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Terça-feira, 7 abril de 2009   edições anteriores
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  Souza Cruz doou para associações

Instituto Percival Maricato de Educação e Abresi receberam recursos há dois anos

Luísa Alcalde, luisa.alcalde@grupoestado.com.br

Entidades dos setores de bares, restaurantes e hotéis que ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa nas audiências públicas, que discutiram o Projeto de Lei do governador José Serra, que bane o cigarro de ambientes fechados, públicos ou privados, receberam patrocínios e doações da indústria do tabaco em 2006 e 2007.

As associações negam terem feito a defesa dos interesses das fabricantes de cigarros nos debates. Fazer lobby, porém, não é considerado crime no País. O Instituto Percival Maricato (IPM)de Educação recebeu R$ 18 mil de verba de patrocínio da Souza Cruz para realizar cursos de aperfeiçoamento e treinamento para proprietários e profissionais de bares. Maricato é também diretor adjunto jurídico da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em cujo site a Souza Cruz aparece como uma das parceiras.

Já a Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi) recebeu doação para a “manutenção de suas atividades” também há dois anos.

A Abresi é presidida por Nelson de Abreu Pinto, que também representou nos debates na Assembleia Legislativa o Conselho Nacional de Turismo (CNTur).

Segundo relatório da empresa, a Souza Cruz investiu em 2007 cerca de R$ 12 milhões em patrocínios institucionais (sem nenhuma associação com marcas ou produtos da companhia) e em doações com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento cultural, social e econômico do País.

Em seu site, a empresa afirma que o apoio da companhia se dá por meio de “doação de bens e valores para instituições que realizam ações em linha com os objetivos da política corporativa de responsabilidade social da empresa.” Procurada pela reportagem, a companhia não respondeu.

Troca de farpas

Para a Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), organização não governamental que milita contra os malefícios causados pelo cigarro à saúde e apoia o projeto de lei, esses fatos tiram a isenção dessas entidades e as colocam sob suspeita. “Há detalhes nos discursos feitos por elas na Assembleia que não fecham. É uma fala só de fachada. Muito antes de o projeto de lei ser apresentado eles sempre se recusaram a debater sobre a saúde dos trabalhadores do setor, que deveriam defender”, entende Paula Johns, diretora da ACT.

Nas duas audiências públicas que ocorreram desde agosto do ano passado, quando o projeto entrou em pauta na Assembleia, as entidades contra e a favor do projeto trocaram farpas contínuas.

Na semana passada as discussões e troca de acusações, sempre acaloradas, começaram no corredor da casa.

“Trata-se de uma polêmica falsamente criada (pelas entidades do setor). A Abresi no passado foi paga pela indústria do fumo para fazer lobby para a aprovação dos fumódromos. Tenho provas”, disparou Paula, ao bater boca com um representante de uma das entidades na semana passada, que pediu para não ser identificado.


Percival Maricato
Direto adjunto jurídico da Abrasel

“Nunca recebi um centavo de indústria nenhuma para fazer lobby. Defendo o seguimento porque acredito na liberdade.”



CÂNCER


A cada 30 minutos uma pessoa procura as unidades do SUS com câncer nos pulmões e brônquios, doenças diretamente ligadas ao tabagismo, segundo estudo da Secretaria de Estado da Saúde

905 dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao uso contínuo do cigarro e, em 2008, 4.537 pessoas procuraram tratamento para este tipo de câncer



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