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Neto de Sarney opera crédito investigado pela PF
Rodrigo Rangel e Rosa Costa
Alvo de investigação da Polícia Federal, o esquema do crédito consignado no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). Desde 2007, a Sarcris Consultoria, empresa de Adriano, recebeu autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos a servidores com desconto na folha de pagamento.
Adriano diz que seu ‘carro-chefe’ no Senado é o banco HSBC. Indagado sobre o faturamento anual da empresa, ele afirmou, lacônico: “Menos de R$ 5 milhões”.
A intermediação de empréstimos consignados virou mina de dinheiro. O nicho de negócio, no Senado, é propriedade de familiares dos donos do poder. A PF apura suspeita de corrupção e tráfico de influência envolvendo o negócio.
Filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA), Adriano abriu a empresa quatro meses após o então diretor de RH da Casa, João Carlos Zoghbi, inaugurar a Contact Assessoria de Crédito, que ganhou R$ 2,3 milhões intermediando empréstimos junto a grandes bancos.
O nome Sarcris é referência aos sócios - Sarney, o neto do presidente do Senado, e Christian Alexander Hrdina, ambos de 29 anos. A empresa começou a funcionar em 26 de fevereiro de 2007. Na Receita Federal, foi registrada como “correspondente de instituição financeira”, mas sua localização é mistério, pois não existe nos endereços que declara nos documentos.
A Sarcris está autorizada a operar em nome da Caixa Econômica Federal, dos bancos Fibra e Daycoval. Mas o banco HSBC é seu principal parceiro no Senado - e também em outros órgãos públicos, como o Superior Tribunal Militar e o Tribunal de Justiça. “Trabalhei no HSBC por um ano e meio, em São Paulo. Quando voltei para Brasília decidi abrir o negócio”, diz Adriano. Ele nega que o fato de ser neto do presidente do Senado tenha favorecido sua empresa: “Não estou ganhando dinheiro porque sou neto de Sarney”.
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