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Ladrões usam bicicleta e até skate na Av. Paulista
PM confirma 8 casos neste ano, mas admite que número de ocorrências pode ser maior. Pedestres distraídos são o alvo preferido
FELIPE ODA e CAMILLA HADDAD
Ladrões usando bicicletas têm aproveitado a distração de pedestres e as calçadas reformadas da Avenida Paulista, mais lisas, para atacar as vítimas e roubar celulares e bolsas. A Polícia Militar confirma 8 casos no ano, mas não descarta haver um número maior de ocorrências, por conta da subnotificação dos crimes. Pessoas que trabalham e estudam na região afirmam que os criminosos também utilizam skates.
De acordo com o major Wanderley Barbosa Filho, comandante do 11º Batalhão da PM, que cobre a área da Paulista, os ataques costumam acontecer aos finais de semana e feriados, entre as 10 horas e as 16 horas, e os assaltantes não usam armas. “Durante a semana, o fluxo de pessoas, em sua maioria trabalhadores, é rápido e objetivo. Nos fins de semana, as pessoas estão passeando e com possibilidade maior de distração. Porém, esse é um crime de ocasião e não segue um padrão rígido, mas sim oportunidades observadas pelo infrator.”
O secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, diz que a reforma da Paulista trouxe novos problemas para a via, entre eles os assaltos de bicicletas (leia abaixo).
Nem mesmo os cerca de 30 PMs que circulam pela região e as 17 bases móveis, cada uma com um policial, espalhadas ao longo dos 2,4 quilômetros da via evitam as ações dos criminosos. Numa delas, a operadora de caixa Kelly Mateus, de 18 anos, foi assaltada em uma sexta-feira, às 23 horas, após sair do Shopping Paulista, onde trabalha. O crime aconteceu em um ponto de ônibus, próximo à Praça Oswaldo Cruz. A jovem contou que atendeu uma ligação da mãe e minutos depois um rapaz em uma bicicleta arrancou o aparelho de sua mão. A força do assaltante foi tão forte que o brinco usado pela jovem também foi arrancado. Depois do susto, Kelly passou a evitar sair do trabalho sozinha. Pede a colegas que a acompanhem e mudou de ponto de ônibus. “Passei a esperar o coletivo em um trecho mais movimentado.”
No mês passado, o entregador Rodrigo Pereira, de 20 anos, foi abordado nas proximidades da Rua Augusta. “Eu estava indo encontrar um amigo na lanchonete. Foi muito rápido. Fiz a ligação para saber onde ele estava e, quando vi, um adolescente numa bicicleta velha saiu correndo pela Augusta”, conta. O rapaz diz ter procurado a PM, mas preferiu não fazer boletim de ocorrência. “Nada traria meu celular de volta mesmo. O jeito foi comprar outro.”
A modelo Camila Santana, de 23 anos, foi pega na mesma região. Ela conta que ia para uma agência de talentos quando um menino, de moletom e boné, e em uma bicicleta, pegou o celular dela. “Eu tinha um aparelho prateado, de uns R$ 700, havia ganhado de Dia dos Namorados”, conta.
Os amigos Fernanda Soares e Robson Mateus, ambos de 17 anos, lembraram de dois episódios. Fernanda foi surpreendida na Pamplona e Mateus perto da Brigadeiro Luís Antonio. “Isso é muito comum aqui na Paulista. Pergunte a qualquer pessoa e elas saberão de um caso”, afirmou a garota. Ela disse ainda que viu um rapaz sendo abordado por um skatista, por volta da meia-noite.
Dona de uma banca de jornais, Vanda Lima afirma ter visto um médico do Hospital Santa Catarina ser roubado em um sábado de manhã. “Era um celular chique e bem grande.”
Segundo o major Barbosa, os crimes relatados confirmam a falta de planejamento dos criminosos. “As vítimas são escolhidas pela ocasião. Os distraídos são os alvos do agressor.” Para a PM, não há uma gangue específica, mas sim um modo de atuação criminal semelhante. “Eles (os bandidos) também não são tão eficazes. Dos 8 casos registrados, três assaltantes foram presos em flagrante por policias a pé”, diz. Segundo ele, os ciclistas estão sendo orientados a não circularem pelas calçadas, obedecendo as normas do Código de Trânsito Brasileiro.
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