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Perspectiva de vida atribulada e renda baixa
Para quem ainda estuda para ser professor, as perspectivas são de uma vida atribulada e com salários baixos. Andréia de Lacerda, de 30 anos, está terminando o curso de Pedagogia na Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul) e já leva uma rotina complicada. Pela manhã, dá aulas na rede municipal; à tarde, faz estágio na estadual; à noite, frequenta a faculdade. “Às vezes não dá tempo de almoçar.” Metade da sua renda, de R$ 1,5 mil, paga a mensalidade.
Flávia da Silva, de 23 anos, também estudante de Pedagogia, trabalha como recepcionista numa clínica para pagar a faculdade. Ela já fez estágio na rede pública, mas o dinheiro não dava para as contas. “O salário desmotiva”, afirma. “Um professor tem a mesma importância de um médico. Também podemos salvar vidas.”
Para profissionais com décadas de carreira, trabalhar muito e ganhar pouco ainda é realidade. A venda de cosméticos, lingerie e até de latinhas de alumínio é o que aumenta o orçamento da professora da rede estadual R. M., de 43 anos. O salário de R$ 1.375 não paga as contas. “Saio todo fim de semana para pegar latas”, conta R., que tem 19 anos de magistério. Ela junta cerca de 50 quilos por mês, vendidos por R$ 100.
Marcelo Rito, de 39 anos, professor de História e Geografia, dá aula em três colégios particulares ao mesmo tempo para se sustentar. O professor Ailton Fernandes, de 43, também conciliou aulas nas redes pública e privada durante 15 dos 20 anos de carreira.
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