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Sábado, 18 julho de 2009   edições anteriores
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  Sorria, é Carlitos quem está no palco

Três sósias de Charles Chaplin se encontram e falam do espetáculo que rememora o artista

GILBERTO AMENDOLA, gilberto.amendola@grupoestado.com.br

É preciso ter um cacto no lugar do coração para não sentir alguma empatia por Carlitos, o vagabundo adorável e elegante criado por Charles Chaplin. Em 2009, em plena comemoração dos seus 120 anos, o ator e cineasta tem sido lembrado por aqui: teve missa na Catedral da Sé, projeto de levar seus filmes a escolas públicas e agora a peça Sorria, em cartaz na cidade há uma semana.

A reportagem do Jornal da Tarde levou outros dois Carlitos para conhecer Guily - diretor, autor e também o Carlitos da peça Sorria. Foram ao seu encontro Paulo Pastella, cover de Carlitos há 35 anos, e Francisco Chagas, um Carlitos de patins, e juntos eles explicaram por que o personagem de Chaplin tem um quê de sagrado.

No espetáculo Sorria, Guily encarna o Carlitos que aparece nos sonhos de uma estressada jornalista. “Quando entro no personagem não consigo dizer uma palavra. É o respeito pelo personagem mudo criado por Chaplin”, diz ele. “É uma emoção muito forte para um ator defender uma figura tão genial como Carlitos.”

O diretor e ator fala que sua ideia inicial era fazer uma peça reproduzindo as cenas mais marcantes dos filmes de Chaplin. Mas teve de desistir: “A filha do cineasta, Josephine Chaplin (que cuida dos direitos autorais e de imagem relacionados ao pai), foi contra. Acabei concordando com os argumentos dela. Carlitos no cinema é único. Não dá para reproduzir aquilo”, diz Guily.

Outro Carlitos, Paulo Pastella, já incorporou tanto o personagem que até sonha em preto e branco. “Acredito que sou a alma gêmea de Chaplin. Nossas vidas têm muito em comum.” Pastella revela que sua devoção por Chaplin começou aos três anos - quando viu sua mãe rindo ao assistir a um filme do artista. “Ela foi uma mulher muito importante na minha vida. Foi ela quem fez o meu primeiro chapéu côco com uma caixa de papelão.”

Pastella vai tão fundo no personagem que é possível reconhecer um tiquinho de tristeza em sua composição de Carlitos. “Ele é um personagem completo”, diz. A admiração de Pastella vai longe: ele se casou vestido de Chaplin e organiza, anualmente, uma já famosa missa na Catedral da Sé em homenagem ao artista.

Sua próxima empreitada é convencer os vereadores de São Paulo da relevância da criação do Dia do Sósia, que seria comemorado todo dia 16 de abril, data do nascimento de Chaplin. “Só não consegui ainda porque a imprensa fica no pé dos vereadores, achando que é só mais um dia de comemoração qualquer”, reclama.

Já Francisco Chagas é um Carlitos diferente. Ele se apresenta sobre patins, aproveitando-se de sua habilidade como patinador e ator do Holliday On Ice. “Me transformar em Carlitos é como vestir um manto sagrado. Quando tiro a maquiagem de Carlitos me dá uma tristeza. Tenho muito respeito por isso. Os patins é um diferencial para o meu trabalho. O próprio Carlitos usa patins em um dos seus filmes”, fala Chagas.

Mas não são só os intérpretes de Carlitos que se emocionam com o personagem. A atriz Priscila Beniamino, que além de fazer parte do elenco de Sorria também participa do projeto que leva filmes de Chaplin às escolas, sabe bem como a figura do adorável vagabundo atinge as crianças. “As crianças nem sabem quem foi Chaplin, nem conhecem sua criação, o Carlitos, mas quando assistem aos seus filmes, todos se identificam e entendem suas mensagem.”

Depois do encontro, Pastella e Chagas, os Carlitos covers, ficaram ansiosos para assistir a Guily em Sorria. “Quanto mais se fala de Chaplin, mais gente se interessa por sua arte e, consequentemente, por nosso trabalho como cover”, fala Chagas.

DIVIRTA-SE

Sorria.
Teatro Commune:
Rua da Consolação, 1218.
Preço: de R$10 a R$ 20.
Apresentações aos sábados, às 21h, e domingos, às 19h.
Classificação livre



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