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Quarta-feira, 3 junho de 2009   edições anteriores
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  R-99B, a estrela da operação

Avião da Embraer que localizou destroços do Airbus é usado na segurança da Amazônia

Roberto Godoy, Andrei Neto e Vitor Hugo Brandalise

Foi uma façanha e tanto a localização dos primeiros destroços do A330 pelo jato R-99B. O avião, definido pela Embraer como multi-inteligência, é empregado em missões de coleta de informações. Na madrugada de ontem, no meio do Oceano Atlântico, atuou como numa operação de localização de alvos: operando os sensores térmicos e o radar sintético, além de recursos considerados secretos, o R-99B escaneou a superfície marítima. Em menos de duas horas, localizou placas que poderiam ser da fuselagem do Airbus, uma poltrona, um flutuador, detritos diversos. Com base nesses dados, um avião C-130 seguiu para o local e fez a confirmação visual.

A aviação militar do Brasil mantém no ar, todo os dias, desde 2002, esse aparato de vigilância. A partir da base aérea de Anápolis, a 140 km de Brasília, os jatos R-99 Bravo do Esquadrão Guardião realizam missões cotidianas - registram imagens de incêndios florestais, superfícies desmatadas, áreas de conservação, atividades irregulares de garimpagem, mineração ou demarcação de terras. As informações são recolhidas e podem ser transferidas em tempo real para centros terrestres.

O esquadrão tem oito aviões disponíveis. Cada um custa cerca de US$ 80 milhões. Cinco deles são do tipo R-99 Alfa, de alerta antecipado e comando aerotransportado, que levam uma antena Erieye. O equipamento sueco pesa quase 1 tonelada e tem alcance no limite entre 360 e 400 km. Mas o outro time foi o que brilhou na busca dos destroços do Airbus. Guarnecido com três unidades da versão R-99 Bravo, é o que serve diretamente à vigilância da Amazônia. A rigor, é um avião espião.

Como principal componente embarcado há o radar de abertura sintética, que permite uma varredura de área feita de forma a não revelar sua presença. O alcance é estimado em 400 km². Com ele seguem um produtor de imagens digitais e um sensor ótico infravermelho, para visão noturna. Os jatos operam dia e noite e sob quaisquer condições meteorológicas. O R-99A/B é construído pela Embraer, em São José dos Campos. Com um deles, do tipo B, o Esquadrão Guardião realizou outra missão militar, em junho de 2003.

O jato decolou de Anápolis com a missão - negociada diretamente pelo presidente Lula com o colega do Peru, Alejandro Toledo - de apoiar uma ação de resgate de 74 reféns tomados pela guerrilha na província de Ayacucho. A maioria das vítimas era de funcionários da empresa Techint, que construía um oleoduto. Bastaram duas horas de voo sobre a mata para monitorar as comunicações entre os sequestradores e definir a localização do cativeiro. Forças Especiais do Exército peruano chegaram ao local em 45 minutos.

Ontem, a Aeronáutica ampliou para sete o número de aeronaves destacadas para as buscas pelos destroços do Airbus. Durante todo o dia, os aviões de maior autonomia - três Hércules C-130 e o Amazonas SC-105 - realizaram sobrevoos para varredura visual de sinais da aeronave.

O primeiro navio da Marinha destacado para as buscas, o navio-patrulha Grajaú, deve chegar ao local onde foram encontrados os destroços hoje, por volta das 18 horas. A fragata Constituição deve chegar ao local por volta das 9 horas de amanhã e a corveta Caboclo, às 12 horas. Três navios mercantes (dois de bandeira holandesa e um da França), cuja rota cruzaria o local, também foram acionados pela Marinha - por enquanto, não encontraram destroços.

Na manhã de ontem, duas embarcações que estavam de sobreaviso - a fragata Bosísio e o navio-tanque Gastão Mota - deixaram a base da Marinha no Rio. Devem chegar ao local estimado como ponto de desaparecimento do Airbus, a cerca de 1.100 quilômetros de Natal (RN), no sábado, segundo a Marinha.

Entre as embarcações mobilizadas pela Marinha francesa, está o navio de explorações e buscas Pourquoi Pas - “Por que não?”, em francês -, do Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar (Ifremer). Um dos diferenciais do barco é conduzir o robô-submarino Nautile, cujos sonares fazem leitura do fundo do mar em profundidades de até 4 mil metros.



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