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Terça-feira, 16 março de 2010   edições anteriores
ECONOMIA
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  Consultas mais caras. Médicos cobram 4% a mais neste início de ano

Dados do IPCA mostram que a alta nesse serviço no primeiro bimestre de 2010, em relação ao de 2009, representa mais da metade de toda a inflação no setor registrada em todo o ano passado, que acumulou 7,28% em 12 meses

Luciele Velluto, luciele.velluto@grupoestado.com.br

Quem foi à consulta médica nos dois primeiros meses deste ano pagou mais caro para ser atendido por um profissional. De acordo com dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ir ao médico na região metropolitana de São Paulo está 4,17% mais caro. Isso representa mais da metade da inflação do preço desse serviço verificado ao longo de 2009, que registrou 7,28% de aumento acumulado.

Nos dois primeiro meses de 2009, o reajuste no preço da consulta médica na Grande São Paulo foi de 3,92% e a inflação geral era de 0,90%. Já no primeiro bimestre deste ano, a inflação geral foi de 1,79%.

Já os demais serviços médicos e dentários estão subindo menos do que no ano passado. A consulta com o dentista, por exemplo, foi reajustada em 3,83% em janeiro e fevereiro do ano passado, enquanto neste ano a alta apresentada no período para este item foi de 2,28%.

Para o coordenador do MBA executivo em Gestão da Saúde HIAE-Insper, Carlos Suslik, o aumento do preço das consultas médicas atinge os consumidores que utilizam o serviço particular, ou seja, fora dos planos de saúde, ou que tem reembolso da operadora de serviço que o atende. “Isso ocorre como forma de compensação ao fato de boa parte das operadoras não terem reajustado o valor repassado para o médico nas consultas. Ele acaba aumentando o custo do atendimento particular para equilibrar o aumento de gastos”, explica o especialista.

Segundo Florisval Meinão, diretor da Associação Médica Brasileira (AMB), não existe legislação sobre aumento do repasse do valor do atendimento ou procedimento realizado pelos médicos e pago pelos planos de saúde. “E esses repasses não seguem os aumentos que os clientes pagam anualmente.”

Meinão diz que, de 2000 a 2009, a Agência Nacional de Saúde Suplementar permitiu o aumento de 135% nos planos de saúde, enquanto a inflação foi de 90% nesse período no País. Já o repasse dos médicos foi reajustado em 60% nesse período. Pelo IPCA, nesse período, o valor das consultas médicas cresceu 84,31%, não chegando nem a acompanhar a inflação.

Meinão crê que o aumento também acompanha a inflação de 2009, já que a maioria dos aumentos acontecem no início do ano. A inflação geral acumulada na região metropolitana de São Paulo em 2009 foi de 4,54%. No entanto, o diretor da AMB deixa claro que esse aumento no custo da consulta não deve se refletir nos planos de saúde. “A ANS leva em conta a planilha de custo dos planos de saúde para autorizar os reajustes, e não o preço da consulta”, diz.

Suslik lembra que a relação entre médico e paciente é uma relação de consumo. “É uma prestação de serviço. Apesar da confiança, o paciente tem sensibilidade ao preço e vai avaliar se vale a pena pagar do bolso.”



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