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Quarta-feira, 18 março de 2009   edições anteriores
ECONOMIA
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  Empreendedor busca oportunidades

MARCOS BURGHI, marcos.burghi@grupoestado.com.br

O espírito do empreendedor brasileiro mudou. A maioria decide iniciar um negócio próprio por enxergar oportunidades e não apenas por uma eventual necessidade financeira. A conclusão está na edição 2008 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), levantamento realizado com empreendedores de 43 países, divulgado ontem pelo Sebrae nacional.

De acordo com o estudo, para cada empreendedor que inicia uma atividade por necessidade, outros dois abrem empresas porque vislumbram condições econômicas favoráveis.

Segundo Paulo Okamotto, diretor-superintendente do Sebrae, é a primeira vez na série de pesquisas GEM, que está em sua nona edição, que o Brasil atinge a proporção de dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade. “É um fato a ser comemorado, mas é apenas o primeiro degrau de uma longa escada de desenvolvimento que será preciso subir”, afirma.

De acordo com o levantamento, o índice médio de empreendedores no Brasil ficou em 12,2%, pouco abaixo dos 12,7% atingidos em 2007.

No pódio

Entre os países do G-20 - grupo formado por 19 nações, entre as quais França, Japão e Estados Unidos, mais a União Europeia - o Brasil é o terceiro colocado, atrás apenas de Argentina e México (veja quadro). Na classificação geral, o Brasil ficou em 13º lugar. O superintendente do Sebrae avalia que a mudança de perfil do empreendimento no País evidencia que os brasileiros passaram a ver a possibilidade com um viés de oportunidade de crescimento e não apenas como tentativa de escapar da precariedade do mercado de trabalho.

Apesar dos resultados positivos, o levantamento revelou que inovação é um item que ainda está longe de se tornar uma realidade nas empresas brasileiras. Apenas 3,3% dos entrevistados acreditam que seus produtos podem trazer alguma novidade para quem comprá-los. Em oposição a este dado, 68% dos empreendedores locais acreditam na importância de se lançar produtos inovadores. O dado revela que o consumidor brasileiro quer inovação, mas as empresas ainda não conseguem atendê-lo.

O diretor-técnico da organização, Luiz Carlos Barboza, afirma que o nível de qualificação dos empreendedores brasileiros subiu. Segundo ele, a qualidade da atividade empreendedora brasileira está melhor, fruto dos cenários econômicos favoráveis dos últimos anos. O levantamento ouviu 124,7 mil empreendedores em todo o mundo, dois mil no Brasil.



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