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Igor preso após 8 anos foragido
Ex-promotor foi condenado em 2001 por matar a mulher, que estava grávida
Marcelo Godoy
O ex-promotor de Justiça Igor Ferreira da Silva foi preso ontem, às 16 horas, na Vila Carrão, na zona leste. Um telefonema anônimo ao plantão do 31º Distrito Policial foi responsável por acabar com uma busca que durava desde o dia 16 de abril de 2001, quando Igor foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Acusado de matar em 1998 a mulher, a advogada Patrícia Aggio Longo, o ex-promotor continua a alegar inocência. Disse ao delegado Nelson Silveira Guimarães acreditar em Deus e que ia tentar provar sua inocência, mas, se não conseguisse, cumpriria a pena. “É o meu destino”, teria afirmado.
Igor foi preso abatido e magro. Ele parecia atordoado quando saiu da sala do delegado, titular da 5ª Seccional, na zona leste, e se dirigiu ao cartório da delegacia para o cumprimento das formalidades legais de sua captura. Fazia duas horas que havia sido preso pela delegada Adanzil Limonta. A policial recebera o telefonema no 31º Distrito Policial, no Carrão, zona leste de São Paulo. Uma voz masculina dizia que o ex-promotor estava naquele momento na Rua Dentista Barreto, a quatro quarteirões dali.
A policial apanhou seu carro particular e, acompanhada a distância por dois investigadores em uma viatura, foi verificar a informação. Parou, desceu e se aproximou do homem. “Vi que era ele e perguntei se ele era o promotor Igor. Ele disse que sim, e eu dei a voz de prisão.” À delegada, Igor fez um pedido: ser conduzido em seu carro e não na viatura. Adanzil permitiu.
Igor não quis revelar o que estava fazendo na hora da prisão nem por que estava naquela rua. O mistério sobre quem o denunciou intriga a polícia. Em sua família, os pais - o advogado Henrique e a dona de casa Salete -, queriam há muito que ele se entregasse. Consideravam impossível ficar 20 anos fugindo. Seus irmãos eram contra. Deprimido e com problemas de saúde, Igor pensava em se entregar. Estava cansado de ser perseguido. Há um mês e meio, policiais revistaram o apartamento de sua mãe, em São Paulo. Em 2008, eles haviam revirado a chácara de seu pai. A família não tinha sossego.
Lendas
Sem algemas e sem opor resistência, o ex-promotor chegou às 16h30 à 5ª Delegacia Seccional. Pediu para ir ao banheiro e se mostrou trêmulo.
Igor disse aos policiais que estava sem dinheiro e que passara esse tempo todo escondido no interior. Desmentiu boatos de que tivesse passado por Santa Catarina, onde teria sido visto praticando asa-delta ou na Argentina, onde teria ido esquiar.
Não muito depois, chegou à delegacia o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Queria cumprimentar os policiais. “Sua prisão era uma questão de honra e um desafio para a polícia e para o Ministério Público.”
De fato, a fuga de Igor era um espinho na garganta do Ministério Público e da Justiça. O ex-promotor havia recebido o direito de responder em liberdade ao julgamento e não compareceu ao tribunal no dia em que seu destino foi decidido pelos desembargadores. Não ocorreu a ninguém pôr a polícia para vigiá-lo - a hipótese de uma fuga parecia improvável. Mas a condenação veio e o então promotor sumiu.
“Isso incomodava a todos. Havia um constrangimento grande no seio da instituição”, disse o procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira.
O MPE havia pedido em julho à Secretaria da Segurança Pública que a polícia se esforçasse para efetuar a captura. Vieira não escondeu a satisfação. “É um sentimento de dever cumprido. Agora ele deve cumprir sua pena como cidadão comum.”
O caso do ex-promotor tem ainda outras particularidades. Mesmo com ele condenado pela Justiça, a família de Patrícia continua a acreditar em sua inocência.
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