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Assim o Nova Luz não sai do papel
A incapacidade que vêm demonstrando todas as autoridades que têm uma parcela de responsabilidade na questão – a começar pelas municipais, que têm a parcela maior – de resolver o problema constituído pela presença de usuários de drogas e traficantes na Cracolândia ficou mais uma vez evidente com a operação feita pela Polícia Civil no domingo para retirar 256 deles dessa região.
Na segunda-feira eles estavam de volta às Ruas Guaianases, Vitória e Conselheiro Nébias, para desespero dos moradores e comerciantes, porque os locais para onde haviam sido levados não tinham condições de alojá-los e muito menos de dar-lhes a assistência de que necessitam para enfrentar o vício da droga. Esse fato deixou à mostra a total falta de coordenação entre a Polícia e as autoridades municipais, que têm a obrigação de promover as ações sociais indispensáveis num caso como esse.
Ações policiais isoladas acabam por agravar o problema. Elas provocam revolta entre os viciados e, ao mesmo tempo, aumentam a frustração dos moradores e comerciantes da região, que, diante da incapacidade do poder público de ajudá-los, não sabem mais o que fazer para viver com um mínimo de sossego e segurança. Uma moradora da Rua Vitória, ouvida pela reportagem do Jornal da Tarde, resumiu bem a situação: “Não resolveu nada. Tivemos outra noite (segunda-feira) de inferno, com gritarias, brigas. E as portas amanheceram cheias de fezes e urina. Eles (os drogados) têm o direito de ficar nas ruas, mas nós perdemos o nosso de ir e vir.”
Não admira que os moradores e comerciantes estejam perdendo a paciência e apelando para ações agressivas, como as tentativas de afastar os viciados com paus, pedras, queima de pneus e água, jogada com mangueira ou canos – que a Prefeitura mandou retirar – colocados nas marquises de alguns prédios. Agora, ameaçam fazer protesto paralisando uma das avenidas do centro e advertem que, com os ânimos exaltados como estão, é possível ocorrer uma tragédia.
Como já assinalamos aqui, enquanto o problema dos dependentes e traficantes de drogas, que deram nome à Cracolândia, não for resolvido, o ambicioso Projeto Nova Luz, de revitalização da região, não sairá do papel. Por mais corretas e ambiciosas que sejam as medidas urbanísticas e fiscais constantes do projeto, já adotadas ou em vias de adoção, como se conseguirá atrair empresas e novos moradores para a região, se a Prefeitura e a Polícia não garantem a tranquilidade e a segurança da população e do comércio ali já instalados?
Retirar os dependentes das ruas e tratá-los é uma tarefa realmente difícil. E, quanto mais a Prefeitura demorar a adotar as ações sociais e de assistência médica que o caso exige, mais difícil ainda ela se tornará.
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