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Domingo, 29 novembro de 2009   edições anteriores
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  Um abraço para salvar o Liceu

Grupo faz ato simbólico para socorrer o colégio, esvaziado pela vizinhança com a Cracolândia

Lais Cattassini, lais.cattassini@grupoestado.com.br

O silêncio de um sábado no coração da Cracolândia, região central da capital, foi quebrado por uma fanfarra tocando Ave Maria na manhã de ontem. A prece serviu para ampliar a voz de ex-alunos, alunos, pais e professores que lutam para salvar o Liceu Coração de Jesus, um colégio que há 125 anos faz parte da história de São Paulo. Os membros do Movimento Viva Liceu e alguns convidados se reuniram para dar ao colégio um abraço simbólico.

A área degradada, ocupada por moradores de rua e viciados em crack, é responsável pelo esvaziamento da escola. Há 15 anos, mais de 2 mil alunos estudavam no Liceu. Hoje, as turmas somam 280 estudantes. Com as carteiras vazias, o colégio foi obrigado a fechar a matrícula para o Ensino Médio e desativar uma das alas do prédio, que ocupa um quarteirão do Largo Coração de Jesus.

A situação comoveu adultos que há 10 anos deixaram os bancos escolares para ganhar o mundo. O advogado Michel Porcino, de 25 anos, foi o criador do movimento. Formado em 2001, ele retornou ao espaço onde passou a infância para buscar uma forma de recuperar o colégio. “Criamos o movimento para avaliar e resolver os problemas do Liceu. Precisamos fazer com que as autoridades acelerem a recuperação da Cracolândia”, conta.

Foi sob o comando da voz de Porcino que cerca de 200 pessoas deram as mãos para envolver o quarteirão em um abraço. “O que fizemos foi apenas uma festa para chamar a atenção das pessoas e convidar todos para participar”, justifica o advogado.

O carinho pelo Liceu não parte apenas dos ex-alunos. Rafael Dutra, de 17 anos, e Rinian Paniagua, de 14 anos, alunos do primeiro ano do ensino médio, não escondem o amor que sentem pela escola. “Aqui é diferente de qualquer outro colégio”, diz Dutra. “Pode estar em uma região ruim, mas o ambiente é muito familiar”, completa Paniagua.

Pelo Liceu, Manolo, funcionário de 64 anos da escola, recebe os abraços. O inspetor, que há 15 anos anda pelos corredores do colégio, reconhece todos os adultos que já passaram pelo Liceu. “É muita saudade de como era quando cheguei aqui”, diz.

A proposta do Movimento Viva Liceu, apoiado pelo diretor Benedito Spinosa, é garantir o cumprimento dos projetos de revitalização e segurança elaborados pela Prefeitura. “A ação dos órgãos públicos precisa ser em conjunto. É preciso a polícia para retirar os viciados do perímetro e também a saúde para encaminhá-los para o tratamento. Sem isso, é como espantar moscas da confeitaria”, afirma Spinosa.

Para mostrar à comunidade a importância do colégio e a qualidade do ensino, os membros do movimento já têm várias ideias. O teatro do Liceu, com capacidade para 780 pessoas, por exemplo, será melhor aproveitado para dar visibilidade aos alunos.



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