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Quarta-feira, 22 julho de 2009   edições anteriores
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  Crack rende R$ 500 mil a traficantes

Três homens controlam a área e faturam até R$ 20 mil por dia

MARICI CAPITELLI, marici.capitelli@grupoestado.com.br

Três traficantes que controlam a venda de drogas na Rua Guaianases, na cracolândia, região central da capital, faturam entre R$ 18 mil e R$ 20 mil por dia, ou de R$ 500 mil a R$ 600 mil ao mês. A reportagem, que passou duas noites no local, confirmou a informação com três pessoas que têm acesso aos traficantes, flagrados fazendo a contabilidade e contando sobre os negócios em bares da região.

link Veja cenas exclusivas do esquema de venda de crack na região central da capital

Na edição de ontem, o Jornal da Tarde mostrou que a classe média compra crack na região. Por trás dos “noias” (usuários), existe um esquema de tráfico organizado não reconhecido pelas polícias Militar e Civil - afirmam existir pequenos vendedores na área, e não um comércio organizado.

A Secretaria de Segurança Pública não comentou os números do tráfico de drogas na cracolândia.

Governo do Estado e Prefeitura organizam uma operação conjunta para combater o crime e dar atendimento aos usuários. Devem ser ocupadas a cracolândia e outras localidades da região central (leia sobre a operação ao lado).

No centro nervoso da cracolândia, são três os traficantes conhecidos pelos moradores das ruas Guaianases e Vitória. Eles usam menores para distribuir a droga.

O mais famoso dos traficantes, chamado de Maurício, põe a família para trabalhar no comércio do crime. É auxiliado pelo filho Diego, de 18 anos, e pelo caçula, de 11 anos, conhecido como Capeta.

O menino atua no comércio das drogas e aterroriza os moradores. A mulher de Maurício, que já cuidou de um laboratório de crack em um hotel da região, e o filho mais velho estão presos. Diego e Capeta não são usuários de crack. Durante toda a noite e a madrugada, podem ser encontrados no ponto de venda da droga supervisionando o trabalho dos vendedores. A atuação deles foi acompanhada pelo JT.

Enquanto trabalha, Capeta também aproveita para se divertir: ameaça colocar fogo nos carros que trafegam pela rua e não compram drogas. Também aponta as mãos para os motoristas como se estivesse com uma arma. “Esse menino é nosso inferno. Ele nos ameaça de morte. Ficamos imaginando quando crescer”, diz um morador da região.

Maurício esteve preso por assalto. “Era um ladrão pé de chinelo aqui no bairro, mas saiu da prisão por cima e começou a vender droga. Desde que saiu em liberdade, passou a falar que integra o PCC ( a facção criminosa Primeiro Comando da Capital)”, conta um conhecido do traficante, que diz fazer a política da boa vizinhança. O traficante evita aparecer. Segundo conhecidos, vive na Avenida Rio Branco, perto dali.

Outro traficante que acompanha de perto as vendas de drogas é Bola Sete, que passou a madrugada da última sexta-feira na Rua Guaianases. Quando não conversava com os garotos que vendiam a droga, estava com meninas que trabalham para o tráfico.



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