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Pequenas usam o Twitter para fazer negócios a custo zero
Nova mania da internet pode ser oportunidade de se aproximar do público, desde que o conteúdo seja atraente
PAULO DARCIE, paulo.darcie@grupoestado.com.br
O casal Juan Fernandes e Tathiana Fillipini não chegou a gastar R$ 1 para colocar a Tix Turismo para funcionar. A empresa, criada há dois meses e que vende pacotes de turismo, passagens aéreas e viagens, não tem uma sede “física” e seus clientes são atraídos por meio de seu site, do blog, da comunidade no Orkut e até do Twitter, a mais nova opção de rede social da internet.
O Twitter é uma espécie de “microblog”, em que o usuário escreve textos com limite de 140 caracteres. Suas mensagens são recebidas por todos os usuários que optaram por “seguir” aquele perfil.
A ferramenta surgiu em 2006, mas só em 2008 despontou como uma febre entre usuários que apenas querem relatar o que acontece no seu dia a dia, e até empresas que a utilizam para contatar seus clientes. No mundo todo, das micro às multinacionais, empresas tentam aproveitar a novidade. No Brasil, na semana passada, a construtora Tecnisa alardeou em seu perfil, seguido por 800 pessoas, a venda de um apartamento de R$ 500 mil concretizada com ajuda da ferramenta.
Também na semana passada, a Tix deu um passo menor em valor, mas não menos significativo: “Vendemos um pacote para cinco pessoas para Buenos Aires pelo Twitter. Já tinha vendido várias passagens assim”, comemora Fernandes, o responsável pela divulgação da empresa nas redes. Foi ele quem desenhou o site da agência, faz as postagens no Twitter e em outras redes e é o encarregado por responder às perguntas dos interessados. Depois de feito o primeiro contato, sua mulher é quem trata de fechar o negócio.
“Trabalhamos com 40 operadoras de turismo e recebemos pelo menos duas propostas de promoções por semana, que eu posto no Twitter. A procura tem sido boa”, afirma ele. “Fiz também contatos com hotéis no exterior, que podem se tornar parceiros no futuro”, conta. Até sexta-feira, a Tix tinha 513 seguidores.
Conhecer o público
A rede pode ser explorada em dois sentidos, que é o que grandes empresas têm tentado fazer: além de divulgar a marca, o Twiter pode ajudar a empresa a saber um pouco mais sobre a percepção que o público tem dela, acompanhando o que for postado a respeito dela e de seu trabalho, permitindo-a responder e interagir.
É essa interação que busca a Endossa, loja colaborativa de roupas e acessórios que usa a comunidade. A loja “aluga” suas prateleiras para os interessados em vender por lá e impõe uma meta de vendas. Se a meta não é atingida, o espaço muda de mãos, dando chance para outro colaborador.
Em seus posts, a loja tenta se aproximar do público divulgando novidades das prateleiras e até informando o que está tocando na loja no momento. Mesmo com um número bom de seguidores - 416 até sexta-feira - Carlos Margarido, um dos sócios do negócio, sabe que dá para melhorar.
“É difícil fazer a outra parte. Não dá tempo para seguir nossos seguidores e ver o que estão achando dos nossos posts e de nossa loja”, afirma Margarido.
“É uma ferramenta muito útil, se for utilizada com planejamento”, afirma José Carmo Vieira Oliveira, consultor de marketing do Sebrae-SP, o serviço de apoio às pequenas e microempresas. “Mas não é porque você é um usuário que conseguirá benefícios para a empresa se não for levado a sério”, diz.
O professor de estratégia de comunicação digital da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Vicente Mastrocola, aprova a entrada de empresas na rede, mas alerta: “Assim como as outras redes sociais, ele não é a salvação da lavoura. Não adianta pensar que ele vai alavancar um negócio, se ele não tiver consistência”.
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