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Quarta-feira, 3 junho de 2009   edições anteriores
POLÍTICA
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  Nota de R$ 5 mil indica ‘desvio’ para campanha

Sócio da MDMG diz que ‘vendeu’ nota ao dono da firma que prestou serviço eleitoral para vereadora

FABIO LEITE, f.leite@grupoestado.com.br

Uma nota fiscal no valor de R$ 5 mil é a mais forte indicação de que a vereadora Noemi Nonato (PSB) usou dinheiro da verba de gabinete para pagar contas da sua campanha à reeleição em 2008, como investiga o Ministério Público. A nota foi emitida pela MDMG Produções em setembro, em nome da vereadora e com endereço da Câmara Municipal, para serviço prestado pela Ganesh Multimídia, contratada por Noemi para fazer o site e impressos eleitorais.

Um dos sócios da MDMG, André Rosário, confirmou ontem que emitiu duas notas para o dono da Ganesh, F.V., de 26 anos - que pediu para não ser identificado. F. disse que, como a Ganesh tem apenas Cadastro de Contribuinte Municipal, usou nota fiscal de outra firma para o recebimento.

“Foram duas notas: uma de R$ 5,5 mil em agosto e outra de R$ 5 mil em setembro, no nome dela (Noemi) e com endereço da Câmara”, afirmou Rosário.

Na prestação de contas

O JT apurou que ao menos a nota de setembro de R$ 5 mil foi apresentada por Noemi na prestação de contas da verba de gabinete, um benefício de R$ 14,8 mil mensais pago pela Câmara para custear despesas de mandato.

Não há nenhum registro de pagamento à MDMG ou à Ganesh na prestação de contas da campanha de Noemi ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ao todo, a vereadora gastou R$ 400,9 mil na eleição do ano passado.

Anteontem, o JT havia revelado que a Promotoria de Cidadania do Ministério Público já investiga uma denúncia de que Noemi pagou R$ 15 mil com a verba da Câmara por serviços prestados para a sua campanha. O caso está sob sigilo de Justiça. A acusação foi confirmada pelo ex-chefe de gabinete da vereadora, Eraldo Caetano, e pelo dono da Ganesh.

“Tínhamos acertado três (parcelas) de R$ 5,5 mil. No fim, ele (Caetano) veio com história de que a Câmara só podia pagar até R$ 5 mil e levei calote de R$ 1,5 mil”, relatou o dono da Ganesh Multimídia, que disse ainda ter recebido a quantia em espécie das mãos de Caetano, dentro do gabinete de Noemi.

O ex-funcionário confirma o serviço, mas diz que a vereadora tinha “total conhecimento” do caso, afirmando que, em e-mail, pessoa ligada à empresa confirma ter tratado pessoalmente do pagamento com ela. Caetano também disse que avisou Noemi sobre o problema de pagamento. Ela nega acusações.

E-mail sob investigação

Em outro e-mail, de 3 de novembro, F. cobra de Caetano os pagamentos: “Gostaria de saber quando é que a Câmara Municipal vai liberar o dinheiro das duas notas fiscais que emiti do trabalho publicitário que desenvolvi para a campanha da vereadora”. O e-mail é analisado pela Promotoria.

Já o corregedor da Câmara, Wadih Mutran (PP), disse que aguarda denúncia formal contra Noemi para abrir investigação na Casa. Se for constatada quebra de decoro, ela pode ser cassada.

ENTENDA O CASO

Em abril, o JT revelou que o Ministério Público investiga denúncia de cobrança de “pedágio” nos salários dos funcionários que atuam no gabinete de Noemi Nonato. Ela nega e culpa ex-assessor.

Na última 2ª feira, o JT noticiou nova apuração do MP, desta vez sobre denúncia de que Noemi teria usado verba de gabinete da Câmara Municipal para pagar dívida de campanha com a firma Ganesh Multimídia, que fez sites e impressos para eleição. Ela também nega.



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