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Quarta-feira, 18 março de 2009   edições anteriores
ECONOMIA
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  Cai a procura por crédito no País

A busca por recursos registrou uma redução de 10,5% em fevereiro em relação a janeiro

Anne Warth e Rodrigo Gallo

A procura por crédito pelas pessoas físicas caiu 10,5% em fevereiro ante janeiro, segundo dados divulgados ontem pela Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito. Isso porque, com o risco de perder o emprego, muitos trabalhadores estão deixando de tomar empréstimos ou abrir crediários. Há também influência das compras pagas à vista, que estão ligeiramente em alta nesses primeiros meses do ano.

A pesquisa da Serasa também revela que, em relação a fevereiro de 2008, o recuo na busca por crédito foi de 4,2%.

De acordo com o responsável pela pesquisa, Luiz Rabi, esse levantamento leva em conta o número de consumidores que vão a bancos, financeiras e lojas para pegar dinheiro emprestado ou abrir crediário. “A crise econômica afetou não apenas a confiança dos consumidores na economia, mas também no mercado de trabalho. As pessoas têm medo de perder o emprego e continuar com um carnê para pagar”, disse Rabi.

Além disso, há um outro fator que pode ter influenciado a redução da solicitação de empréstimos: o pagamento à vista. No mês passado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) já havia detectado uma leve queda nos pagamentos a prazo, de 0,2% em relação a fevereiro de 2008. Os pagamentos efetuados no ato, por outro lado, já apontavam para um cenário de alta.

Esse quadro é bastante comum em períodos de crise, segundo o economista e consultor José William Cruz. “Sempre que a situação dá sinais de aperto, os consumidores mais preocupados com a saúde financeira procuram pagar as compras à vista, para não comprometer o orçamento por muito tempo”, explicou. “Essa situação deve se acentuar mais nos próximos meses, pois muitos ainda estão pagando as compras de Natal: quando quitarem esses débitos, possivelmente vão optar pelo pagamento no ato”, analisou.

A pesquisa da Serasa Experian também mostra que a procura por crédito também caiu no caso das pessoas jurídicas. Em fevereiro, a busca por empréstimos e financiamentos baixou 10,8% ante janeiro, e 4,4% na comparação com o mesmo mês de 2008.

Essa é a primeira vez que a Serasa Experian divulga esses indicadores. A demanda por crédito de pessoas físicas começou a cair em maio de 2008 e atingiu no mês passado o menor nível da série histórica. Para pessoas jurídicas, o recuo começou a ser verificado em outubro, chegou ao menor nível em dezembro, teve recuperação em janeiro, mas voltou a cair em fevereiro, de acordo com a entidade.

Para o presidente da Serasa Experian na América Latina, Francisco Valim, a retração é um alerta, já que o crédito é uma das alavancas do crescimento econômico. Embora a entidade não tenha medido a oferta, ele destacou que há um problema de queda de demanda, agravado pelo aumento da inadimplência.



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