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Sexta-feira, 3 julho de 2009   edições anteriores
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  Paris sem os clichês, mas com encanto

Juliette Binoche estrela comédia que reúne histórias cotidianas da capital francesa

FERNANDA BRAMBILLA, fernanda.brambilla@grupoestado.com.br

A descoberta de uma grave doença no coração transforma a vida do bailarino Pierre. O perigo e a proximidade da morte o obrigam a mudar a rotina, e isso traz uma reação em cadeia que se desenrola pelas vielas de Paris. A capital francesa é o elo de ligação da ciranda de Paris, comédia que chega hoje aos cinemas brasileiros.

Mas é a partir da irmã de Pierre (Romain Durisb), Élise, interpretada pela diva francesa Juliette Binoche (famosa pelos filmes A Liberdade é azul, de 1993, e Chocolate, de 2000), que as histórias se desenrolam. Para cuidar do irmão enfermo, Élise muda-se para o apartamento dele com os filhos. Mãe solteira, ela se tornou uma mulher amargurada após ter sido deixada pelo marido. É se aproximando de Pierre que ela retoma o ânimo e passa a ser mais otimista. Angustiada em vê-lo passar os dias sozinho em seu apartamento, observando o movimento da rua e os vizinhos de sua sacada, Élise tenta se aproximar de uma jovem que mora no prédio do outro lado da rua.

A estudante, porém, também é objeto de desejo de seu professor da universidade, o cinquentão Roland (Fabrice Luchini), que não tem coragem de se aproximar da aluna, mas a instiga com mensagens anônimas pelo celular.

Também o professor tem sua própria história - e seus conflitos - a serem explorados. Em crise familiar e profissional, ele aceita trocar os estudos na biblioteca por aparecer em frente às câmeras em um programa de TV sobre Paris e seus encantos turísticos. Com ajuda de um terapeuta, faz as pazes com o irmão Philippe, um arquiteto de sucesso que acaba de ser pai.

De volta a Élise, é na ida diária à feira no centro de Paris que ela conhece um grupo animado de vendedores de frutas. Com a convivência diária, ela se torna amiga dos comerciantes, que também eles, claro, têm suas dificuldades. Mas a dura jornada que começa antes do amanhecer se torna mais prazerosa quando um grupo de universitária, inclusive a namoradinha do professor, decide visitar o galpão onde os caminhões são abastecidos de produtos.

Pierre, por sua vez, é consumido pela doença e, sem fôlego, se limita a observar outras vidas e a andar pelos arredores de casa.

Na padaria de sua rua, se depara com uma jovem funcionária, que precisa vencer o preconceito da dona do estabelecimento para manter o emprego. Em meio a tantos pequenos dramas cotidianos, o racismo é pincelado pelo diretor, assim como a questão política dos imigrantes ilegais no país, ao mostrar a arriscada travessia de um camaronês rumo à Europa.

Assim, uma outra Paris além dos encantos da torre Eiffel se revela - não menos encantadora.



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