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Sem varrição, 25 de Março vira lixão
Prefeitura cortou orçamento da limpeza há 1 mês, mas nega que este seja o problema no centro
CRISTIANE BOMFIM, cristiane.bomfim@grupoestado.com.br
Sacos de lixo amontoados, copos plásticos, caixas de papelão, bitucas de cigarro, embalagens de chiclete e restos de frutas. Se andar na região da Rua 25 de Março, no centro da capital, já não é tarefa fácil, ontem os pedestres tiveram de desviar não só dos buracos e camelôs, mas também dos montes de lixo espalhados pelas ruas.
No mês passado o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou um de corte de 20% no orçamento para limpeza das ruas. Mas a Prefeitura negou que o lixo espalhado pela Rua 25 de Março ontem tenha relação com a redução orçamentária. Segundo a Coordenação de Subprefeituras, a varrição é feita dez vezes por dia nas ruas da região e elas foram varridas e lavadas na manhã de ontem.
A reportagem percorreu a 25 de Março e ruas do entorno entre as 14 horas e 15h30. Nesse período, ouviu de camelôs, lojistas e clientes reclamações sobre a sujeira e a diminuição da limpeza na área. Mostrando os montes de lixo, disseram que houve redução da varrição e que as ruas não são lavadas há pelo menos dois dias.
“Este lugar está uma imundície”, reclamou o balconista Marcos Roberto Junqueira. Pela manhã, foi ele quem varreu e recolheu o lixo acumulado na frente da loja onde trabalha, na Rua Barão de Duprat. “Hoje (ontem) não passou ninguém varrendo as calçadas e o lixo vai se acumulando. Dá vergonha para a gente que trabalha aqui.”
Na Comendador Afonso Kherlakian, a ambulante Izabel Cristina Mateus disse que o número de varredores da Prefeitura tem sido reduzido constantemente. “Estou neste local há cinco anos e hoje a rua está muito mais suja do que o normal.” Izabel afirmou que ontem não viu nenhum gari trabalhando na região ontem.
Corte
Os problemas vistos ontem na 25 de Março são resultado da redução de R$ 20 milhões para a varrição, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Empresas do Limpeza Urbana (Siemaco). O sindicato diz que já houve redução de pessoal para a função e que ao menos 1.500 trabalhadores devem ser demitidos. “A maioria está cumprindo aviso prévio e deixou as funções há dez dias”, disse o diretor do sindicato Valdemir Paiva. E para ele o que se vê na 25 de Março tende a piorar. “Nunca teve gente suficiente para trabalhar, mas agora a situação pode ficar caótica.”
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado (Selur), Ariovaldo Caodaglio, ainda é cedo para responsabilizar o corte na verba de limpeza urbana. “Seria irresponsável eu fazer esta afirmação”, disse. Caodaglio afirmou que pode ter sido um problema pontual e a chuva pode ter atrapalhado a varrição. “Mas é claro que a partir de agora vamos encontrar locais mais sujos.”
Vinte anos sem pisar na 25 de Março, a gaúcha Charley Antunes, de 35 anos, se disse decepcionada. “Estou com nojo. Nunca vi tanto lixo num lugar só e o cheiro está péssimo. E isso porque a rua é famosa no mundo todo.”
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