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Terça-feira, 2 fevereiro de 2010   edições anteriores
ECONOMIA
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  Preço do estacionamento tem alta de 79% em 5 anos

Inflação na capital, medida pelo Dieese, foi de 24% no mesmo período. Expansão imobiliária, menor oferta de vagas nas ruas, aumento da procura e valor do seguro pressionam os custos, que são repassados pelos estabelecimentos

CAROLINA DALL’OLIO e LUCIELE VELLUTO

O preço dos estacionamentos está cada vez mais alto em São Paulo. Nos últimos cinco anos, o valor médio da hora cobrado nestes estabelecimentos aumentou 79,31%, enquanto a inflação no mesmo período subiu 24,06%, de acordo com o Índice de Custo de Vida (ICV), do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Só no ano passado, a alta foi de 14% ante inflação de 4,05%. Os preços dispararam no último bimestre: em novembro, subiram 4,06% e em dezembro, 9,35%. Quem tinha optado por deixar o carro na rua também se deparou com custos mais elevados, pois em outubro a Prefeitura de São Paulo já havia reajustado a tarifa da Zona Azul de R$ 1,80 para R$ 3 a hora.

Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, o reajuste tem algumas explicações. Ele acredita que a diminuição dos espaços para estacionamento na cidade - seja na rua, com menos vagas para estacionar, ou em locais particulares por causa da mudança dos espaços vazios para empreendimentos imobiliários - somado ao crescimento do número de carros circulando na capital e ainda a falta de segurança para deixar o veículo na via pública contribuem para o aumento do preço da hora de estacionamento.

“Há queda de concorrência com menos estacionamentos na cidade, ao mesmo tempo que a aumenta a demanda com mais carro na rua nos últimos anos. O resultado é aumento de preço”, comenta o educador.

Nessas situações, dependendo do deslocamento do morador na cidade, o transporte público e o táxi acabam se transformando em boas opções. “Algumas vezes, o que se paga de estacionamento é o que se gastaria com o transporte público, sem contar o combustível”, afirma o professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.

O motorista Eduardo Giometti, de 63 anos, sentiu a diferença de preço nos últimos anos. Da verba de R$ 300 que a empresa lhe dá para as despesas gerais do carro, pelo menos R$ 100 são gastos com estacionamentos. “Já gastei bem menos que isso, mas agora o preço não para de aumentar e a minha verba rende cada vez menos.” Quando foge dos estacionamentos, vira refém da Zona Azul. “E quero ver você achar vaga para parar o carro nas ruas do centro. Não encontra de jeito nenhum.”

O cargo de gerente de vendas obriga o gaúcho Rafael Silvério, de 35 anos, a visitar vários centros empresariais do País. Com conhecimento de causa, portanto, ele afirma: os preços cobrados pelos estacionamentos dos principais bairros paulistanos são os mais altos do Brasil. “Se pago R$ 10 para estacionar em um bairro chique de Porto Alegre, por exemplo, aqui pago R$ 15 pela hora. E o pior é que cada vez que venho para cá, o preço está mais alto.”

A promotora de eventos Talita Pereira, de 24 anos, disputa uma vaga para trabalhar em uma empresa sediada na região da Avenida Paulista. A contratação, se vier, vai lhe trazer uma alegria e também um problema: o valor do estacionamento. Obrigada a trabalhar de carro e sem encontrar vagas na rua, ela já espera que parte do salário tenha de ser destinada a essa despesa. “No meu antigo emprego, na zona norte, eu pagava metade do preço que terei que pagar se vier trabalhar aqui. E o moço do estacionamento já avisou que o valor sobe no mês que vem.” Uma vaga de mensalista na região da avenida Paulista pode chegar a custar mais de R$ 300.


PARA CIMA
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POR CENTO
Foi a alta no preço do estacionamento na cidade de São Paulo no ano passado, ante a inflação de 4,5%
medida pelo Dieese



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