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Segunda-feira, 5 outubro de 2009   edições anteriores
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  MEC pedirá adiamento de vestibular a universidades

Governo fará proposta hoje, em reunião com comissão que representa reitores de 55 universidades e 31 instituições federais; ministério excluiu consórcio da organização da prova, que deve ocorrer na 2ª quinzena de novembro

Renata Cafardo e Vannildo Mendes

O Ministério da Educação (MEC) vai propor hoje o adiamento do vestibular de algumas universidades para evitar a coincidência de datas e permitir que a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja usada na seleção dos alunos. Se isso não for possível, o MEC pode realizar o exame em dois dias úteis, que seriam transformados em feriados escolares.

O exame foi cancelado na quinta-feira depois que o jornal O Estado de S.Paulo, do Grupo Estado, que edita o Jornal da Tarde, informou ao MEC que o caderno de questões tinha vazado. A nova data do Enem e os detalhes sobre a organização da prova serão divulgados na quarta-feira, segundo o ministro Fernando Haddad.

“Estamos apurando todo o calendário de vestibulares e outros concursos, como o do IBGE, para compatibilizar as datas”, afirmou ontem o ministro. A reunião em que o MEC pedirá o adiamento terá a participação de uma comissão representativa dos reitores de 55 universidades, 31 instituições federais e secretários da educação dos Estados.

O que já está definido é que a empresa que havia sido contratada para aplicar o Enem está fora da nova prova. Segundo a reportagem apurou, a decisão já foi tomada pelo MEC, que agora busca soluções jurídicas para romper o contrato com o Connasel, consórcio que reúne empresas de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Hoje, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) se reunirá com o Connasel. Segundo a reportagem apurou, não foi definido se uma nova empresa ficará responsável pela prova ou se o Inep fará esse trabalho. Hoje, o instituto tem a função de elaborar as questões da prova. Será preciso reimprimir 4 milhões de cadernos de questões e enviá-los para 1,8 mil municípios em que a prova se realizará.

A decisão de não mais usar o consórcio - e consequentemente a gráfica Plural, contratada pela empresa - foi motivada pela constatação de que as cláusulas de segurança não foram seguidas. Um dos homens que tentaram vender a prova, Felipe Pradella, seria funcionário da Cetro, uma das empresas do consórcio. Ainda não está claro se ele cuidava da área de segurança ou do manuseio do caderno de questões (colocar em envelopes, lacrar, etc.). Pradella não havia sido localizado até ontem.

Outra opção, de ruptura parcial do contrato, também está sendo analisada. O consórcio ficaria encarregado apenas da aplicação da prova na ponta, mas cederia a impressão e a distribuição para o próprio MEC, que realizaria a tarefa com auxílio dos Correios, do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública e outras instituições estatais. A reportagem procurou ontem o Connasel, mas não obteve resposta.

Haddad vai também se reunir, amanhã, com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Ele pedirá a participação da inteligência da Polícia Federal na supervisão da segurança e na correção dos pontos frágeis detectados. Sobre a data da nova prova, a única certeza de Haddad é de que “em hipótese alguma” será na primeira semana de novembro. O mais provável é que o exame ocorra na segunda quinzena de novembro.



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