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Marcelo Duarte, autor da série de livros O Guia dos Curiosos

AS DICAS DOS TAXISTAS DE BUENOS AIRES

http://www.guardian.co.uk/travel/2009/apr/22/buenos-aires-gourmet-taxi-restaurants?page=All

:: No momento, Layne Mosler está trabalhando em Nova York e continua trazendo toda semana um lugar novo da cidade indicado por

um taxista. Durante um bom tempo, Layne morou em Buenos Aires. Por isso o blog www.taxigourmet.com traz uma série de dicas curiosas da capital argentina. Ela lista, por exemplo, os cafés e os shows de tangos preferidos dos motoristas de praça. É possível ainda ver um vídeo dessas aventuras no link acima.

Os segredos dos taxistas
Por favor, leve-me ao seu restaurante preferido!


Para descobrir restaurantes pouco conhecidos em suas andanças pelo mundo, a jornalista californiana Layne Mosler passou a pedir sugestões a taxistas. Em 2007, Layne criou um guia gastronômico com essas dicas. Elas estão no blog www.taxigourmet.com (veja também no boxe acima). Resolvemos fazer o mesmo em São Paulo. A repórter Bruna Ribeiro percorreu vários bairros da capital e, a exemplo de Layne, pediu que taxistas a levassem a restaurantes em que costumassem comer. Havia uma única recomendação: os lugares não poderiam estar nos roteiros tradicionais de São Paulo. Conheça agora alguns desses segredos.

Contemporâneo, em porções exageradas

Na hora de indicar um restaurante, o taxista Luiz Florêncio, 55 anos, não pensa duas vezes. Ele vive há 36 anos no Parque São Lucas e adora comer no tradicional A Charrete (Rua do Orfanato, 915; Vila Prudente; 2274-2559). “Logo que o cliente chega, eles já servem um pãozinho para comer com molho de cebola e azeite”, festeja Luiz. “Mas gosto mesmo do contrafilé (R$ 35, para duas pessoas). Olha que é muito difícil eu gostar tanto assim de um lugar”. Em um salão de 200 metros quadrados, o restaurante, que está na Vila Prudente desde 1974, tem 170 lugares. “Antes de abrir A Charrete, o meu sogro, Aníbal Rodrigues, foi dono do Varela, na Mooca, muito tradicional nos anos 70”, conta o proprietário Carlos Alberto Mendes, 49 anos. “Servimos comida contemporânea, em porções exageradas. À noite, temos pizzas também”. Além do contrafilé, Carlos recomenda o espeto misto (R$35) e a picanha (R$55), que também fazem sucesso.

Um pedacinho da Liberdade

O restaurante O Galpão (Rua Arizona, 1391; Brooklin; 5507-7874) serve comida brasileira, massas, peixes... e sushis, mas que sushis! A proprietária, Lourdes Chiemy Morikawa, 45 anos, é herdeira do Banri Katian, inaugurado na Liberdade em 1964. “Meu filho, Rafael Ikeda, 21 anos, é o nosso sushiman”, explica Lourdes. “Ele morou no Japão por sete anos e aprendeu a cozinhar com a avó, no Banri Katian. Sinceramente, não há tempero como o daqui. Não servimos aqueles bolinhos grandes, cheios de arroz”. O taxista Carlos Eduardo Pereira Chainho, 32 anos, sabe bem o que é isso. Casado com uma nissei, ele morou no Japão por 12 anos e trabalhou com Heitor, irmão de Lourdes. “Eles são muito bons no que fazem”, recomenda Carlos Eduardo. São 20 tipos de sushis, que também entram no preço do quilo (R$ 29,90). O festival de crepes salgados e doces, que acontece às quartas e sextas, é outra atração da casa.

O pernil que é uma exceção

O taxista Domingos José Viana, 48 anos, segue uma dieta frugal e evita comer carne de porco fora de casa. “Não fico tão preocupado com as calorias”, justifica. “Desconfio mesmo é do preparo da carne”. A única exceção ele concede ao pernil da Padaria Firenze (Rua Vieira de Moraes, 710; Campo Belo; 5041-6165). O tradicional pernil da região é servido no sanduíche e no prato, desde quando a padaria foi aberta, em 1984. Temperado por 24 horas, ele é assado no vinho, com alho e sal. Antes de ser servido, o pernil ainda passa pela chapa. Um molhinho de tomate e cebola, cortesia da casa, dá um toque especial ao prato. “Vendo dois pernis, de 8 quilos cada, por dia”, explica a proprietária Maria Helena Paulino da Fonseca Anderson, 38 anos. “Todo mundo gosta”. O prato executivo vem com arroz, feijão, pernil e fritas ou maionese (R$ 9,50). O lanche é vendido por R$ 6,50. “Na semana do Natal, chegamos a vender 25 pernis”, conta Maria Helena.

