Falta um ano e meio para a Copa do Mundo e ainda não temos base, ele está retardando essa decisão. Espero que depois da Olimpíada ele possa fazer um time e o deixá-lo jogar, treinar.
 
O Neymar prometeu a medalha de ouro para o
presidente da CBF…
Você já ouviu falar num tal de Pelé (risos)? Dizem que o Brasil não tem um título olímpico porque o Pelé não jogou. Naquela época, profissionais não podiam jogar e eu, com 17 anos, já era profissional. Mas o Brasil tem todas as condições de trazer (a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Londres). Acho que o Neymar vai trazer pra gente.
 
E na Libertadores da América, vai dar Santos mais uma vez?
Esse confronto com o Vélez é o mais importante. Contra um time argentino, que tem mais experiência. Se passar, com os brasileiros (Corinthians ou Vasco, na semifinal) não tenho muita preocupação, porque eles se conhecem. Mas no futebol nunca se sabe. Quem diria que o Barcelona ficaria fora da Copa dos Campeões da Europa? E, aqui em São Paulo, entrariam Ponte e Guarani nos lugares de Corinthians e São Paulo (no Campeonato Paulista)?
 
Imagino que o Museu Pelé, que
você vem preparando em Santos, seja a realização de um sonho
pessoal. Aos 71 anos, ainda existem outros?
É aquela história: se você está vivo, vive sonhando. Essa coisa do trabalho com as crianças, com os jovens, é muito importante e é um sonho, um legado ao País que eu gostaria de deixar, a educação das nossas novas gerações. Tenho várias ideias para escolinhas do Pelé, como o Litoral, que eu tenho em Santos. E depois dar prosseguimento a isso com o Edinho, que já é treinador lá no Santos. Já deixei o DNA lá, né (risos)? O Edinho não teve a sorte que o pai teve, porque quebrou o joelho num jogo com o Palmeiras, mas está no Santos agora como auxiliar técnico.
 
Qual será a peça principal do seu museu?
Tem tanta coisa importante… Tem o troféu de Atleta do Século, tem peças de ouro, brilhantes, esmeraldas, como a coroa que eu recebi lá de Minas Gerais. Tem também a caixa de engraxate, com um valor sentimental muito grande. E, junto com ela, os primeiros 400 réis que eu ganhei engraxando sapatos dos amigos do meu pai, que jogavam no BAC
(Bauru Atlético Clube). Eu entreguei o dinheiro
para o meu pai. Minha mãe guardou esse dinheiro e a caixa de engraxate. Eu tinha 12, 13 anos. O valor disso é inestimável.
 
Quem você vai convidar para a inauguração do
museu?
Tem tanta história, tanta gente, que ainda não dá para saber direito. Mas vai ser um chamariz de turismo muito grande para Santos. E, durante a Copa, muita gente deve visitar.

A Europa se pinta de azul

Categoria: Copa dos Campeões

Há quatro anos, o zagueiro John Terry, símbolo do Chelsea, teve em seus pés a chance de dar ao clube seu primeiro título da Copa dos Campeões da Europa. Bastava a ele transformar em gol seu pênalti na decisão contra o Manchester United para o time de Londres fazer a festa, mas Terry falhou e a taça foi para o rival. Ontem o filme se repetiu, apenas com um personagem diferente: Didier Drogba, outra bandeira do Chelsea. E ele não errou. Com um gol de seu artilheiro, a equipe azul bateu o Bayern de Munique na decisão por pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal, e levantou a taça que era uma obsessão desde 2003, quando o russo Roman Abramovich comprou o clube.
O Chelsea venceu a decisão da Copa do mesmo jeito que havia eliminado o Barcelona nas semifinais, resultado que chocou o mundo da bola: jogando na defesa, aguentando uma dose enorme de sofrimento e contando com a sorte em momentos-chave. Ontem o time se salvou da derrota a poucos minutos do fim, evitou um gol de pênalti do Bayern no comecinho da prorrogação e esteve atrás no placar em boa parte da decisão por pênaltis. Ufa! É exatamente aquilo que os supersticiosos chamam de sorte de campeão.
Ao Bayern, as lágrimas. É muito pouco provável que a equipe alemã tenha outra chance de ser campeã europeia em seu estádio. O fato de ter chegado tão perto da glória só aumentou a dor dos jogadores e dos torcedores do Bayern, clube que não conquista a Copa dos Campeões desde 2001 e amargou o segundo vice-campeonato em três anos. Por coincidência, na última vez que um time havia tido a chance de fazer a final em casa, também havia perdido a taça nos pênaltis. Foi a Roma, em 1984.
Sem contar com o volante Luiz Gustavo, que estava suspenso, o técnico Jupp Heynckes escalou seu time com Schweinsteiger e Kroos no meio, Ribéry e Robben pelas pontas e Thomas Müller próximo do centroavante Mario Gomez. Uma formação muito ofensiva, que fez o que se esperava dela: sufocou o Chelsea desde o começo.
Roberto di Matteo, por seu lado, fez uma clara aposta na marcação, inclusive escalando o lateral-esquerdo Bertrand no meio de campo – sua missão era ajudar Ashley Cole a marcar Robben. Por incrível que pareça, ontem Bertrand fez sua estreia em jogos de Copa dos Campeões – ninguém jamais havia feito isso em uma final.
Exatamente como havia acontecido nos dois jogos contra o Barcelona, Drogba travou uma luta solitária contra a defesa do Bayern. Do outro lado do gramado da Arena Allianz, a equipe alemã tocava a bola para lá e para cá, mas não conseguia entrar na área do Chelsea. E quando isso acontecia, os atacantes do Bayern erravam o alvo – especialmente Mario Gomez, em uma jornada deplorável.
A história não mudou no segundo tempo: era o Bayern atacando sem sucesso e o Chelsea se defendendo com sucesso. De vez em quando a equipe inglesa chegava à área alemã, mas era só para aliviar um pouquinho o sofrimento de sua defesa.
De tanto insistir, o Bayern marcou aos 37 minutos. Müller aproveitou muito bem um cruzamento de Kroos e marcou de cabeça. Aí o Chelsea se mandou com tudo para o ataque e a tática suicida funcionou. Aos 43, um escanteio cobrado por Mata terminou em gol de cabeça de Drogba.
Logo no início da prorrogação, Drogba fez pênalti em Ribéry e Robben se apresentou para bater, mas chutou mal e Cech fez a defesa. Abatido pelo gol levado no finzinho do tempo normal e o erro de Robben, o Bayern se entregou. E o Chelsea sempre quis a decisão por pênaltis.
O erro de Mata logo na primeira cobrança deixou o Bayern perto do título, mas depois Olic e Schweinsteiger falharam e deram a Drogba a chance de virar herói. O resto é história.

