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Bonecos do musical ‘Avenida Q’ divertem (ou ofendem) a plateia com piadas e canções ácidas

Fernanda Brambilla, fernanda.brambilla@grupoestado.com.br

À primeira vista, os bonecos coloridos remetem ao universo lúdico da infância. Mas basta o primeiro ato de Avenida Q para a lembrança se dissipar por completo. Personagens de índole duvidosa, que contam piadas de humor negro e entoam canções nada inocentes, embalam o musical adulto e politicamente incorreto, que estreia por aqui no sábado.

O comando fica com Charles Müller e Cláudio Botelho, dupla dinâmica pioneira do gênero responsável por ‘importar’ o roteiro de sucesso da Broadway e adaptar o texto à realidade brasileira. “O estranhamento do público com os bonecos dura cinco minutos, tempo que ele leva para perceber que não se trata de um musical clássico, mas de uma grande comédia”, conta Botelho.

Com o início das canções, o show já diz a que veio e o escracho melodioso pode chocar - e até ofender. Que Merda que eu Tô fala da falta de perspectiva profissional e do desemprego. Já Todo Mundo É meio Racista contém piadas de português e de estereótipos, bem exageradas. A Internet É Pornô vai além, com mímicas sugestivas quanto à utilidade da rede para adolescentes.

Manipulando uma ‘bocuda’ imigrante nipônica, a atriz Claudia Netto conta que a sátira nem sempre é bem-vinda. “No Rio, um homem me mostrou o dedo durante a música do racismo. Ele se ofendeu, não entendeu que era brincadeira”, lembra. E define: “Quem está na dúvida entende bem o que é o espetáculo assim que a Japoneuza (sua personagem) entra. Porque ela já chega chutando o balde.”

André Lima, que se divide entre as vozes de Princeton e Rod e o manuseio dos dois bonecos, conta que, para os atores, o esforço é dobrado. “Tem que ter preparo de atleta para conseguir ficar a serviço do boneco”, revela. Mas as figuras, complementa, têm a sua função. “São temas fortes, polêmicos, que ganham certa leveza por conta dos bonecos.”

No elenco, oito atores se revezam no manuseio de 16 bonecos. A decadente Avenida Q é o lar do recém-formado Princeton. Lá, ele conhece Kate Monstra, o casal Brian e Japoneuza, o gay enrustido Rod e um monstro. O zelador é Gary Coleman, uma frustrada ex-celebridade mirim.


DIVIRTA-SE

Avenida Q. Estreia no sábado, no Teatro Procópio Ferreira: R. Augusta, 2.823, 3083-4475. Quinta a sábado, às 21h; domingo, 19h.
Ingressos: R$ 70 a R$ 90. Classificação: 14 anos



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