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Menos dinheiro ao 'Fura-Fila'
Prefeitura diminui em 36%o orçamento do Expresso Tiradentes em relação ao ano passado
VITOR SORANO, vitor.sorano@grupoestado.com.br
Com apenas oito quilômetros inaugurados dos 31,8 km previstos , o Fura-Fila entrará em 2009, seu 11º ano em obras, com um orçamento 36% menor que o de 2008. Foram cortados R$ 82,96 milhões. A prefeitura, que em 2006 previu entregá-lo neste ano, não fez nova estimativa de quando concluirá o sistema.
Caso seja terminado, o Expresso Tiradentes - como é chamado hoje - será o maior corredor exclusivo de ônibus da capital, levadas em conta as extensões dos atuais. O projeto é ligar o centro ao Sacomã, na zona sul, e à Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste. O custo só do trecho 5 é estimado em R$ 90 milhões
A estimativa oficial é que, com os 31,8 km em funcionamento, 500 mil passageiros sejam transportados diariamente. Atualmente, são transportados somente 50 mil passageiros por dia, ou 10% da capacidade que teria se estivesse pronto.
As obras foram iniciadas em 1998 pelo ex-prefeito Celso Pitta (hoje no PTB). Marta Suplicy (PT) e José Serra (PSDB), que vieram depois, o rebatizaram de Paulistão e Expresso Tiradentes, respectivamente. Os 8 km em funcionamento foram entregues na atual administração por Gilberto Kassab (DEM). Cerca de R$ 600 milhões já foram gastos.
No ano passado, a São Paulo Transportes (SPTrans) - responsável pelas obras - contava com R$ 75 milhões de transferências do governo do Estado, verba que não aparece no orçamento de 2009. Isso foi um dos principais motivos do corte de 36%. Das verbas municipais foram retirados R$ 43,4 milhões.
A SPTrans foi procurada na quinta e na sexta-feira passadas, mas não se pronunciou. O Governo do Estado informou que repassa valores aos municípios, mas que cabe a eles a destinação. Do orçamento do Fura-Fila deste ano, a prefeitura investiu pouco menos de um quarto - R$ 55 milhões. As licitações para 21 km dos 23,8 km ainda não concluídos estão suspensas.
Para baixo
A redução no orçamento para o ano que vem torna negativa a evolução das verbas para corredores como um todo. A prefeitura previu gastar R$ 124 milhões em 2009 na implementação de corredores - quase um quarto a mais que em 2008. Todavia, se somados os investimentos no Fura-Fila, observa-se uma queda de 18%.
Ao agilizar a circulação, os corredores diminuem os gastos das empresas de ônibus, segundo Jaime Waisman, doutor em engenharia de transporte pela Universidade de São Paulo (USP) .
Esta redução impacta de maneira positiva no subsídio que a prefeitura tem de entregar às empresas para pagar aos empresários. Em 2009, a estimativa é de que R$ 600 milhões sejam gastos com essa modalidade, ou cerca de um terço do orçamento total dos transportes para o ano que vem. Neste ano, estavam previstos R$ 350 milhões, mas a estimativa oficial é que o gasto chegue a R$ 530 milhões.
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