O Santos faz bem ao futebol

Categoria: Campeonato Paulista

Ver o time de Neymar e Ganso em ação é um privilégio

A geração de Neymar e Ganso uniu duas pontas da história do Santos com o tricampeonato paulista conquistado ontem na vitória por 4 a 2 sobre o Guarani no Morumbi. A equipe repetiu o feito de Pelé, que foi tri em 60, 61 e 62 e depois em 67, 68 e 69. Com os dois gols marcados ontem, Neymar chegou aos 108 com a camisa santista – foram 20 no Paulista, do qual foi artilheiro – e consolida sua posição como o maior goleador depois da era do Rei. Foi a primeira taça do ano do centenário.

O fio da história foi retomado também em termos subjetivos, longe da frieza dos números e das datas. O Santos de Neymar joga bonito, para a frente e limpa o pó de um conceito que estava esquecido na estante do futebol brasileiro: futebol-arte. Essa história de hoje vem sendo escrita com letra de mão caprichada e cheias de serifas.

“Na década de 60, as pessoas iam ao estádio para ver o Santos jogar. Eu fiz isso. Acho que esse time está resgatando tudo isso”, disse o técnico Muricy Ramalho.

Como havia sido morto na véspera – ou na semana passada, quando perdera o primeiro jogo por 3 a 0 –, o Guarani jogou para a frente, tentando ganhar a partida. Mas trocar golpes com o Santos é suicídio. Aos 16 minutos, o placar já mostrava 2 a 2. Alan Kardec e Neymar, de pênalti, marcaram para o campeão. Intercalados entre os gols santistas, duas falhas medonhas da defesa, uma de Rafael e outra de Durval, resultaram nos gols de Fabinho e Bruno Mendes e mostraram como o virtual campeão estava com a cabeça no mundo da lua.

Com o equilíbrio no placar, a partida foi uma lenta contagem regressiva até o apito final que autenticaria o título santista. Foi uma doce agonia para os torcedores: esperar os últimos 90 minutos até o grito de tricampeão. A ampulheta só parava para ver o que Neymar ia aprontar.

O Guarani cumpriu bem o papel de coadjuvante. Mais ofensivo e insinuante do que na primeira partida, o time apresentou bons jogadores, como Bruno Mendes e Fabinho, o melhor de ontem, e resgatou a competência de Vadão.

Neymar pegou na bola e é momento de deixar o coadjuvante de lado. Aos 26, ele decidiu sacramentar o título. Driblou dois e tocou para Juan. Inspirado pelo craque, o lateral deu uma meia-lua em Max e devolveu.

A bola dormiu na rede matando de inveja milhões de bolas no mundo que não são tocadas por Neymar.

Alan Kardec fez um gol de Neymar, driblando o goleiro, e colocou ponto final no tri.

Depois deste Paulista, todos nós – santistas, são-paulinos, palmeirenses e corintianos – já temos o que contar para os netos e podemos trocar figurinhas com quem viu Pelé e companhia em ação.