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SP cria 72 mil vagas
Saldo em abril volta ao patamar pré-crise; Em setembro de 2008, a diferença entre contratações e demissões foi positiva em 72,3 mil no Estado, patamar semelhante ao atingido agora. Números nacionais, porém, ainda estão bem abaixo dos atingidos no ano passado
Fabrício de Castro, fabricio.castro@grupoestado.com.br
As empresas do Estado de São Paulo voltaram a gerar empregos em níveis semelhantes aos de antes da crise. Em abril, foram criadas 72 mil vagas com carteira assinada - o mesmo patamar de setembro de 2008. No Brasil, foram 106,2 mil novas vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Os números foram comemorados pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. “O Brasil está dando sinais inequívocos de recuperação”, afirmou em Brasília. Após fechar 654,9 mil vagas em dezembro e outras 101,7 mil em janeiro, a economia vem apresentando, desde fevereiro, saldos positivos - embora a geração de vagas, em todo o País, esteja longe do nível pré-crise.
“O resultado de abril veio um pouco abaixo do que esperávamos. Houve reversão, mas no sentido de estancar a queda”, afirma o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. Os números da indústria continuam ruins, mas os incentivos dados pelo governo para estimular setores sensíveis, como o automotivo, ajudaram a evitar a perda de mais vagas. “Esperávamos a geração de 30 mil empregos na indústria em abril, mas foram apenas 183. A reação ficou para os próximos meses.”
Para o diretor do departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, os efeitos da crise foram atenuados, mas a recuperação está longe de ocorrer. Em abril do ano passado, foram criados 82,7 mil empregos. “Para não dizer que foi zero, foram geradas algumas vagas em abril deste ano. A indústria continua em um estágio de não geração de empregos, mas caminha para uma estabilização.”
O setor de serviços, por sua vez, ajudou a puxar a alta geral em abril. Foram 59,3 mil novas vagas em todo o País - mais da metade do total de 106,2 mil. “O setor de serviços abalou-se com a crise. Mas comparativamente com os outros, sentiu bem menos”, diz.
A projeção da LCA para o emprego geral em todo o País é que, em maio, sejam gerados 90 mil novos postos - o saldo no ano seria de 651 mil. O ministro Carlos Lupi, porém, é mais otimista. “Arrisco dizer que teremos, neste ano, mais de um milhão de novos empregos”, disse ontem.
Pior fase
O resultado positivo traz ânimo ao governo e aos trabalhadores, principalmente os de São Paulo. O ministro Carlos Lupi lembrou ontem que, das 106,2 mil vagas, 72 mil surgiram no Estado. “São Paulo foi a locomotiva do emprego em abril”, afirmou.
A atendente Vanessa de Oliveira, de 27 anos, conquistou uma vaga em abril, após cerca de dois anos sem trabalhar com carteira assinada. “No início do ano, eu estava apavorada com a crise.Moro de aluguel com minha filha, de 9 anos, e via que estava ainda mais difícil conseguir um emprego.”
Após participar de uma seleção, ela conquistou a vaga de atendente numa unidade da rede de restaurantes China House, na Mooca, zona leste da capital. “É desesperador quando a gente está procurando e as empresas só demitem. Agora, penso até em conseguir um segundo trabalho, já que meus horários permitem isso.”
INDÚSTRIA
183 VAGAS
foram geradas na indústria em abril deste ano - quase nada, na comparação com as 82,7 mil de abril de 2008
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