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Deu no que deu
O que aconteceu no primeiro dia de vigência das restrições impostas pela Prefeitura à circulação dos ônibus fretados - protestos dos usuários desse tipo de transporte, lentidão média do trânsito acima do normal, mau funcionamento de muitos dos pontos de embarque e desembarque criados para os passageiros - era facilmente previsível, tendo em vista a forma improvisada e atabalhoada com que as mudanças foram adotadas e implantadas.
A situação ficou particularmente difícil, tanto de manhã como à tarde, nas imediações da Estação Santos-Imigrantes, da Linha 2 (Verde), do Metrô, como mostrou reportagem do Jornal da Tarde. Cerca de 200 ônibus fretados pararam no bolsão da Rua Guilherme Winter para o desembarque de 7,5 mil passageiros, entre 7 e 8 horas. A fila de veículos chegou à Avenida Ricardo Jafet, o que provocou congestionamento e dificultou a circulação de ônibus urbanos. Dentro da estação, passageiros esperaram até meia hora na fila para comprar bilhetes do metrô.
Casos semelhantes a esse ocorreram em vários outros pontos, o que fez com que, entre 7 e 10 horas, o índice médio de lentidão, de 31 quilômetros, fosse 40% maior do que o da segunda-feira da semana passada e 10% superior ao da última segunda-feira de julho de 2008. Não admira que, revoltados, os passageiros e outros que se sentiram prejudicados tenham promovido manifestações de protesto, com bloqueio de vias importantes - Avenidas Ricardo Jafet e Bandeirantes e Marginal do Pinheiros -, que ajudaram a piorar a situação.
Atribuir esses protestos a uma “postura intransigente de setores que se recusam a cooperar”, como fez a Secretaria Municipal de Transportes em nota oficial, é procurar fugir à realidade desagradável ou, como se diz, querer esconder o sol com peneira. Como assinalamos aqui quando essa medida foi anunciada, ela não se baseou em nenhum estudo técnico que recomendasse sua necessidade e indicasse sua viabilidade. Aí é que está a origem dos problemas que sua implantação vem enfrentando.
O fato de antes mesmo de sua aplicação ela ter sofrido alterações confirma que foi produto de improvisação. E os novos ajustes que o prefeito Gilberto Kassab prometeu fazer, depois da pouco feliz experiência do primeiro dia de vigência das restrições, só reforça essa conclusão. Agora, só resta ao prefeito e ao seu secretário de Transportes tentar limitar ao máximo, e rapidamente, os efeitos negativos de sua decisão, principalmente para evitar que a maior parte dos passageiros dos fretados opte por usar carro, porque, se isso ocorrer, vai complicar ainda mais o trânsito. E tomar consciência de que medidas desse tipo, que afetam a vida de milhões de paulistanos, exigem maiores cuidados.
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