estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   
Tabelas do esporte
BLOG
Advogado de Defesa
 
 
  
      Busca local   
Quarta-feira, 3 junho de 2009   edições anteriores
CIDADE
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  As mensagens finais

Avião da Air France enviou ao menos 6 alertas, que indicam uma sequência de falhas em equipamentos essenciais

DANIEL GONZALES, daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Quatro minutos se passaram desde os primeiros sinais de problemas elétricos no avião da Air France que fazia o voo 447 (Rio - Paris)até o desaparecimento da aeronave nas águas do Oceano Atlântico, na noite de domingo, com 228 pessoas a bordo. O Airbus A330 enfrentou, em seus últimos instantes, entre as 23h10 e as 23h14 (horários de Brasília), uma sequência de falhas elétricas e de equipamentos fundamentais ao voo, que levaram à perda dessas informações na cabine de comando.

link Acompanhe as notícias sobre o desaparecimento do avião da Air France

Nesse período, o jato enviou pelo menos seis mensagens escritas automatizadas, digitais, aos computadores da Air France, em tempo real, por meio do sistema Acars (Aircraft Communication Addressing and Reporting System, Sistema de Comunicação e Informação). O teor de parte dessas mensagens foi obtido pelo Jornal da Tarde com uma fonte da companhia e, ontem, era discutido em fóruns de pilotos na internet.

Os comunicados, que trazem uma série de siglas e números, foram traduzidos por um comandante de Airbus e mostram que o jato alertou sobre a perda de sistemas e tentativas de correção dos parâmetros eletrônicos, que entraram em pane generalizada.

Segundo as mensagens, falharam sistemas de referência como o Adiru (unidade que informa nas telas da cabine dados como altura e velocidades vertical, no ar e proa) e houve falha elétrica no computador principal de voo, entre outros sistemas. Uma linha elétrica secundária chegou a assumir o comando do fly-by-wire, rede de cabos elétricos que enviam sinais para movimentar as superfícies de comando do jato - sem o que o controle do avião é virtualmente impossível (veja quadro).

Os registros Acars começam às 23 horas, 10 minutos antes do início dos problemas com equipamentos. Neste horário, o comandante enviou uma mensagem manual informando de que atravessava uma área de forte turbulência acima de cúmulus-nimbus, nuvens negras de chuva carregadas de eletricidade e com fortes rajadas de vento. Até ali, o voo transcorria normalmente.

Dez minutos depois, outro comunicado dava conta de que o sistema de piloto automático havia sido desconectado, não se sabe se intencionalmente ou não. “Pode ser um indício de que houve tentativa de desviar daquela região. Mas o controle manual de um jato em grande altura, no entanto, é extremamente difícil”, diz o piloto de jatos Ricardo D'Amore. Faltam, diz, referências externas, e a vibração do avião aumenta.

Os primeiros indícios de problemas elétricos surgiram na mensagem seguinte, ainda às 23h10, na qual o A330 diz estar voando em regime de alternative law - o que indica falha no sistema principal de energia elétrica e desvio de potência para linhas auxiliares de força, para manter a navegabilidade.

Mas não foi suficiente. Nos próximos dois minutos, pelo menos dois relatos eletrônicos chegaram, informando falhas nos sistemas de coleta e exibição de informações de voo. Um minuto depois, às 23h13, falharam o computador primário de voo - Prim1, segundo a mensagem - e um sistema auxiliar, Sec1, responsável por comandar os spoilers, partes móveis da asa usadas em pousos.

A última mensagem veio às 23h14, mostrando o aumento na “velocidade vertical da cabine”. Segundo pilotos, isso significa que o ar externo penetrou na aeronave, o que pode indicar despressurização ou mesmo que, a essa altura, o A330 já estivesse em queda.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual a importância do resgate dos destroços do A330?

Primeiro, os pedaços encontrados podem identificar o avião que fazia o voo 447, confirmando a queda. De acordo com a quantidade de material, os peritos poderão reconstituir a nave, ou parte dela, e conhecer as causas do acidente

Os destroços estão na mesma região em que o avião caiu?

Não se sabe. Se houve uma explosão severa da aeronave, os destroços ficaram espalhados por vários quilômetros. As correntes marítimas naquele trecho do oceano Atlântico também empurram os pedaços rumo ao litoral brasileiro

O que são os pontos laranjas que pilotos dizem ter avistado?

Não se sabe. Uma das hipóteses é que eles podem ser fogo provocado pelo combustível do avião, que não se mistura com a água

O avião se despedaçou quando ainda estava no ar ou se espatifou ao chocar com o mar?

Ainda não se sabe como foi a queda. A princípio, um jato em queda livre após uma despressurização severa, como ocorreu com o A330, tende a se desintegrar no ar, mesmo sem que ocorra uma explosão como foi o caso do Boeing 737 da Gol em 2006. O processo pode espalhar milhares de pedaços pelo oceano

Por que o comandante do voo não fez contato por rádio para falar sobre os problemas do jato?

Não há explicação, ainda, sobre a falta de comunicação. Isso pode indicar que o problema que afetou a aeronave foi repentino e severo, sem dar tempo para que a tripulação entrasse em contato por rádio com os controladores de voo

Há a possibilidade de o avião ter ficado sem instrumentos de navegação e ter se acidentado?

É uma das hipóteses levantadas por pilotos e experts em segurança de voo. Não há explicação para o início desses problemas que teriam provocado o pane nos instrumentos.

Qual país ficará responsável pelas investigações das causas do acidente?

A França, por ser país fabricante do avião e sede do registro da aeronave, vai gerenciar as investigações. O Brasil ficará responsável pelo resgate dos corpos e dos destroços



    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.