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O cabelereiro dos emos
É Willy Morales, o ‘Edward Mãos de Tesoura’ paraguaio, quem faz a cabeça dos roqueiros brasileiros
MARCO BEZZI, marco.bezzi@grupoestado.com.br
Ele não toca, não canta nem dança, mas se tornou um dos principais integrantes das bandas de rock adolescente no País. Ex-missionário paraguaio da cidade de Encarnacion, tem feito a cabeça de artistas como Cine, NX Zero, Pitty, Fresno e Strike. William de Moraes Pina, conhecido como Willy Morales, é a sensação dos cortes ‘emo’ e moderninhos.
Cabeleireiro desde os 15 anos, Willy se especializou na geometria capilar ao gosto dos roqueiros, quando morou por dois anos na Argentina, a partir de 1997. Uma feliz coincidência fez com que se tornasse referência entre os grupos de rock no Brasil.
Em 2007, na premiação do canal pago Nickelodeon, em São Paulo, o baixista do NX Zero, Conrado Grandino, se espantou com o corte moderno dos apresentadores do evento. Quando perguntou de quem era a obra, deparou-se com Willy, que emprestava seus dotes artísticos ao canal na época. “Uma semana depois o pessoal do Fresno me procurou e pediu para cortar o cabelo. A partir daí as outras bandas ficaram sabendo. Estava no lugar certo, na hora certa”, fala Willy, de 32 anos.
A entrevista com o cabeleireiro, realizada na casa de shows Tribe House, em São Paulo, precedia o encontro dele com a garotada da banda Cine, que participaria de uma sessão de autógrafos. Novo fenômeno entre os adolescentes, o grupo cortaria o cabelo pela segunda vez com Willy. “É uma grande responsabilidade. Se eu errar não tem volta. Por isso sempre deixo um pouco mais comprido do que se fossem clientes ‘comuns’.”
Tanto Willy como o grupo Cine afirmam ainda sofrer certo preconceito por seu estilo. “Tem gente que nos chama de ‘mariquinha’, mas o visual é muito importante para o nosso público”, fala o vocalista do Cine, Diego, o Dh. “Nos Estados Unidos é comum uma banda ter seu cabeleireiro”, diz Willy. “Sou o primeiro a me especializar nessa categoria rock’n’roll no Brasil. Se uma pessoa me pede um cabelo como o do vocalista do Strokes, por exemplo, sei cortar.”
Willy atende duas vezes por semana em Sorocaba no salão HD, onde cobra de R$ 35 a R$ 150 por corte, dependendo do grau de dificuldade. “O preço funciona como um taxímetro.” Nos demais dias, viaja com seu case para atender bandas e fotos publicitárias. Na pesada maleta, embala tesouras, secadores, navalhas, sprays e xampus. “Sou um colecionador compulsivo de tesouras. Já tenho 72 catalogadas.” Uma das principais referências de Willy foi o filme Edwards Mãos de Tesoura (1990). “Assim como a música, esse filme foi fundamental para eu querer começar a cortar o cabelo do povo do meu colégio, aos 15 anos.”
Willy pretende abrir um estúdio em São Paulo, onde, além de cortar as madeixas de seus clientes, vai colocar em prática tudo o que aprendeu na Argentina. “Quero transformar o visual todo. Vou usar o meu conhecimento de maquiador e contratar um tatuador. O engraçado é que tudo o que aprendi na Argentina há 12 anos só agora estou podendo usar no Brasil. Os mullets e o cabelo repicado estão na moda.”
Ele ainda diz ter revolucionado a vida dos grupos, seus clientes fiéis. “Antes, quem cortava o cabelo do NX Zero era o Gee (Rocha, guitarrista do grupo).” Um sonho de Willy é atender à banda Keane. “Também quero cortar o de bandas mais velhas, como o Titãs.” Nesse caso, é bom correr, antes que lhe falte o que cortar.
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