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Esporte ajuda a crescer na carreira
Mesmo quem nunca foi profissional pode usar experiência na área para se aprimorar no trabalho
PAULO JUSTUS, paulo.justus@grupooestado.com.br
Mariana Roriz usa no trabalho muitos dos conhecimentos que adquiriu na piscina, durante os oito anos em que disputou polo aquático. Com dois bronzes nos Jogos Panamericanos de 1999 e 2003, a ex-atleta, de 28 anos, aprendeu a trazer a capacidade de recuperação do esporte para o mundo corporativo. “Numa competição você não tem tempo para ficar frustrado com a derrota, precisa estar pronto para a próxima partida”, diz ela, que hoje é gerente da divisão do setor farmacêutico da consultoria de recursos humanos Hays.
O esporte está repleto de experiências que podem ajudar na vida profissional. Além do exemplo de superação, quem o pratica também vive relações de liderança e competição, que têm muito em comum com o que ocorre no ambiente de trabalho. “Fiquei por dois anos no topo do ranking brasileiro de squash e tive uma experiência de liderança. Vi que outros jogadores copiavam o meu jogo”, diz o diretor da seguradora Liberty Internacional Underwriters, Paul Conolly, de 36 anos.
Conolly praticou profissionalmente o esporte por 11 anos. Nesse período, além dos dois campeonatos brasileiros, também foi bicampeão sul-americano, campeão mundial universitário e prata no Pan de 1999 em Winnipeg, no Canadá. “Com o esporte também tive a oportunidade de me aprimorar culturalmente, de conhecer pessoas de outras culturas e outros países”, afirma.
Essa experiência foi fundamental para o ingresso na vida profissional, diz Conolly. “Nas entrevistas de emprego, enquanto as outras pessoas falavam que praticavam um futebol no fim de semana, eu contava dos títulos que obtive e sempre impressionava”, diz.
A psicóloga e presidente do Instituto Internacional de Gerenciamento de Estresse (ISMA-BR), Ana Maria Rossi, explica que mesmo atletas amadores podem aprender com os valores do esporte. “O equilíbrio físico, emocional, a capacidade de gerenciar emoções, a concentração e a motivação são fases que o atleta passa e que servem também para a evolução profissional”, diz.
Ana Maria fala com a experiência de quem já competiu em maratonas por 15 anos. “Só parei porque tive um problema no joelho”, conta a psicóloga. Para ela, uma das principais lições que o esporte trouxe foi aprender a superar obstáculos. “Você aprende a dosar a sua energia . Numa maratona, se você começa muito rápido, ou brincando, muitas vezes você não consegue chegar ao final.”
Para Mariana, que trabalha com seleção de pessoas, conquistas esportivas não acrescentam tanto em termos de currículo, mas sim na maneira de se comportar. “O atleta tem mais atitude. Como sempre joguei, tento impor meu ritmo às outras pessoas e procuro liderar pelo exemplo.” As lições de liderança Mariana aprendeu quando foi capitã da seleção brasileira de polo aquático, nos Jogos Panamericanos de 2003. “Aprendi que algumas vezes é preciso sacrificar os objetivos pessoais em prol da equipe.”
Já Ana Maria diz que o esporte cria uma empatia com as pessoas. “Quando você está correndo por mais de três horas com outros competidores, cria-se um elo entre essas pessoas que estão passando pela mesma dor e desafio de superação”, conclui.
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