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Quinta-feira, 16 abril de 2009   edições anteriores
POLÍTICA
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  MP apura 'pedágio' sobre funcionários

Ao menos um ex-servidor teria confirmado obrigação de devolver parte do salário. Vereadora nega

Roberto Fonseca

A Promotoria de Cidadania do Ministério Público investiga denúncia de cobrança de “pedágio” de funcionários do gabinete da vereadora Noemi Nonato (PSB). Embora inquérito civil sobre o caso esteja sob sigilo, o JT apurou que ao menos um ex-servidor de Noemi teria confirmado a devolução de parte dos salários à vereadora, e também a obrigação de contrair empréstimos para contribuir com a campanha à reeleição dela, que está no segundo mandato. Procurada, Noemi negou acusações via assessoria .

O promotor Roberto Antônio Costa, que apura o caso, já solicitou à Câmara Municipal planilhas com os salários pagos aos servidores do gabinete de Noemi, segundo a reportagem apurou. Ele, porém, alegou sigilo para não dar informações sobre o procedimento. Informações obtidas pelo JT mostram que, em um dos casos, um funcionário que recebia R$ 2,2 mil no mandato passado passou a ganhar R$ 10,9 mil no início deste ano - a variação ocorreu com o aumento da gratificação paga a ele pelo gabinete, de R$ 1,1 mil para R$ 9,7 mil.

Na questão dos empréstimos, um ex-servidor denunciou ao MP que ao menos quatro pessoas que trabalharam no gabinete teriam buscado crédito para a vereadora. Em um dos casos, a soma teria sido de R$ 40 mil. Em outro, de R$ 30 mil. As pessoas que deixaram o gabinete estariam cobrando a vereadora para quitar empréstimos.

Cantora gospel, Noemi, de 42 anos, se elegeu pela primeira vez em 2004, com 29.029 votos. No ano passado, teve 30.734 votos.

Outros casos

A retenção de salários dos funcionários do gabinete já motivou outras investigações do Ministério Público sobre a Câmara Municipal. Na legislatura passada, houve denúncias contra Claudete Alves (PT), Ademir da Guia (PC do B), Carlos Apolinário (DEM) e Bispa Lenice (DEM). Os quatro negaram as acusações. Claudete chegou a ser afastada do mandato pela Justiça em 2006 devido à acusação, mas reverteu a decisão.

Em mandatos anteriores, vereadores como Arselino Tatto (PT) - que chegou a ter os bens bloqueados pela Justiça em 2002 - e José Izar também enfrentaram acusações semelhantes.No último caso, o irmão de Izar, Willians, foi preso pela polícia em 2000, em pleno gabinete, acusado de exigir a devolução de parte do salário de servidor. Tatto e Izar refutaram, à época, as acusações.



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