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‘Barbie do Piano’ dá sua resposta em alto estilo
A pianista Juliana D’Agostini já sofreu preconceito por ser bonita. Agora, lança um belo CD
Gilberto Amendola, gilberto.amendola@grupoestado.com.br
A beleza também pode fechar portas. A pianista Juliana D’Agostini, de 23 anos, sabe muito bem disso. Ao se aventurar por um caminho onde ser loira de olhos verdes não é exatamente um passaporte para o sucesso, a musicista enfrentou uma forma de preconceito às avessas. “Quando eu ia me apresentar, tinha gente que me chamava de ‘barbie do piano’. Eu já quis ser feia para ser uma pianista respeitável”, diz.
Por ser bonita, Juliana sempre precisou ser “mais”. Ela teve que estudar mais, se esforçar mais e colocar seu talento a prova muito mais vezes. “Eu estudo oito horas por dia, no mínimo. Ah, inclusive aos finais de semana”, fala. Se pinta uma viagem de família ou com amigas, Juliana só aceita sair de casa se o seu destino final, praia ou montanha, tiver um piano. “Não fico um dia longe do instrumento”, afirma.
Agora, se os amigos combinam uma balada diferente, um encontro em uma danceteria barulhenta, cheia de música eletrônica ou rock ‘n’ roll, Juliana pede para ficar em casa. “Acho que de tanto trabalhar com a audição, fiquei sensível aos sons mais agressivos. Acho muito difícil de aguentar.”
Juliana leva essa vida de dedicação desde os cinco anos de idade - quando teve suas primeiras lições de piano. Com seus primeiros professores, destacou-se rapidamente. “Sempre tive os dedos rápidos”, brinca. Nunca passou pela cabeça da menina ter alguma outra profissão que não fosse a de pianista.
Mas (e aqui é um “mas” importante), Juliana cresceu e sua beleza não pode ser ignorada. Não demorou para que ela recebesse convites para trabalhar como modelo fora do País. “Fui para o Japão, fotografei muito por lá. Tinha uma vida de modelo profissional”, recorda Juliana.
Mesmo com os convites pipocando, Juliana decidiu voltar para o Brasil e fazer a faculdade de música - e se profissionalizar. “Além de não botarem fé no meu talento, tinha gente que enxergava na minha beleza uma oportunidade de negócio, e não uma carreira. Me prometeram tanta coisa, diziam que eu ia fazer sucesso fora do País”, desabafa.
A pianista foi mais persistente e talentosa do que tudo isso. Foi estudar no exterior, ganhou concursos como musicista e agora lança um CD, onde executa temas de Chopin e Liszt. “O CD é um sonho, sabe. Fiz do jeito que eu quis, com uma equipe legal e tudo mais. Adorei a experiência”, afirma.
Parece que o mundo da moda nunca mais vai apreciar a beleza de Juliana. Sorte de quem gosta de bom música e não tem preconceito com mulheres bonitas.
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