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Sem cargos, oposição 'chia' e ameaça obstrução
Eugênia Lopes
O governo ficou com os dois postos de comando da CPI da Petrobrás para investigar supostas irregularidades na estatal e na Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em represália, o DEM e PSDB resolveram entrar em obstrução para tentar impedir a votação de propostas de interesse do Palácio do Planalto. A ideia dos oposicionistas é não deixar votar medidas provisórias como a que cria o Fundo Soberano e a que autoriza a União a emprestar R$ 100 bilhões ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Se eles (governistas) têm número para eleger o presidente e designar o relator da CPI, vamos fazer valer nosso ponto de vista e entrar em obstrução. O entendimento era para que ficássemos com a presidência”, disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN), após ser informado pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que a oposição não ficaria com nenhum cargo de comando da CPI.
“Criar uma CPI é direito constitucional da minoria”, disse Renan. “Mas quem vai ser o presidente é um processo da maioria.
A decisão de atropelar a oposição foi tomada na segunda-feira, após e encontro de Renan com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O peemedebista era favorável a um acordo e argumentava que o governo não deveria “mexer com os brios da oposição”.
Os 11 titulares e 7 suplentes da CPI seriam indicados ontem à noite. A expectativa era que a relatoria ficasse com o PMDB, enquanto a presidência com um petista.
Os petistas João Pedro (AM) e a líder do governo no Congresso, Ideli Salvati (SC), eram os mais cotados para presidir o inquérito. No PMDB, Valdir Raupp (RO) e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), eram as opções.
As negociações começaram ontem cedo com maratona de reuniões. Em rota de colisão com Renan, o senador Aloizio Mercadante, líder do PT, foi afastado das articulações e convencido a não participar da CPI da Petrobrás.
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