O parmegiana de todos os dias


A indicação do taxista Rubens de Lima, 46 anos, poderia até ser suspeita, se não fosse confirmada por outros taxistas da Chácara Santo Antônio. Ele trabalhou como gerente do Bar e Lanches Augusto's (Rua Américo Brasiliense, 2180; Chácara Santo Antônio; 5181-6841) por 19 anos e é apaixonado pelo filé à parmegiana de lá, famosíssimo no bairro. “É um dos melhores que já comi na vida”, confirma o colega, Renato Lima, 55 anos. “Não sei qual é o segredo”. O filho do proprietário, Daniel Ramos, 28 anos, conta: em vez de farinha de rosca, as cozinheiras utilizam farinha de trigo. “Além disso, caprichamos no queijo e usamos carne da melhor qualidade”, diz Daniel. O restaurante, inaugurado pelo seu avô, Alfredo Ramos, falecido em 1994, funciona no mesmo endereço há 30 anos. “Os balcões e os ventiladores ainda são os mesmos”. Cada dia a casa serve um prato diferente. A única coisa que não muda é o parmegiana. “Em 2002, meu pai, José Augusto, resolveu servir o prato todos os dias, porque a procura era muito grande. Antes, servíamos apenas às terças”. Os taxistas recomendam também o escondidinho de carne seca (pequeno, R$14,80; médio, R$17,80 e grande, R$21,80), servido às terças, e o de bacalhau (pequeno, R$17,80; médio, R$21,80 e grande, R$26,80), às sextas.

O segredo é o pizzaiolo

O taxista Ariovaldo Penteado de Carvalho, 59 anos, come pizza na Padaria Nova Perfil (Rua Silva Bueno, 2102; Ipiranga; 2069-0410) desde os tempos em que dançava no Viola de Ouro, salão que funcionava no Ipiranga há 40 anos. “Costuma ir lá depois do baile e acabei virando fã”, afirma Ariovaldo. O ponto está, desde 1994, nas mãos de Alexandre do Rio, 37 anos. Para manter a tradição, Alexandre nem pensou em mudar de pizzaiolo. Geovane Cássio Rodrigues de Oliveira, 35 anos, trabalha na casa há 20 anos. “Aprendi a fazer pizza com o Jonas, um funcionário daqui que faleceu há 15 anos”, explica Geovane. São vendidas 3 500 pizzas por mês, com 40 coberturas diferentes, cujos preços variam de R$ 21,20 a R$ 37. No balcão, as pizzas são vendidas por pedaço (R$ 3,30). Elas ficam em uma estufa com água quente para não ressecar. “Trabalhamos com ingredientes da melhor qualidade para a pizza durar na vitrine”, explica o proprietário, responsável também pela implantação do serviço de entrega. Outra boa surpresa da Nova Perfil é o bacalhau, servido às sextas-feiras. Ele é preparado pelo pai de Alexandre, Artur, que é português e sócio da padaria. O bacalhau vai ao forno, com batatas, pimentão, alho, azeite e azeitonas. Acompanha arroz e batatas e é servido por quilo (R$ 41). “São quase 50 quilos de bacalhau toda semana”, contabiliza Alexandre.

Mais perto de Minas

Filho de pai mineiro, Antônio Ananias Santana, 54 anos fica com água na boca cada vez que recorda a infância à base de polenta, tutu de feijão e rabada. “Tudo muito light”, brinca o taxista. Antônio garante que o único lugar em que encontra um tempero igual ao da casa de seus pais é no restaurante O Capiau (Rua Silva Bueno, 1771; Ipiranga; 2215-1748). “Dá a impressão de que você está em Minas mesmo”, garante. “Os proprietários sempre estão com chapéu de palha na cabeça”. A cozinheira e sócia Anelita Maria de Lima,

45 anos, veio de Monte Belo (MG) em 1976. “As receitas são bem caseiras”, diz Anelita. “E trazemos os doces e a pinga
de lá”. O quilo custa R$ 17,90 e oferece pratos como tutu de feijão, costelinha, linguiça, couve, bisteca e arroz carreteiro. No final de semana, o preço sobe para R$20,90. As mesas de madeira e as paredes de tijolinho à mostra deixam o ambiente bem rústico. Lampião e peças antigas garantem a decoração dos dois salões, que somam 140 lugares.


Com reportagem de Bruna Ribeiro



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