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AVC: atenção aos sintomas
Para evitar uma crise, além dos fatores de risco, é preciso ficar atento aos sinais da doença
Isis Brum, isis.brum@grupoestado.com.br
Formigamento nos braços ou nas pernas, dificuldade de fala ou uma dor de cabeça súbita podem ser alertas do organismo para acidente vascular cerebral (AVC), doença que atinge anualmente uma média de 30 mil pessoas apenas no Estado de São Paulo. Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que, entre 1995 e 2007, 5 mil paulistas morreram vítimas desse tipo de enfermidade. No Brasil, esse número sobe para 90 mil.
Quem poderia ter entrado nas estatísticas foi o treinador do São Paulo, Ricardo Gomes. Ele foi internado no Hospital São Luiz, domingo passado, após o clássico contra o Palmeiras, ao sentir um forte incômodo no braço. O primeiro diagnóstico médico foi vasculite, uma inflamação na artéria cerebral, uma das causas que levam ao acidente vascular cerebral (AVC), segundo neurologistas.
O AVC pode ser isquêmico ou hemorrágico. “O acidente vascular cerebral isquêmico é uma obstrução da artéria que impede a passagem do sangue para o cérebro, deixando-o sem oxigênio”, define Roberto Morgulis, neurologista do Hospital Albert Einstein. “O processo é semelhante ao do enfarte do coração. Mas, nesse caso, trata-se de um enfarte do tecido cerebral.” No hemorrágico, a artéria se rompe e o sangue vaza.
A vasculite é uma inflamação arterial. Entre os fenômenos que provocam o derrame, a vasculite não só é um dos mais raros, como é comum ser identificada apenas quando o paciente é internado sofrendo o AVC, segundo Rubens Gagliardi, vice-presidente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
A inflamação tem de ser tratada, no entanto, porque o inchaço pode obstruir o fluxo sanguíneo. Arteriosclerose e plaquetas que saem do coração e vão parar nas artérias, entupindo-as, também são causadoras da doença.
Idosos, diabéticos, hipertensos e pessoas com histórico familiar para doenças vasculares estão mais propensas a sofrer um derrame. Apesar de a doença ser silenciosa, e os sinais de alerta aparecerem, geralmente, na iminência do enfarte cerebral, é possível preveni-la tomando cuidados básicos com a saúde como dieta balanceada, exercícios físicos regulares, nada de cigarro e consumo moderado de bebidas alcoólicas.
Se a doença for diagnosticada em tempo, o tratamento emergencial é feito com medicamento específico para desobstruir ou desinflamar a artéria. “Depois, vamos descobrir o que causou o AVC e tratar”, explica o neurologista do Albert Einstein.
“Se a causa for o diabetes, vamos tratar o diabetes, se for hipertensão ou infecção, faremos o mesmo”, afirma Morgulis. “São situações específicas e damos tratamentos específicos para cada caso”, relata o médico.
A vasculite não provoca sequelas. O AVC, tanto isquêmico, quanto hemorrágico, pode comprometer a parte motora (braço, perna e boca) e a fala. Também pode provocar disfazia – dificuldade de compreensão e cognição – e levar ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas, como a depressão.
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