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Bingos se escondem em residências
Bairros nobres da capital, como Pinheiros e Itaim Bibi, abrigam a jogatina doméstica e ilegal
FERNANDA ARANDA, fernanda.aranda@grupoestado.com.br
A máfia do jogo de azar explora um novo filão na cidade de São Paulo. Os criminosos passaram a alugar imóveis residenciais, até mesmo apartamentos, para servir de fachada a bingos clandestinos. Neste ano, em média, um “cassino caseiro” com máquinas caça-níquel, videobingo e apostadores foi estourado pelas polícias Civil e Militar a cada dez dias. Bairros nobres da capital paulista, Lapa, Perdizes, Pinheiros e Itaim Bibi, - aparecem como centro da jogatina doméstica e ilegal.
Levantamento da 3ª Delegacia Seccional de São Paulo mostra que entre janeiro e o início de agosto foram flagradas 24 residências que funcionavam como bingos na zona oeste. O balanço não contempla a operação policial realizada anteontem na Vila Mariana, na zona sul. Um imóvel da Rua Napoleão de Barros abrigava 23 máquinas caça-níquel.
Segundo a polícia, são alugadas para este fim casas de pequeno, médio e grande porte. A arquitetura residencial é mantida intacta para despistar. Os endereços que constam nos boletins de ocorrência registrados tratam desde mansões - como a localizada na Avenida Pedroso de Moraes, que espalhou pelos mais de cinco dormitórios 43 computadores de videopôquer, até casebres como o da Rua George Smith, na Lapa, que abrigava só duas máquinas. No mês passado, na região central, fiscais da Subprefeitura da Sé identificaram um bingo em apartamento de 40 metros quadrados.
Somente por meio de denúncias anônimas os policiais conseguem chegar aos locais. No entanto, quase nunca flagram os “cabeças” do jogo. “Precisamos ter certeza absoluta de que no local funciona jogo, caso contrário, se invadirmos, podemos ser acusados de abuso de poder”, diz o delegado seccional, Jorge Carlos Carrasco.
Os frequentadores dos cassinos caseiros são “órfãos” dos bingos tradicionais hoje fechados. As casas agora usadas pelo jogo são administradas por antigos proprietários de bingos, segundo apostadores. Até os funcionários que trabalham nos locais são os mesmos. A concentração de bingos domésticos em regiões nobres é explicada pelo público que os frequenta. A seleção dos clientes, a maior parte com mais de 60 anos, segue critérios como os de festas VIPs. É preciso ser convidado.
As operações em imóveis residenciais encontraram, no total, 517 máquinas caça-níquel, o que já representa 6% de todas as que foram apreendidas no período (8 mil) na capital. Essa é só mais uma dificuldade da polícia, segundo o delegado titular da 3ª Seccional Oeste, Jorge Carrasco. “Estamos em reuniões com todos os órgãos envolvidos no processo dos bingos clandestinos para criar uma força sincronizada.”
Os órgãos envolvidos, além das polícias, são as subprefeituras, o Instituto de Criminalística (IC), o Ministério Público e o Poder Judiciário. Segundo ele, não há espaço para armazenar as máquinas apreendidas, no IC faltam peritos, e há morosidade compromete o julgamento, já que esse tipo de crime prescreve em seis meses.
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