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Entre a gente
Leandro Nomura, leandro.nomura@grupoestado.com.br
Vivendo a vida de modelo
O glamour passa longe da vida de modelo - pelo menos da iniciante que tem de enfrentar aulas de passarela. Na agência que cede as meninas para os desfiles de ‘Viver a Vida’, elas aprendem a andar como se fosse ‘um menino fazendo xixi’ e que imitar Gisele Bündchen ‘é ridículo’.
O instrutor de passarela Dinho Batista espera suas alunas modelos em uma garagem de 30 metros quadrados. Ali, apenas uma churrasqueira apagada e um grande espelho em um dos cantos. O espaço, com o piso descascado, fica nos fundos de uma das principais agências de modelos do País, a Way Model, que cede profissionais para os desfiles da novela ‘Viver a Vida’.
As modelos chegam, de minissaia ou microshort, mas todas de salto alto. ‘Preciso ver os joelhos, se estão para dentro ou para fora. Estas meninas chegam todas curvadinhas por aqui, pois na escola são chamadas de palito de dente, girafa, espeto de cutucar coco. Aqui elas precisam assumir a altura e arrumar a postura’, diz Batista com o sotaque carregado. Ele começou a carreira de instrutor com 17 anos em Recife, sua cidade natal. Aprendeu sozinho, assistindo a fitas VHS de desfiles internacionais. Hoje, com 30 anos, tem na lista de ex-alunas tops como Carol Trentini e Emanuela de Paula.
Zeca de Abreu, sócio da agência, diz que, quando descobriu Gisele Bündchen, em uma excursão que trazia newfaces (como as novatas são chamadas) do Sul para SP, ela ainda não tinha sua marca registrada na passarela, cruzar as pernas enquanto desfila, e precisou fazer aulas para desfilar. “Ela andava igual a um passarinho”, diz. Ahã? “É, assim, pulando”, mostra com as mãos.
Abreu, que também trabalhou com Alinne Moraes quando ela estava no início da carreira, elogia a pupila nas passarelas fictícias da novela: “Ela sempre desfilou bem. Fazia desfiles de Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço. E continua bem em ‘Viver a Vida’. A Taís também foi modelo, desfila bem.” Ele explica que, na seleção para os desfiles de ‘Viver a Vida’, a Globo mistura modelos altas com outras mais baixinhas, pois tanto Alinne quanto Taís não são tão altas “para os padrões da moda”.
Mas cadê a passarela para a aula? “É aqui mesmo, na garagem. Não precisa de passarela nem de música. Minha aula é muito técnica”, explica Batista iniciando uma série de exercícios para corrigir a postura e a posição da cabeça, dos ombros e dos pés “Encaixa o quadril! Imagina que você é uma menino fazendo xixi e anda!”, diz ele para uma das newfaces.
Em fila, as meninas dão voltas e mais voltas pela garagem. “Nada de imitar Gisele Bündchen, fica ridículo, cruzar as pernas na passarela é característica dela. Aqui, vocês aprendem o básico, igual soldadinho de chumbo, depois vocês imprimem a própria identidade”, explica para as modelos.
Na maioria das vezes, Batista vai na frente para mostrar a maneira correta de caminhar na passarela. E sem salto alto. “Elas que precisam desfilar para mim e não eu para elas”, diz. De acordo com o instrutor, esse foi o motivo por ele não ter sido escalado para participar do programa Brazil’s Next Top Model. “Eles perguntaram se eu não poderia ser mais caricato, usando salto. Disse que não era o meu estilo e perdi o contrato.”
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