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Domingo, 20 setembro de 2009   edições anteriores
ECONOMIA
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  Com mais dinheiro no bolso, idoso movimenta mercado

Em dez anos renda de pessoas com mais de 60 anos cresceu 14,5%, o que permitiu que elas aumentassem seu consumo. Com isso, uma indústria de produtos e serviços se desenvolveu para suprir a demanda desse grupo

Marcos Burghi, marcos.burghi@grupoestado.com.br

A renda dos brasileiros com mais de 60 anos subiu 14,5% entre 1998 e 2008, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento atraiu a atenção do mercado, que cada vez mais oferece serviços voltados exclusivamente para o segmento (leia texto nesta página).

Segundo números do IBGE, a renda média da parcela da população com mais de 60 anos subiu de R$ 796,08 em 1998 para R$ 911,81 em 2008. Com mais dinheiro, também estão gastando mais. Pesquisa da Nielsen Brasil ouviu consumidores classificados como “maduros” (acima de 50 anos) e constatou que seus gastos aumentaram 48% em relação a 2007.

O levantamento, realizado em julho de 2008 em 8,7 mil domicílios de todo o País dividiu os entrevistados em dois grupos: consumidor maduro tradicional e consumidor maduro bem-sucedido.

De acordo com a pesquisa, o consumidor maduro bem-sucedido é aquele de nível socioeconômico alto ou médio-alto, que opta por marcas conhecidas - compra a mesma marca mesmo que ela não esteja em promoção - usa produtos light, realiza muitas atividades externas e forma a opinião por meio de revistas e noticiário na TV. A pesquisa apontou que o gasto médio deste grupo cresceu 7,2% entre julho de 2007 e julho de 2008.

Já o maduro tradicional é o consumidor de nível social médio e baixo, cujo chefe de família tem escolaridade baixa, realiza poucas atividades fora de casa, gosta de assistir à TV, preferencialmente novelas, jornais locais e programas de auditório, e escolhe as marcas conforme o preço e as promoções. Segundo a Nielsen, o gasto médio geral desta parcela da população aumentou 48,3% entre julho de 2007 e julho de 2008. A média de todas as classes de consumidores no período cresceu 7,5%.

Patrícia Moraes, consultora da Nielsen Brasil, afirma que apesar de pertencerem a diferentes níveis sociais, os dois grupos de consumidores acima de 50 anos analisados foram beneficiados pela situação econômica favorável no período da pesquisa. Ela acrescenta que o envelhecimento mais saudável da população brasileira incrementou em qualidade e quantidade as opções de compra de ambos os segmentos.

Gilberto Cavicchioli, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), ressalta que boa parte dos trabalhadores se aposenta por volta dos 50 anos de idade e com a expectativa de vida do brasileiro perto dos 74 anos, eles descobrem novas atividades que propiciam a convivência e os cuidados com a saúde.

Cavicchioli afirma que as pessoas que conseguem chegar a esta etapa da vida com um orçamento mais “folgado” buscam alternativas de convivência com outras pessoas da mesma faixa etária. “O mercado se desenvolveu oferecendo oportunidades”, diz.

Na avaliação de Marcos Morita, consultor em planejamento estratégico, a evolução do mercado consumidor para as pessoas da terceira idade é irreversível. Ele acredita que será cada vez mais comum o aparecimento de empresas específicas para atender a consumidores com mais de 50 anos.

De acordo com o consultor, estudo realizado por uma grande instituição financeira em 2007 demonstrou que as pessoas com mais de 60 anos de idade gastaram R$ 18 bilhões com cartões de crédito, o que corresponde a 10% de todo o faturamento do setor. O comprometimento da renda com esta modalidade é também maior: 30% em relação a 28% da média geral.

Aposentado há um ano, o engenheiro Nelson Carvalho, 68 anos, é um exemplo da mudança de perfil dos idosos. Mesmo após deixar a atividade que exerceu por toda a vida profissional, ele não parou de trabalhar. Além de prestar consultoria “informal” por “não querer compromisso de horários”, como ressalta, ele se prepara para iniciar um projeto de tradução de obras sobre a história da Segunda Grande Guerra. “Tenho o tema como hobby e vou trabalhar com o que gosto”, observa.

Carvalho diz que hoje se considera em situação financeira “razoável” porque sempre teve o hábito de guardar parte do que ganhava. “Deixava na poupança mesmo”, conta. Ele observa que também é fã dos pagamentos à vista. “Nunca gostei de pagar juros”, contas



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