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IPod por R$50 na feira do rolo na Guaianases
Não é só de crack que vive o comércio na cracolândia. A venda de celulares, iPods, tênis, sapatos, camisetas também corre solta a preços irrisórios nos pontos mais movimentados de venda de drogas. Um dos “vendedores” chega a montar uma banca improvisada na Rua Guaianases. Os demais são sacoleiros. Os compradores, além dos viciados, vão aparecendo, principalmente gente de fora. É a feira do rolo.
Os moradores da região suspeitam que seriam produtos roubados ou furtados, ou resultado da troca deles por pedras de crack. A reportagem flagrou três jovens entregando tênis em troca de droga.
Aparentando não mais que 16 anos, uma garota pode ser facilmente reconhecida na “feira”. Sempre de jeans e de banho tomado, ela não desgruda de um urso panda de pelúcia.
Mas a aparência doce contrasta com a voz rude, que discute com um viciado no meio da madrugada. A garota do panda havia vendido um iPod por R$ 50 e não tinha recebido o valor total. “Você só me deu R$ 40, não lembra? Quero o resto já!”
Um viciado passa oferecendo um celular. Aliás, vários deles têm celulares presos ao corpo, inclusive as crianças. Os preços dos aparelhos, segundo os moradores, varia de R$ 10 a R$ 50.
Outro rapaz troca um aparelho eletrônico (que a reportagem não conseguiu identificar) por uma garrafa de cachaça. “O que você tem de bom aí para vender?”, pergunta um garoto que mal consegue parar em pé, por conta do efeito da droga, para um vendedor. Este responde: “Hoje, camisetas de marca por R$ 5”. E a blusa vai passando de mão em mão. Um jovem quer droga. Não tem mais dinheiro. Tira o cinto da calça e troca pela tragada de crack em um cachimbo.
Os viciados da Rua Guaianases chegam a se aglomerar para olhar os produtos da banca improvisada. No meio deles, surge um homem de terno. Olha as mercadorias à venda e se decide por uma nécessaire cor-de-rosa. A banca apenas é desmontada quando passa uma viatura da Polícia Militar.
Os moradores contam que na feira é comum a venda de cervejas e xampus. “Também vendemos lanches, sucos ou outro tipo de comida que ganhamos. Aqui, ninguém dá nada para ninguém. Tudo tem valor”, diz uma viciada.
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