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Prefeitura falha no serviço de sinalização de trânsito
Faixas apagadas, lombadas e ruas recapeadas sem pintura e placas em conflito com indicações no solo estão cada vez mais comuns nas vias de São Paulo. CET e Secretaria das Subprefeituras não se entendem sobre o problema
Daniel Gonzales e Renato Machado
A sinalização de trânsito nas ruas e avenidas paulistanas, essencial para a garantia da segurança de motoristas e pedestres, apresenta falhas que vão da ausência de pintura separando faixas de rolamento ou indicando a presença de lombadas ao conflito de informações entre placas e indicações no solo em um mesmo local.
A burocracia municipal impede que a sinalização seja feita com mais agilidade. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) diz que a reposição da sinalização em vias que passaram por recapeamento depende de liberação de dinheiro por parte da Secretaria Municipal de Subprefeituras. A secretaria, por sua vez, diz que já disponibilizou um repasse neste ano (de R$ 1,5 milhão, no mês passado) para os trabalhos e que, agora, é a CET quem deve agilizar os serviços.
Em alguns casos, o descompasso entre o recapeamento e a repintura da sinalização chega a levar dois anos, como nas Avenidas Vital Brasil e Eliseu de Almeida, no Butantã (zona oeste). Recapeadas respectivamente em 2007 e 2008, as duas vias têm trechos que, até hoje, não têm faixas de rolamento, gerando insegurança para os motoristas e aumentando o risco de acidentes.
A extensão quase total da Avenida Francisco Morato, na zona sul, também está sem faixas separando as pistas de tráfego há um ano e meio.
Enquanto a verba não aparece, os motoristas têm que enfrentar os riscos sozinhos. “Eles varam as lombadas porque não conseguem vê-las. Alguns, por causa do impacto, deixam os para-choques para trás”, diz a estudante Marta Reimberg, de 27 anos, que mora perto de um trecho sinuoso de 5 km da Avenida Sadamu Inoue, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, recapeada em 2006 e sem sinalização adequada até hoje.
Ali, os quebra-molas ficaram completamente sem pintura e ainda estão em um trecho com iluminação pública deficiente. Ela conta que os moradores da região já pediram para a CET pintar as lombadas, mas até agora não foram atendidos. “De que adianta recapear o asfalto e deixar a avenida do jeito que está?”, questiona.
Av. dos Bandeirantes
Outro exemplo da falta de faixas horizontais - no asfalto - está na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul da capital. Grande parte da via teve a sinalização apagada após o recapeamento no final do ano passado, realizado para tapar buracos e corrigir desníveis. Os piores trechos estão entre a Av. Engenheiro Luís Carlos Berrini e o Viaduto Santo Amaro.
“Sempre tem um carro que para no farol no meio das pistas”, diz o ambulante Aílton Gonçalves. “Não sei se eles não conseguem manter a linha porque não tem faixas ou se eles querem ficar no meio para sair onde andar mais rápido”, diz.
Alguns trechos também apresentam faixas apagadas simplesmente pelo desgaste das tintas, por causa do trânsito intenso. É o caso das pistas da Marginal do Pinheiros após a Ponte Eusébio Matoso (sentido Interlagos), em que as faixas estão praticamente imperceptíveis. A sinalização foi ainda prejudicada pelo recapeamento de um trecho da via, que apagou todas as faixas que ficam ao lado do muro do Jockey Clube. Colaborou Marcela Spinosa
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