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Sábado, 15 agosto de 2009   edições anteriores
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  Jacqueline não tinha gripe suína, diz laudo

Felipe Oda, felipe.oda@grupoestado.com.br

A estudante Jacqueline Ruas, de 15 anos, que morreu no voo de volta para o Brasil, no último dia 2, não estava com o vírus da gripe A (H1N1). A causa da morte foi atribuída a uma infecção generalizada provocada por uma pneumonia, segundo o Instituto Médico Legal (IML) de Guarulhos, que aguarda o resultado do exame toxicológico.

De acordo com laudo divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde de Guarulhos, análises feitas pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram que a jovem não foi infectada por nenhum tipo de influenza (vírus da gripe).

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado, nega que a pneumonia esteja diretamente ligada à gripe. “A pneumonia pode existir como uma complicação de qualquer doença pulmonar. Ela pode ser um agravamento de uma gripe, mas também podemos ter uma pneumonia desassociada da gripe”, explica.

O resultado é semelhante ao que foi constatado pelo hospital norte-americano, onde a adolescente teria feito testes rápidos para diagnosticar a nova gripe, segundo a Tia Augusta Turismo.

Durante os 12 dias em que passou na Disney, Jacqueline apresentou sintomas da gripe, como resfriado, vômito e fraqueza. A agência de turismo afirma que ela foi levada para um hospital, onde uma pneumonia teria sido detectada. Como precaução a jovem iniciou o tratamento com Tamiflu.

“O fato da Jacque não ter a gripe suína não muda nada para nós, família. Continuamos acreditando que houve negligência. Não nos avisaram que ela estava doente nos Estados Unidos”, afirma Magda da Paz Santos, tia da jovem.

A família pretende processar a Tia Augusta. “Só estamos esperando os advogados irem buscar os exames que a Jacque fez nos EUA para definirmos a estratégia jurídica que adotaremos”, diz Magda.

Ontem a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a morte de Jacqueline Ruas. Segundo a assessoria de imprensa da PF, as investigações serão conduzidas pela delegacia do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.

Falta de cadastro

O nome da guia Gisele Martins dos Santos, que acompanhou o grupo de 29 adolescentes à Disney, não consta no cadastro do Ministério do Turismo. O Cadastur é o banco de dados onde são registrados os profissionais e estabelecimentos do ramo hoteleiro.

“O cadastro é obrigatório para os profissionais que atuam como guia de turismo. A profissão de guia é a única regulamentada por uma lei federal. Exercê-la sem qualificação ou cadastro é crime”, afirma Cristina Baumgarten, presidente da Federação Nacional de Guias de Turismo.

Ricardo Moesche, diretor de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico do Ministério, explica que a empresa poderá responder por colocar uma pessoa sem qualificação para coordenar um grupo turístico. Em nota, a Tia Augusta afirma que Gisele é “coordenadora de grupos” há 19 anos e que possui treinamento específico para a função.



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