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Aumenta obesidade infantil
300 mil crianças beneficiadas no País estão com sobrepeso, alta preocupa governo
Eduardo Nunomura, eduardo.nunomura@grupoestado.com.br
A obesidade infantil avança entre os beneficiados do Bolsa-Família. A notícia causa surpresa para alguns, o que incomoda a dona de casa Maria Francisca de Souza. Os vizinhos zombam: “Teve sorte, hein? Os filhos estão gordinhos e não cortaram o benefício?” Não só os dela. Quase 300 mil crianças brasileiras do programa estão com sobrepeso. Equivale a 11,2% dos avaliados. Em duas regiões, a Sul e a Sudeste, o excesso de peso já prevalece sobre a desnutrição, fato que não ocorria dois anos atrás. O avanço do fenômeno, chamado de transição nutricional, preocupa. Em vez de um grave problema, o Brasil agora tem dois.
Verifique o estado nutricional do seu filho
A agente de saúde Cristiana da Silva Casaes foi a primeira a atender a família de Maria Francisca, no M’Boi Mirim, periferia de São Paulo. Antes mesmo de ela receber o Bolsa-Família. Há três meses, uma médica viu Adriana, a filha de Maria Francisca, e determinou: a menina, de 7 anos, não podia passar dos 35 quilos. De lá para cá, a mãe resolveu o problema fugindo da balança da farmácia.
“O que vou fazer? Só se costurar a boca dela”, diz Maria Francisca. Adriana faz três refeições em casa, se os vizinhos oferecerem comida ela aceita e na escola acrescenta um lanche e um “jantar”. Quando o pai, ajudante de pedreiro, recebe um dinheiro, a despensa ganha iogurtes, bolachas e muitos pães. Aí é vez de Adriano, o outro filho, atacar. Ele tem 9 anos e pesa 47 quilos.
Desnutrição
Em dezembro de 2006, 11% das crianças de 0 a 9 anos atendidas pelo Bolsa-Família estavam desnutridas no Sul e no Sudeste, ante os 10,4% com risco de sobrepeso. Em dezembro, a proporção se invertia: 10,2% ante 11,3%. Com a renda mínima, que vai de R$ 20 a R$ 182, milhões de famílias passaram a comprar comida, o que não ocorria no passado.
“É um desafio ter que conviver com o pior dos dois mundos”, resume Leonor Maria Pacheco Santos, secretária de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. De um lado, são crianças sofrendo de desnutrição, diarreia, retardo de crescimento. Do outro, elas já apresentam quadros de hipertensão, diabetes, lesões de pele, colesterol elevado. E os dois problemas podem se somar: depois da desnutrição, o excesso de peso, uma nova geração de baixinhos gordinhos.
“A população que tem mais obesidade é a de baixa renda. Os ricos têm a chance de ir a um spa ou consultar uma nutricionista”, explica Leonor.
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