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Quarta-feira, 3 junho de 2009   edições anteriores
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  Destroços são avistados por 5 km

Alberto Komatsu

Destroços do avião Airbus A330 da Air France foram identificados a 1,2 mil quilômetros de Recife, na madrugada de ontem, por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). A confirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Segundo ele, não foram vistos corpos ou sobreviventes. Foi detectado um rastro de 5 quilômetros de materiais metálicos e não metálicos que, diz o ministro, comprovam ser o avião da Air France.

Jobim afirmou que não há limites para os trabalhos de busca, que continuarão numa área de 9.785 quilômetros quadrados, fixada pela Marinha e pela Aeronáutica. Foi dentro desse espaço que os destroços foram avistados pelas aeronaves da FAB, numa região a 93 quilômetros dos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, no território brasileiro (veja quadro).

Jobim disse que o que for encontrado nessa região, “de corpos, sobreviventes”, será embarcado em navios que começam a chegar hoje. Segundo ele, serão três navios em dois dias.

O ministro afirmou que os destroços foram avistados em sequência. De acordo com ele, o primeiro contato visual foi feito por um avião da FAB dotado de sensores (R-99), que detectou restos do avião por volta da 1 hora de terça-feira. Às 5h37, outra aeronave da FAB, um Hércules KC-130, viu manchas de óleo. Às 6h49, foi identificada uma poltrona de avião. Por último, às 12h30, o KC-130 detectou os cinco quilômetros de destroços no mar.

“Cinco quilômetros de materiais não é de supor que a maré tenha reunido. A existência da poltrona, do óleo, a identificação do R-99 e agora, complementando com os 5 quilômetros (de destroços), nós temos uma posição de que isso é do Airbus da Air France', afirmou Jobim. Os trabalhos de buscas serão complementados com um navio de abastecimento de combustível.

O material recolhido será levado a até 250 milhas próximas a Fernando de Noronha. Desse ponto, dois helicópteros carregarão o que for encontrado até o arquipélago. Esse limite foi estabelecido por causa da autonomia dos helicópteros, que fazem voos de ida e volta que somam 500 milhas.

Mais três embarcações mercantes (duas holandesas e uma francesa) que já se encontram no local próximo à visualização dos destroços vão apoiar os trabalhos de buscas.O trabalho de perícia será realizado pela Polícia Federal junto com o Instituto Médico Legal (IML) de Recife. Isso porque todo o material recolhido será levado de avião de Fernando de Noronha para a capital pernambucana.

Entre os destroços , há ainda um indício de que pode ter ocorrido uma tentativa de evacuação da aeronave. “Não podemos descartar essa possibilidade (de encontrar sobreviventes). Existiam quatro botes no voo e se só um foi avistado, outros podem estar perdidos no mar”, disse um tenente à reportagem, que pediu para não ser identificado. Há ainda a possibilidade de que os botes tenham se desprendido dos bancos durante a queda da aeronave.

As investigações sobre as causas do acidente serão conduzidas pelas autoridades francesas, conforme tratados internacionais e normas da Organização de Aviação Civil Internacional. Jobim adiantou, porém, que será um trabalho de “grande dificuldade”, sobretudo para encontrar a caixa-preta do A330: a região do acidente tem profundidades de até 3 mil metros. A esperança é que equipamentos franceses e americanos consigam localizar a caixa-preta.



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