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Paulista mais uma vez parada
Mariana Lenharo
Em assembleia que paralisou pela segunda vez em uma semana todas as faixas da Avenida Paulista, os professores da rede estadual de São Paulo decidiram pela manutenção da greve e por nova assembleia na próxima sexta-feira. O local escolhido para o novo ato foi o Palácio dos Bandeirantes. “José Serra fugiu dos professores esta semana, então nós vamos até a casa dele”, afirmou um dos manifestantes, referindo-se à ausência do tucano na inauguração de viaduto na zona norte na quinta-feira.
A manifestação se concentrou no vão livre do Masp e foi organizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Depois do ato, que começou às 15h e terminou às 16h30, os professores seguiram em passeata até a Praça da República, contribuindo para o recorde de trânsito ser batido (leia mais na página 6A e ao lado).
As reivindicações que levaram às ruas 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, ou 50 mil pessoas, de acordo com a organização do ato, permanecem as mesmas : reajuste salarial de 34,3%, estabilidade para todos, com concurso público classificatório e revogação da Lei 1.093, que dispõe sobre a contratação de professores temporários.
Os grevistas têm atividades agendadas para toda a próxima semana, incluindo uma audiência pública na Assembleia Legislativa na terça-feira, em que estarão presentes representantes de todo o funcionalismo público. Também foi anunciado para o dia 31 de março um bota-fora do governador José Serra. “Não queremos que os brasileiros sofram o tanto que estamos sofrendo em São Paulo”, disse Carlos Ramiro de Castro, ex-presidente da Apeoesp e vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores em São Paulo (CUT-SP). “Temos que impedir a eleição dessa pessoa que promove o sucateamento do serviço público para depois entregar tudo para a iniciativa privada.”
Entre os anúncios do governo estadual, que segundo os grevistas não são cumpridos, estão a presença de dois professores na sala de aula, bônus de até R$ 15 mil para professores e segurança em todas as escolas.
Outros assuntos que vieram à tona foram as salas lotadas, com até 60 alunos, a falta de laboratórios e bibliotecas e a atuação de 100 mil professores sem concurso. Os professores também dizem que tem muita gente recebendo salário abaixo do piso, que é de R$ 1,3 mil. “Nosso salário é 60% menor do que o do professor do Acre”, dizia um dos manifestantes. Durante o ato, até o ministro da Educação, Fernando Haddad, foi convocado pelos grevistas a se manifestar sobre a situação estadual.
Outras categorias
O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP), que também estava no local, anunciou que, em assembleia, decidiu pela paralisação de 48 horas, a partir de segunda-feira. Na terça-feira, outra assembleia pode decidir pela greve por tempo indeterminado.
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