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Tumulto na Uniban expõe crise interna
Estudantes reclamam da qualidade do ensino oferecido e ambiente hostil na unidade
Marici Capitelli, marici.capitelli@grupoestado.com.br
O episódio hostil envolvendo alunos da Universidade Bandeirante (Uniban), câmpus ABC, e a estudante Geyse Arruda, de 20 anos, foi o estopim de uma crise. Os alunos dizem não aguentar mais conviver com a violência interna e com a falência do ensino.Cercados por nove bares, sempre lotados, uma casa de shows onde ocorrem raves e um motel, os dois prédios da instituição no Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, atendem estudantes de condição socioeconômica inferior à dos da vizinha universidade Metodista, onde os mesmos cursos chegam a ser até 70% mais caros.
A assessoria de imprensa da Uniban foi procurada para comentar as reclamações dos alunos, mas não se manifestou.
O atrativo da Uniban, segundo os universitários, é o preço. “Este ano, foram três ocorrências graves e qualidade do curso deixa a desejar. Eu só não desisto porque fazer direito é o sonho de uma vida”, conta a estudante Carla Lucas de Freitas, do primeiro ano.
O estudante de administração de empresas Henrique Pereira, de 20 anos, está desolado. “É essa a carreira que quero mas não estou aprendendo nada.” Há professores, segundo ele, que não sabem responder as dúvidas dos alunos. “Sempre prometem explicar depois e não explicam.”
No meio do ano houve o ‘dia da Revolta’. Indignados com mudanças no sistema de provas, os estudantes jogaram papel higiênico molhado por toda universidade. “Eu olhava para aquilo e me perguntava, ‘meu Deus, onde estou’. Isso não pode ser uma universidade. Até fotografei”, lembra a estudante de direito Aline de Oliveira Silva, de 18 anos. Ela conta que ninguém discutiu a possibilidade de outras formas de protesto, como um abaixo-assinado.
Em abril, outro episódio de violência. Uma estudante de educação física foi agredida e ferida por se recusar a participar de uma manifestação e desistiu de estudar, conforme matéria publicada ontem no JT. E há mais relatos de casos de agressão na unidade.
Nas noites de sexta-feira, por exemplo, os alunos antecipam o encerramento das aulas no intervalo. Saem da unidade e ocupam a avenida em frente. O trânsito trava. Quando reclamam, os motoristas dos ônibus são ameaçados por estudantes alcoolizados. “Nem parece coisa de jovens que estão se preparando para dirigir o País. Eles ficam no meio da rua como se ninguém mais existisse. Um dia buzinei e eles começaram a bater no ônibus”, conta um motorista, que prefere não se identificar. Os passageiros também sofrem. “Já cheguei a ficar parada dentro do ônibus no mesmo lugar por quase uma hora”, diz a assistente de vendas Ana Maria Marques.
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