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Um supervisor para cada vereador
Custo anual dos 56 cargos é de ao menos R$ 3,2 milhões. Presidente da Casa não vê ‘exagero’
A Câmara Municipal de São Paulo tem 56 supervisores, praticamente um para cada um dos 55 vereadores. Os salários da função, de acordo com o próprio Legislativo, variam de R$ 4,6 mil a R$ 5,2 mil, gerando custo mensal aproximado de R$ 277 mil e anual de R$ 3,3 milhões. Além desses cargos, a Casa ainda conta com dois secretários gerais e oito diretores, com salários de R$ 6,8 mil a R$ 9,1 mil, totalizando R$ 956 mil anuais. O presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PR), diz que a estrutura é necessária aos trabalhos do Legislativo, mas admite que pode rever o total de cargos.
Nos últimos dias, o total de cargos de outros Legislativos veio à tona, gerando discussão sobre sua necessidade. No Senado, havia 181 diretores, ou mais de dois por senador - diante da repercussão da opinião pública, a Casa anunciou o “corte” de 50. Na Assembleia Legislativa, há 67 diretores, ou dois para cada três deputados estaduais. O presidente Barros Munhoz (PSDB) considerou o total “absurdo” e defendeu reforma administrativa. Ontem, o JT ainda noticiou que o próprio Palácio do Planalto, ligado à Presidência, conta com 67 diretores.
Na Câmara Municipal, o valor desembolsado pode ser ainda maior. Segundo a rádio CBN, os supervisores ainda teriam direito a gratificação de R$ 1,9 mil, o que elevaria o gasto anual a R$ 4,7 milhões. A assessoria da presidência, porém, não confirma a cifra.
Rodrigues, presidente da Câmara, afirmou não ver exagero no número de supervisores na Casa. “Todo mundo tem um chefe e todo chefe tem encarregados. É assim que as coisas funcionam. Não há nenhum absurdo nisso.” Apesar da opinião, ele disse que vai rever a estrutura interna do Legislativo e admitiu que pode haver redução no número de cargos. “Por causa da situação no mundo todo, vamos rever as coisas. Se der para reduzir, a gente reduz. Se não, não reduzimos”.
“Festa da uva”, diz ONG
Para o diretor executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, os cargos de chefia como de supervisor servem para acomodar aliados políticos e não prezam pela eficiência do trabalho legislativo. “Evidentemente é uma festa da uva. Podemos definir isso (cargos) como clientelismo partidário. Não há racionalidade nem motivação da parte dos vereadores em promover modelo racional por ser verba pública”.
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