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Há 3 dias, Glauco fez 53 anos
ELVIS PEREIRA, elvis.pereira@grupoestado.com.br
Dois dias após comemorarem os 53 anos do cartunista Glauco Villas Boas, os frequentadores da Céu da Santa Maria, em Osasco, voltaram a se reunir na igreja, mas desta vez para velar o corpo do seu fundador e do filho dele. O velório teve início na tarde de ontem e se estenderia até a manhã de hoje. O enterro será às 9 horas no Cemitério Gethsemani, na Anhanguera.
Amigos e parentes se despediram do cartunista e do filho dele no mesmo terreno onde ambos foram assassinados a tiros na madrugada de ontem. Na missa, os seguidores da doutrina cantaram hinários e vestiam roupas utilizadas nos rituais: calças e camisas brancas sociais e gravata azul para os homens e saias e camisas brancas para as mulheres. A maioria dos presentes era de jovens.
“Eu me considerava um filho dele”, afirmou o zelador da igreja, Glauber Salzano, 24 anos. “Daqui para frente não sabemos o que vai ser sem ele”, lamentava a irmã dele, a vendedora Carolina, 27 anos. Assim como outras famílias, os dois moram em casas construídas em lotes vizinhos ao do cartunista.
A área, em meio à mata, é de difícil acesso: após sair da Rodovia Anhanguera, percorre-se uma avenida, margeada por indústrias, e uma estreita rua de terra, cercada por mato. O major da Polícia Militar Isaías Vieira, comandante do batalhão responsável pela área, afirmou que são raros os crimes ali. “É bastante tranquila, até por só existir chácaras.”
Os vizinhos compraram os lotes e se mudaram para o local após o cartunista comprar um terreno ali e erguer, na área, a casa dele e ao lado a segunda sede da Céu de Santa Maria, há 16 anos, segundo o primo dele Orlando Cardoso de Oliveira. A primeira funcionou por quatro anos numa casa do Butantã, na zona oeste da capital.
O diretor editorial da Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, chegou ao velório pouco antes das 18 horas. “O Glauco desenvolveu um grande trabalho de recuperação de pessoas com drogas aqui”, afirmou. O editor executivo da Folha, Sérgio Dávila, definiu o cartunista como um dos maiores da imprensa brasileira. “Ele criou essa galeria fantástica de personagens que já são parte da cultura do País.”
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