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Polícia mata 52% a mais no 1.º bimestre
Em uma tendência que vem se consolidando desde março do ano passado, os casos de resistência seguida de morte – homicídios em que a vítima morre em supostos tiroteios com a PM – voltaram a crescer nos dois primeiros meses deste ano no Estado. Em janeiro e fevereiro foram 140 ocorrências, 52% acima do verificado no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 92 casos.
Desse total, 114 pessoas morreram em casos envolvendo policiais militares em serviço, enquanto 26 pessoas morreram em ocorrências com policiais em folga.
Nos dois primeiros meses do ano, também cresceu o total de policiais militares mortos. Onze homens morreram no bimestre, sendo sete deles fora do horário do expediente. Durante o mesmo período do ano passado, sete policiais morreram – cinco deles durante a folga.
O crescimento da violência policial já preocupa as entidades de direitos humanos desde o ano passado. Em 2009, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, foram registrados 549 casos de resistência, total 27% maior do que as 431 ocorrências que foram registradas em 2008.
Os dados da Ouvidoria da Polícia, contudo, são ainda mais alarmantes. Eles somam os casos de resistência seguida de morte e os homicídios dolosos praticados na corporação. Nesse levantamento, considerando somente as ocorrências envolvendo policiais militares, morreram 647 pessoas, 526 delas vítimas de policiais em serviço. Comparado ao ano de 2008, o total foi 75% maior.
O crescimento dos casos de resistência seguida de morte é a principal preocupação da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, que tem se reunido com entidades de direitos humanos para discutir o tema. Integrantes do grupo acreditam que a indenização aos parentes do morto pode ser uma forma de pressionar o Estado contra essas ocorrências.
O grupo também pretende chamar o governo para discutir um novo padrão de registro dos casos de resistência nos boletins de ocorrência. Atualmente, como regra, na hora de preencher o documento, o suposto crime praticado pela vítima (crime contra a administração pública, roubo, entre outros) é priorizado.
O dossiê Mapas do Extermínio: execuções extrajudiciais e mortes pela omissão do Estado de São Paulo, preparado no ano passado por entidades de direitos humanos, mostrou que entre 2000 e o terceiro trimestre de 2009 haviam sido mortos 5.414 civis em supostos confrontos com as polícias, enquanto 4.345 foram feridos. A proporção é de 1,24 morto para cada pessoa ferida.
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