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Quarta-feira, 18 novembro de 2009   edições anteriores
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BATE-BOLA - Ricardo Gomes acredita que o São Paulo será tetracampeão brasileiro somente se vencer os seus últimos três jogos

Gabriel Navajas e Marcius Azevedo

Em cinco meses de trabalho, Ricardo Gomes respondeu de forma positiva àqueles que duvidavam do seu trabalho. Chegou sob desconfiança ao Morumbi para substituir Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro com o Tricolor em 2006, 2007 e 2008. A responsabilidade era grande. O time ocupava a 16ª colocação. Hoje, líder, está a três jogos de mais uma conquista nacional.

O São Paulo vai ser campeão?

Sinceramente a gente não pensa. Prepara para ser. Se vai acontecer é uma outra história. A preparação é para ser campeão. São três jogos, nove pontos. Se vamos conseguir só Deus sabe. A preparação é para conseguir os nove pontos. Conseguindo não tem mais jeito.

Mas para ser campeão precisa ganhar os três jogos (Botafogo, Goiás e Sport)?

Precisa. Não há nenhuma dúvida. Três jogos, três vitórias. Qualquer empate nos colocaria numa situação complicada. Vejam os líderes anteriores. Não foi isso que aconteceu? O São Paulo não é perseguido por um apenas. É por dois e talvez até mais. A gente não sabe o que vai acontecer mesmo faltando três rodadas. Se você quiser continuar na liderança precisa de mais três vitórias.

Você está mais preocupado com o campo ou com o tribunal?

Minha preocupação é o Botafogo dentro de campo. O Botafogo está pressionado, estava praticamente na zona de conforto, mas os últimos resultados e a recuperação do Fluminense o deixaram em uma situação complicada. O Botafogo por si só é problema. É um jogo dificílimo. Clubes como São Paulo, Flamengo e Palmeiras chegaram lá por méritos, não foi dentro do tribunal, e não sairão de lá pelo tribunal.

É diferente disputar o campeonato com o Flamengo, você que foi jogador do rival Fluminense?

Não é diferente porque não é só o Flamengo. Acredito que não. Se o Palmeiras vencer o próximo jogo chega à liderança. Você lê a imprensa gaúcha e vê o pessoal do Internacional acreditando. São grandes clubes, não é só o Flamengo, não é confronto direto, como quando você está no campeonato regional, que você fala do Fla-Flu. Aí é diferente.

Dá para comparar uma eventual perda do título a alguma frustração que já teve na carreira?

Não, mesmo porque não tem nada adquirido, como quando você tem uma coisa e perde. Saímos de uma situação muito difícil, nos recuperamos. Há quatro meses estaríamos contentes com o G-4. Isso foi conseguido. Mas já aconteceu comigo, claro, de brigar pelo título e não ganhar, como jogador e como técnico.

O que você fez para recuperar o time após sua chegada?

Foi o dia a dia. Não fiz uma coisa apenas. Foram várias coisas todos os dias. E não é só o meu trabalho, é o trabalho de todos aqui. Eu fico na frente porque dou entrevista duas vezes por semana, mas são todos. Os jogadores foram super profissionais, já citei o grau de profissionalismo que encontrei. Isso é uma mais valia considerável. O grau de profissionalismo aqui é impressionante.

Hernanes, Jorge Wagner e Dagoberto, jogadores que estavam no banco na eliminação da Libertadores para o Cruzeiro, hoje são os pilares da sua equipe...

O Muricy tinha um outro tipo de planejamento, uma linha. Não quer dizer que eu estou certo e ele estava errado, mas na minha linha esses jogadores tiveram uma grande importância. Não se pode comparar um trabalho, é impossível. Justo seria comparar se fossem os mesmos jogadores, os mesmos adversários. Os três jogadores fora importantes, mas de repente eles seriam utilizados depois, como foram nos anos anteriores.

Muito se dizia, até os próprios jogadores, que o São Paulo era um time previsível com Muricy Ramalho. O que foi feito?

Nós mudamos um pouco a maneira de jogar. Na época do Muricy vi o time jogar e, nos três anos, não atuava da mesma forma. Acho que mudamos em relação ao que vi do São Paulo de 2009. Não tem nada a ver com 2008, 2007 e 2006. Neste ano está diferente do que foi no início e nos anos anteriores. Não estou falando que está melhor não. Está melhor do que foi no início deste ano, mas em relação aos outros anos está diferente. Melhor só se ganhar o título, até para ser comparado. O time melhorou nesse ano, mas teve muita interferência, como a Libertadores. Não é tática, é concepção de jogo. É diferente. A partir do sistema de jogo você cria alguma coisa defensiva ou ofensiva. Têm várias formas, são muitas informações. A comissão técnica trabalha com tudo isso e tenta dar ao jogador um suporte para que ele consiga desenvolver o seu melhor. Nós não mudamos o sistema, mudamos a concepção para conseguir melhorar Hernanes, Jorge Wagner e Dagoberto, entre outros.

Até nas cobranças de escanteio houve mudanças.

Nós aqui dividimos. A gente gosta da cobrança invertida. Então o Hernanes bate pelo lado direito e o Jorge pelo lado esquerdo. O Hernanes chega na área também quando o Jorge está batendo. Eu não podia abrir mão do Hernanes, ele bate muito bem. São jogadores que finalizam muito bem. Para o Dagoberto, o Jorge Wagner, o Hernanes e o Hugo o gol não fica pequeno. Além dos atacantes Borges e Washington, nós temos aqui meias e meias-atacantes, e até volantes, que têm essa característica. Todos sabem fazer gol nesse time, isso é importante. E colocamos quem sabe fazer gol perto da área.

Você chegou sob desconfiança quando foi contratado. Isso incomodou?

Nem me preocupo. O treinador está sempre sendo questionado, é impressionante. O Muricy ganhou três campeonatos e mesmo assim foi questionado. Posso ganhar esse campeonato e ser questionado no ano que vem. O treinador está sendo avaliado o tempo todo, a todo o momento, e nem sempre muito bem. Então nem tenho que ficar pensando muito nisso. Tem de trabalhar e trabalhar bem. Você trabalha de uma forma e tem resultados, tem um tipo de análise. Se você não tem resultados, é outro tipo. O trabalho é o mesmo. É como o jogo de futebol. O time jogou mal e venceu e o mesmo time jogou mal e perdeu. É normal. Mas a mídia vai buscar na vitória pontos positivos, mesmo jogando mal. E vai enfatizar ainda mais os pontos negativos na derrota. Isso faz parte. E para o treinador não é diferente. Então é você trabalhar e pensar apenas nisso, não pensar no que estão falando do seu trabalho, no que estão escrevendo. Trabalhando bem nem sempre o resultado acontece. Então, quando você não trabalha bem, a chance é zero.



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