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Bailarina depois dos 40
Flávia Prado
Em uma academia de dança, em Pinheiros, homens e mulheres acima dos 20 anos começam agora a frequentar aulas de balé. Fugindo da musculação, entre risos e brincadeiras, eles se esforçam para esticar ao máximo as pernas e acertar suas primeiras piruetas.
Na academia de dança Pulsarte, em Pinheiros, uma das aulas mais cheias e procuradas é a de balé para adultos iniciantes. Exatamente às 19h, homens e mulheres se alongam nas barras, com os olhares atentos, em busca de perfeição nos movimentos.
Quando a professora, Luciana Basso, com 36 anos de dança, entra na sala, a atenção é geral: “Vamos começar? Essa aqui é minha turma de baby class da melhor idade”, ela brinca. O som de piano invade a sala e os alunos começam a arriscar alguns movimentos, com o auxílio da barra.
Durante os exercícios, a professora anuncia que eles terão que tentar concluir duas piruetas. “Essa hora é sempre complicada”. Nas tentativas, os alunos se desequilibram e caem. Sem se importar, eles riem e repetem o movimento até conseguirem.
O estudante de psicologia Fernando Reis, de 23 anos, conta que começou a frequentar as aulas há cinco meses. “Vinha trazer minha namorada e ficava estudando, até a aula de balé terminar. Um dia me chamaram e eu decidi tentar”. O rapaz, segundo os colegas, teve uma evolução rápida “No primeiro dia, você sai daqui morrendo de dor”, diz Fernando, que nega sofrer preconceito na faculdade.
Dona do melhor alongamento da sala, Andréa Benozatti, de 41 anos, decidiu frequentar as aulas há um ano. “ Faço ginástica e pensei que ia arrasar aqui. No primeiro dia, quis acompanhar uma turma avançada e saí chorando. Hoje, o balé é minha terapia”. Ela conta que no trabalho os amigos brincam, mas sempre querem ir às apresentações da bailarina. “Eles falam: vai fazer balé com essa idade? Eu vou, não tô nem aí meu bem.”
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